Família em Movimento

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ensinamentos do livro "Viver a Missa" - IV

O paramento que é próprio dos sacerdotes – sejam presbíteros ou bispos – é a casula. Enquanto a veste o celebrante reza «Senhor, que dissestes: “O meu jugo é suave a minha carga é leve”, fazei com que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça.»

Carregar o jugo do Senhor significa aprender d´Ele, estar sempre dispostos a ir à sua escola. D´Ele devemos aprender a mansidão e humildade. Olhando-O, a Ele que tudo carregou, que em Si sentiu a obediência, a debilidade, o sofrimento, toda a escuridão, então as nossas lamentações dissipam-se. O seu jugo é o de amar com Ele.

Não devemos considerar supérfluo o emprego de bons tecidos e adornos esmerados na confecção das casulas.
Fomentemos diariamente no nosso coração, antes de celebrarmos e participarmos na Santa Missa, os actos de desagravo e de humildade com espontaneidade de coração e aos nossos lábios a necessidade de pedir perdão – sem desassossegos nem escrúpulos, que o Senhor não quer – conscientes de que nunca estaremos tão preparados como conveniente.

São Tomás de Aquino preparava assim a Santa Missa com esta oração: “Ó Deus Eterno e Todo-Poderoso, eis que me aproximo do Sacramento do Vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao Senhor do Céu e da Terra.”

Não é reverência deixar de comungar, se estás bem preparado. – Irreverência só é recebê-l´O indignamente.

Reze antes de se iniciar o Santo Sacrifício: “Ó Mãe de bondade e misericórdia, Santíssima Virgem Maria, eu, miserável e indigno pecador, a Vós recorro de todo o coração e com todo o amor, e vos suplico que, assim como vós estivestes de pé junto ao vosso Amabilíssimo Filho pendente da cruz, me assistais também a mim, mísero pecador, e a todos os sacerdotes que hoje na Santa Igreja oferecem o Santo Sacrifício. Auxiliados pela vossa graça, possamos nós apresentar à suprema e indivisível Trindade a Vítima verdadeiramente digna de Lhe ser oferecida. Ámen.


FEM partilha breves trechos salteados (ipsis verbis ou adaptados por nós das partes que entendemos mais importantes), do livro Viver a Missa de Mons. Javier Echevarría, resultante da necessidade de compreender o itinerário espiritual que se segue de perto o desenrolar dos ritos litúrgicos, permitindo conhecer, por um lado e meditar, por outro. Em Portugal a edição do livro pertence à Lucerna.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Um Canto de Oração Especial

A Família Almeida escolheu adornar o seu Canto de Oração com Santos para brincar.
Estamos muito gratos e felizes interiormente p'los Santos para brincar contribuirem para o crescimento espiritual desta Querida Família como nos disse a Mãe:
"Estão a ajudar-nos muito no momento de oração familiar, com a nossa filhota de 2 aninhos. Muito Obrigada!"

Bem-Hajam 😊
Canto de Oração da Família Almeida


Ver publicação em Pequenos Pormenores com Amor.

domingo, 11 de junho de 2017

Como explicar a morte aos pequeninos

Há alguns dias uma leitora do blogue escreveu-nos para nos perguntar como explicamos a morte aos nossos filhos. 

A crianças pequeninas, a melhor forma de lhes explicar seja o que fôr é através de histórias. Com as histórias, os pequeninos conseguem resolver os seus conflitos interiores e sanar as suas dúvidas sobre os temas que lhes suscitam interesse. Ou seja, a identificação com uma ou mais personagens da história permite às crianças esclarecer as suas questões, percebendo o que vão vivendo no dia-a-dia e o mundo que as rodeia.

Todavia, e atendendo à sua faixa etária, as crianças não entendem o mundo e o que as rodeia como nós adultos, isto é, não necessitam de saber tudo tal e qual como é. Apenas necessitam de saber o bastante para sanar as suas dúvidas de acordo com o seu entendimento da situação.

Como tal, e sem pretender de forma alguma "debitar receitas", escrevemos esta história que partilhamos, como uma possível ajuda para explicar o que é a morte e o céu, numa perspectiva cristã aos mais novos.


A Princesa Sofia, Jesus e o Céu 

Era uma vez uma Princesa de seu nome Sofia. Era uma Princesa muito bonita e amada no seu reino. 

