Família em Movimento

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domingo, 30 de agosto de 2015

Vivemos na aparência e para a aparência e esquecemos que a aparência sobrepõem-se e esconde a essência

Conforme escrevemos ontem no blogue, visitámos a Paróquia de Nossa Senhora do Monte de Caparica para assistir à missa vespertina. E visitámos esta paróquia para estar numa missa celebrada pelo Reverendo Padre Joaquim Pedro Quintella, nosso amigo de longuíssima data.

Além de um grande sacerdote a quem reconhecemos, de sempre, santidade em tudo o que faz, é também - além de pároco do Monte de Caparica - Presidente da Associação Vale de Acór, em Almada.

A homilía mereceu da nossa parte enorme atenção e aprendizagem.
Tudo o que iremos escrever não é nosso. A curta meditação que fazemos foi o ensinamento que acolhemos no dia de ontem.


O Evangelho segundo São Marcos 7,1-8.14-15.21-23 relata-nos que um grupo de fariseus e alguns escribas criticaram os discípulos de Jesus pelo facto destes comerem sem lavar as mãos, algo que era então considerado impuro por respeito à tradição.

Jesus ouviu e sem peias respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:"Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que me prestam"».

A meditação do Padre Pedro Quintella foi longe, pois caminhámos até à China para aprender que naquele país não existe definição de pessoa. A definição próxima é personalidade e é representada por caracteres que se assemelham a três bocas. Isto é, personalidade é o que os outros dizem de nós.
Ora, também nós muitas vezes actuamos como se tivéssemos num palco. Actuamos para as pessoas verem, actuamos com o propósito de repararem em nós e por via disso obtermos medalhas de mérito.

Mas Jesus diz-nos: "É vão o culto que Me prestam".

Em tantas circusntâncias da vida queremos ser notados, queremos obter juízos de valor e reconhecimento, protagonismo nas nossas paróquias, na vida social e laboral.

Num plano material gostamos de mostrar os nossos carros, os nossos telemóveis, as nossas roupas e os nossos ténis de marca.

Até em determinadas festividades e celebração de alguns sacramentos festivos gastamos fortunas em roupa e acessórios para mostrar o que, ao fim e ao cabo, não somos.

Isto é, vivemos na aparência e para a aparência e esquecemos que a aparência sobrepõem-se e esconde a essência.

Para nós a palavra tolerância assume maior importância que a palavra salvação. Importa que nos reconheçam como pessoas tolerantes mesmo que tal signifique fazer de conta que a cultura dominante não é contraditória com os ensinamentos da Igreja. Mas ainda assim, é bom que os outros nos vejam e de nós digam sermos tolerantes. Católicos mas tolerantes com a cultura dominante.

Esta breve meditação leva-nos a um ponto: maior que a aparência é a essência.
Não importa o que de nós dizem. Importa o que somos aos olhos de Deus. Se assim não for viveremos da aparência dos escribas e fariseus, a reparar permanentemente no acessório e objectivamente aparente.
Jesus foi claro: é vão o culto que lhe prestamos.

O que Jesus quer de nós é que sejamos homens e mulheres de fé, essa relação secreta, íntima e pessoal com Jesus.
É por via dessa relação que Jesus nos diz: «Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultério, cobiças, difamação, orgulho, insensatez(...)».

Quão maior for esssa relação de fé, essa relação amorosa e íntima com Deus no nosso coração, maior serão as nossas obras. 
Quão maior essa relação de fé, mais profícuas serão as nossas obras. 

E nessa relação pessoal com Deus onde o que importa é o essencial e não o aparente, nada que saia de nós será motivo de escândalo. E se assim for, ainda que nada façamos por isso, aqueles que nos rodeiam acabarão por reparar em nós por todas as boas razões que um testemunho de vida provoca.

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