O Rei e a Rainha amavam-na muito e protegiam-na de todos os perigos e de todas as coisas que a pudessem deixar triste. 

Certo dia, estando a brincar no jardim do castelo, a pequena Sofia apercebeu-se da tristeza dos seus pais. A pequenina não conseguia entender porque estavam tristes. 

Mais tarde, ao ouvir o Rei e a Rainha a conversar, percebeu que falavam da morte do avô José. 

A princesinha nunca tinha ouvido falar da morte. Mas, achava que devia ser um coisa muito triste, dada a tristeza dos seus pais. 


A pequenina pôs-se a pensar como fazer para descobrir o que é a morte. Começou então uma intensa investigação sobre o tema. 

Ao observar os seus pais e familiares ficou a saber  que a morte seria uma coisa triste e dolorosa, pois havia visto a mãe chorar. 
No meio desta sua procura, a Princesa Sofia descobriu que depois da morte havia o CÉU, pois ouvira um padre amigo da família a falar acerca deste assunto.  

Um dia, estando a passear no jardim do castelo viu um Menino a brincar no lago dos cisnes. 

Perguntou-lhe de imediato: 
-Quem és tu? E o que fazes aqui no castelo? 

O Menino olhou-a, sorriu e respondeu: 
-Sou teu Amigo. Não Me conheces? 

A pequenita ficou intrigada e continuou: 
-Como podes ser meu Amigo se eu não Te conheço? 

- Tens razão. Tu ainda não Me conheces, mas Eu conheço-te muito bem. E estou sempre contigo. Sei o que pensas, sei o que dizes, sei o que fazes… O Meu nome é Jesus. Já sabes quem Sou? - interrogou-a. 

- Eu já ouvi falar de Ti!- respondeu a princesinha. 
  
-Vim até aqui, porque sei que estás a procurar saber o que é a morte- - disse-lhe Jesus. 

-E Tu podes ajudar-me? Sabes o que é a morte? E já agora, sabes o que é o céu? - a Sofia tinha muitas perguntas para as quais não conseguia encontrar resposta. Mas tinha a certeza que Jesus ia ajudá-la a esclarecer todas as suas dúvidas. 

- Bom, uma coisa de cada vez. Primeiro: és Minha amiga? - questionou Jesus.
- Sou, claro que sim. - respondeu de imediato a princesa. 

- Se és minha amiga, a morte é apenas uma porta para o Céu. Todas as pessoas um dia morrerão, mas a sua alma... 
-Alma?
- A alma é aquilo que nos faz pensar, sentir, amar.. essa (alma) entrará no céu. Compreendes? 

A pequena ficou pensativa e por fim disse: 
-Acho que estou a perceber. E o que é o céu?- perguntou. 

Jesus sorriu e disse-lhe: 
-Estás a ver este jardim? É bonito não é? Pois Eu digo-te o Céu é muito mais bonito que este jardim! No Céu só existem coisas boas. Temos a Mãe do Céu que nos mima muito; lá estão todas aquelas pessoas da tua família e amigos que são muito minhas amigas e que já morreram; no Céu experimentamos uma alegria transbordante, que nos faz saltar o coração… No Céu não existe tristeza, só felicidade. E essa felicidade é para sempre... 

- Sério? Então não percebo por que os meus pais estão tristes! O Céu é uma coisa boa!- concluiu a princesa Sofia 
Jesus enterneceu-se: 
- Sabes o que é a saudade? Aquilo que sentimos quando não vemos um amigo durante muito tempo? 

- Acho que sei. Não vejo a minha prima Teresa há muito tempo e sinto isso: saudades dela. - respondeu a pequena. 

Jesus continuou: 
- Os teus pais sabem que durante muito tempo não verão o avô José, por isso estão tristes, sentem saudades.. Mas no seu coração têm a certeza que quando chegarem ao céu o verão. Percebes? 

- Não sei se eles sabem que um dia irão voltar a ver o avô José, acho que é melhor correr a avisá-los. Talvez não fiquem tão tristes!  

A Princesa apressou-se para o castelo. Mas antes de sair do jardim olhou para trás e gritou a Jesus: 

- GOSTO MUITO DE TI, JESUS. VOU SER SEMPRE TUA AMIGA! 
  
  
FIM

P.S.- As nossas Princesas gostaram muito desta pequena história.

sábado, 10 de junho de 2017

O primeiro canal católico português


- os estúdios são em Fátima - 


CANAL 187 da NOS e MEO



10 de Junho de 2017

Nossa Senhora da Conceição - Igreja da Atalaia, Montijo

Salve, nobre Padroeira,
Do povo Teu protegido,
Entre todos escolhido,
Para povo do Senhor.
Ó glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes!
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor!
O seu amor! O seu amor!
Flor de suave perfume
Para toda a Lusa Gente,
Entre nós, em cada crente
Tens esmerado cultor.
És a obra mais sublime
Que saiu das mãos de Deus.
Nem na terra nem nos céus,
Há criatura maior!
A Tua glória é valer-nos,
Não tens maior alegria;
Ninguém chama por Maria,
Que não alcance favor.
Acorde-nos, Mãe piedosa,
Nestes dias desgraçados,
Em que vivemos lançados
No pranto, no dissabor.
És a nossa padroeira
Não largues o padroado
Do rebanho confiado
Ao seu poder protector.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O nome do Anjo da Guarda

Numa das Meditações do Retiro Espiritual, o sacerdote falou-nos em ter intimidade com o nosso Anjo da Guarda, falar com ele como alguém que nos acompanha sempre, que nos auxilia e que nos inspira.
Para tal, sugeriu que dessemos um nome ao nosso Anjo da Guarda. Um nome carinhoso. 

Trouxe a sugestão para casa e todos a aceitaram com entusiasmo.
O nome fica ao critério de cada um e nem precisam de divulgá-lo.

A pequenita no outro dia à mesa para nos fazer rir, perguntou:

- Sabem como se chama o meu Anjinho da Guarda?

- Não. Diz lá!- respondemos.

-Cristiano Ronaldo! - E desatou a rir contagiando todos.

Partilhamos esta ideia tão simples, porque pensamos que poderá ajudar quem nos lê a ter esta intimidade com o seu Anjo protector.


Por aqui, todos os dias no carro a caminho da escola, rezamos uma Avé-Maria e a oração do Anjo da Guarda, que depois de termos visto o filme "O Grande Milagre" acrescentámos mais um bocadinho à oração original:

"Anjo da Guarda minha companhia
Guarda a minha alma de noite e de dia
Até que a entregues 
a Jesus, José e Maria."

terça-feira, 6 de junho de 2017

Ensinamentos do livro "Viver a Missa" - III


Os paramentos do sacerdote

Continua a ser actual o elogio de São Jerónimo a um bom sacerdote: “Preocupava-o que o altar estivesse resplandecente, as paredes limpas, o chão brilhante; insistia para que o porteiro fosse diligente no cumprimento da sua missão, para que houvesse sempre véus nas portas; preocupavam-no a limpeza do pórtico e o resplendor dos vasos sagrados; e em todas as cerimónias, cheio de uma piedosa solicitude, não descuidava nem o pequeno nem o grande”.

O templo e a sua limpeza; a riqueza do altar; a harmonia da cruz e dos castiçais; a disposição cuidada das toalhas no altar; o material dos vasos sagrados, que deve ser rico; a pulcritude dos livros, do missal e do leccionário; a dignidade e a conservação dos paramentos sacerdotais, etc., tudo isto nos recorda o diálogo, respeitoso e cheio de fé, com que o povo de Deus – constituído por todos e cada um de nós – deve dirigir-se à Santíssima Trindade, no culto de latria, de sincera e total adoração a Deus-Pai, a Deus-Filho, a Deus-Espírito Santo, pela sua presença no Sacrifício do Altar.

O primeiro paramento de que os sacerdotes se revestem é o amito. Enquanto o coloca e depois de beijar a cruz que, em geral, está bordada no centro do mesmo, o presbítero reza: “Colocai Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação, para que possa repelir as investidas diabólicas”, simbolizando a necessidade do recolhimento dos sentidos e do pensamento para a digna celebração da Missa.

E o mesmo cuidado, idênticas atenção e dedicação dos sentidos e das forças têm de ter os fiéis que vão participar no Santo Sacrifício.

Enquanto veste a alba, o sacerdote pede a Deus que lhe purifique o coração com o Sangue precioso do Cordeiro que é Cristo. Ao por a estola, suplica que lhe seja devolvido o estado de imortalidade que todos perdemos com o pecado dos nossos primeiros pais. Estas orações «evocam a veste dominical que o pai ofereceu ao filho pródigo quando regressou a casa esfarrapado e sujo.»
Só Ele nos pode dar a veste dominical.

A boa colocação da alba, com porte digno e adequado à estatura do sacerdote, é e sempre foi importante, Não é irrelevante enverga-la em desalinho, por ser excessivamente comprida ou demasiado curta, por ter as pregas soltas, sem dar importância ao rigor atento no modo de vestir, pois essa atitude denotaria, tanto no sacerdote como naqueles que ajudam à Missa ou que participam no Santo Sacrifício, uma falta de respeito pelo Senhor dos senhores (Ap.19,16).

O cíngulo facilita a correcta colocação da alba, ao mesmo tempo que nos recorda a pureza de alma e de corpo que é exigida a quem se aproxima dos sagrados mistérios; é precisamente isso que exprime a oração que a Igreja recomenda ao sacerdote quando o põe: «cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza e extingue nos meus rins o fogo da paixão, para que permaneça em mim a virtude da continência e da castidade».


FEM partilha breves trechos salteados (ipsis verbis ou adaptados por nós das partes que entendemos mais importantes), do livro Viver a Missa de Mons. Javier Echevarría, resultante da necessidade de compreender o itinerário espiritual que se segue de perto o desenrolar dos ritos litúrgicos, permitindo conhecer, por um lado e meditar, por outro. Em Portugal a edição do livro pertence à Lucerna.

domingo, 4 de junho de 2017

Ópera Peter Grimes


No dia de ontem fomos ao São Carlos assistir à ópera Peter Grimes, de Benjamin Britten.
Esta ópera foi estreada em Londes no ano de 1945.

São os tais momentos de qualidade que aqui falamos tantas vezes. Momentos de qualidade, únicos e irrepetíveis, que fazemos gerar na nossa vida de casal criando nela singularidades.


Por outro lado, não menos verdade, ganhámos o gosto de ir à ópera. Nesta temporada lírica do São Carlos assistimos a Tristão e Isolda de Wagner e a Peter Grimes.  

Antes de entrarmos no São Carlos fomos beber um café e um pastel de nata (miniatura) na Pastelaria Sacolinha do Chiado (é ponto de paragem obrigatório) que fica ao lado do Largo de São Carlos.

Entrámos no Teatro 15 minutos antes do início do espectáculo perante o som da afinação dos instrumentos musicais e diante da beleza do interior do São Carlos que não nos cansamos de observar.

Depois, bom depois foram maisde três horas de ópera em 3 Actos.

Até à próxima temporada lírica!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Quando fôr grande quero ser Mãe"

A benjamim


A pequenina com os sapatos e a mala da Mãe ao ombro, diz que quando for grande quer ser Mãe Talvez porque vê a Mãe com os olhos do Amor. Mesmo cansada e às vezes sem paciência, a Mãe é para a nossa pequenina um modelo.

Obrigada Meu Amor Pequenino!

Um video muito elucidativo de um dia normal de uma Mãe.



E assim nos vêem os filhos!😍


terça-feira, 30 de maio de 2017

Birras

No Domingo, enquanto fazia o almoço, a pequenina pediu para brincar com dois recipientes e água.
Disse-lhe que não, pois ia molhar-se toda e estávamos quase a ir almoçar.


A benjamim que tem um géniozinho apurado, ficou amuada e foi sentar-se junto às tigelas da água e comida do nosso Verdi, com este no colo.

Disse com tom chateado:
- Pronto vou ficar aqui para sempre! Não vou à escola nem a lado nenhum. Quer dizer só como o pequeno-almoço, o almoço, o lanche e o jantar. Ah! E vou à Missa! Mas depois venho outra vez para aqui!




Achei graça e questionei-a::
-Então se não vais sair daí para lado nenhum, porque é que vais à Missa?

Respondeu sem rodeios:
-Olha, porque eu gosto de visitar Jesus!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Johnson continua a ser ponta de lança de Deus


Lembram-se de uma publicação datada de Dezembro de 2015 cujo título foi Johnson Semedo, o ponta de lança de Deus? É sempre bom recordar.


Ontem, Aura Miguel, na RR, entrevistou o Johnson no seu programa semanal Aura Miguel convida. *


Nesta entrevista, Johnson contou o seu percurso. 
É aquela entrevista pragmática e obrigatória de se ouvir.

Johnson continua a ser um ponta de lança de Deus e daqueles que Deus não prescinde de dar a titularidade. Continua a ser exemplo, grande exemplo.  

* No acesso ao link, carregar na figura do micro que está no canto inferior esquerdo da fotografia para ouvir a entrevista

domingo, 28 de maio de 2017

Ensinamentos do livro "Viver a Missa" - II



Preparação para a Santa Missa

São Josemaría costumava dividir o dia em duas partes: uma para dar graças pela Missa que tinha celebrado, a outra para se dispor para a celebração da Missa do dia seguinte.

Dizia: “Procuro que o último pensamento de cada dia seja de acção de graças ao Senhor por ter celebrado a Santa Missa nesse dia; e digo-Lhe «Senhor, dou-Te graças porque pela tua misericórdia, espero voltar a celebrar a Santa Missa amanhã»”.

E acrescentava: “Com o tempo, começarás a preparar a Santa Missa a partir do meio-dia da véspera porque até esse momento terás estado a dar graças pela comunhão e a Missa a que tiveres assistido nesse dia. Todo o teu dia será uma Missa, e assim não terás dificuldade em guardar a vista, em não ouvir determinadas coisas, em mortificar os restantes sentidos, em conter a imaginação. Tudo se torna mais fácil quando colocamos a Missa no centro da vida interior.

Os primeiros cristãos aguardavam, com preparação esmerada, pelo dia ou o momento da celebração da Missa.

Uma característica do homem apostólico e da mulher apostólica é amar a Santa Missa e muito concretamente tomar consciência de que a celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja.


Revestirmo-nos de Cristo

A melhor maneira de nos abrirmos à fruição dos tesouros eucarísticos consiste em nos metermos a fundo nas cerimónias.

Na administração dos Sacramentos, o sacerdote age e fala in persona Christi. Nos sagrados mistérios ele não representa a si mesmo e não fala expressando-se a si mesmo, mas fala pelo Outro, por Cristo.

Dizia São Josemaría: “Ao chegar ao altar, a primeira coisa que penso é:«Josemaría, tu não és Josemaría Escrivá de Balaguer (…), és Cristo. Todos nós, os sacerdotes, somos Cristo. Eu empresto ao Senhor a minha voz, as minhas mãos, o meu corpo, a minha alma; dou-Lhe tudo. É Ele que diz “Isto é o Meu Corpo, isto é o Meu Sangue”, é Ele que consagra.”

O sacerdote, como pessoa, desaparece.

Convém-nos muito a todos – e não só aos presbíteros – insistir cada vez mais no rigor da liturgia. É impressionante verificar que, no Antigo Testamento, Iavé indica a Moisés como devem ser as vestes e os objectos dedicados ao culto divino. O Senhor desce a pormenores muito concretos.

As orações recomendadas ao sacerdote quando se reveste dos paramentos explicam detalhadamente que ele deve colocar todo o seu ser ao serviço do ministério que lhe foi confiado por Cristo. E a meditação destas palavras na oração pessoal poderá ter grande proveito para a vida espiritual.

Também os fiéis têm alma sacerdotal que receberam do Baptismo, e também eles devem praticar as mesmas virtudes que os sacerdotes. “Se actuares - viveres e trabalhares -, face a Deus por razões de amor e serviço, com alma sacerdotal, ainda que não sejas sacerdote, toda a tua acção adquirirá um genuíno sentido sobrenatural, que manterá a tua vida inteira unida à fonte de todas as graças”, está escrito no Ponto 369 do livro Forja.


  
FEM partilha breves trechos salteados (ipsis verbis ou adaptados por nós das partes que entendemos mais importantes), do livro Viver a Missa de Mons. Javier Echevarría, resultante da necessidade de compreender o itinerário espiritual que se segue de perto o desenrolar dos ritos litúrgicos, permitindo conhecer, por um lado e meditar, por outro. Em Portugal a edição do livro pertence à Lucerna.

sábado, 27 de maio de 2017

Almoço com colegas ou jantar com os filhos?

Quando o relógio indicar 14 horas, façam-me um favor: olhem à vossa volta e registem o que estão a ver. 

O retrato não será muito diferente do seguinte: são duas da tarde mas a cidade ainda está no almoço; ainda se come feijoada ou tomate com queijo feta de forma pausada, quase pachorrenta; os grupos de colegas de trabalho que por acaso já acabaram o repasto regressam em ritmo estival ao escritório depois da longa pausa imposta pelo sacramento que é o farto almoço – farto na comida, nas palavras e no tempo desperdiçado. 

Mas qual é o problema com este quadro bucólico? 


Uma sociedade que retoma o trabalho depois das duas é uma sociedade que só vai sair do trabalho às seis, sete ou mesmo oito da noite. E onde é que ficam os filhos nesta equação? 
Não ficam. De resto, ninguém me tira da cabeça que a principal causa da baixíssima taxa de natalidade de Portugal (1,2 filhos por mulher, talvez a mais baixa do mundo) é a forma como organizamos o nosso dia-a-dia. 

Deitamo-nos tarde, levantamo-nos tarde, começamos a trabalhar tarde e, como se tudo isto não fosse suficiente, temos o hábito do longo almoço, que não se limita a cortar o ritmo de trabalho, também corta o tempo para os miúdos. Os portugueses almoçam com os colegas de trabalho mas não jantam com os filhos. Ou jantam à pressa. Come-se uma “coisa qualquer” e não há aquela conversa formativa à mesa. Os miúdos, ou melhor, o miúdo fica entregue ao frigorífico e ao tablet. 

Um dos efeitos desta cultura almoçarista ficou evidente nesta semana: a obesidade crescente nas nossas crianças. Temos portanto a taxa de natalidade mais baixa da Europa e, como se isso não fosse suficiente, estamos a criar os garotos mais obesos da Europa. Poucos e gordos. Devido ao hábito “cultural” do longo almoço, devido à mania “cultural” de ficar até tarde no trabalho, os pais chegam demasiado tarde a casa, seis e tal, sete, oito, se não for nove. Se houver dinheiro para empregada, o cenário tem remédio, a Dona Amélia, a Svetlana ou a filipina ilegal deixam sopa e comida feita e, durante o dia, foram à fruta. Mas, se não houver dinheiro para criadagem (a maioria dos casos), come-se “qualquer coisa” à pressa. Desta forma, os pais não ensinam as crianças a cozinhar e a comer. E claro que na escola as crianças também não vão à cantina, comem entulho remotamente orgânico no boteco mais próximo. 

Acham que isto é um mero pormenor? Não, não é. Quem trabalha ou trabalhou nos EUA ou na Europa percebe logo que está aqui um problema. Na Alemanha, por exemplo, o trabalho acaba no máximo às quatro/cinco horas, porque se começa cedo e porque não se sacraliza o almoço com colegas; sacraliza-se o jantar com a família. Perante esta comparação com a Alemanha, já estou a imaginar a vossa contra-argumentação: dir-me-ão que esta é a nossa cultura, que temos direito ao almoço e à sesta. 

Lamento, mas essa é uma argumentação reaccionária. O que é “cultural” e “tradicional” não é sagrado, sobretudo quando é uma causa de morte lenta. O hábito da pausa do almoço e da sesta nasceu numa sociedade patriarcal que atribuía a gestão da casa e dos filhos à mulher, que só podia ser dona de casa; os homens no passado podiam ter longos almoços e ficar a trabalhar até tarde, porque em casa as mulheres tratavam dos filhos e do consequente futuro demográfico da sociedade. Hoje isso já não acontece. Com as mulheres no mercado de trabalho, o longo almoço torna a vida familiar num inferno e atira-nos para o deserto demográfico. Moral da história? Nós não podemos querer sol na eira e chuva no nabal. 

Não podemos ser modernos e desejar a mulher no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, não podemos ser reaccionários e desejar um horário de trabalho do patriarca marialva. 

Portanto, quando o relógio indicar 20 horas, façam-me por favor. Abram o vidro do carro e perguntem o seguinte ao vizinho do lado aí do engarrafamento: “um almoço de uma hora com colegas de trabalho é assim tão importante? Porque é que a nossa sociedade está organizada em redor do almoço com meros colegas e não em redor do jantar com a nossa família?” Obrigado. 

Henrique Raposo em "Nem Ateu, Nem Fariseu" (RR, 19 Maio)