Família em Movimento

Família em Movimento

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Um plus



O texto sobre a nossa ida a Fátima será escrito em breve. E desta vez o Verdi também foi.

Sem embargo, gostaríamos de partilhar uma curtíssima meditação que, mais do que palavras, deverá constituir uma meditação mais séria em cada um. É essa a proposta que lançamos.

Pois bem, Deus acrescenta-nos sempre algo. Meditámos no nosso consorte, o nosso marido ou a nossa mulher, e pensámos que para cada um de nós Deus havia preferido, entre tantos milhões, aquele ou aquela pessoa para connosco constituir família. 

Por isso se diz que Deus só sabe contar até um.



Depois os filhos. Cada filho é um plus nas nossa vidas. Quão triste seríamos se não existissem porque eles são a nossa própria história de amor.

Mas... quando não podemos ter filhos e tal impedimento não é gerado pelo egoísmo, é igualmente uma benção. Deus assim quer. Muito bem, assim seja. Ainda que não tenhamos os nossos filhos, Deus acrescentará valor. Algo virá porque Deus só sabe contar até um e olha-nos um a um.

Conhecemos um casal que nunca teve filhos e sempre o lamentaram. Mas Deus deu-lhes tantos afilhados que têm sempre crianças ao seu redor. 

Gostamos de pensar que somos marionetas nas mãos do Criador. E a sabedoria é deixar que Ele opere, sem resistirmos, sem resmungarmos, sem cair na tristeza que é aliada do inimigo.

Ser-se marioneta de Deus é de uma profundidade extraordinária.

Há dias atrás uma pessoa foi-nos encaminhada por um problema que aqui não importa mencionar. Mas esse problema não era o pior dos seus problemas. E nós ajudámos sobre o pior dos seus problemas que, se Deus assim o quiser, terá dentro de dias o seu fim. E se assim for os problemas desta pessoa cessarão. Deus geriu como quis. Encaminhou tudo até ser obtido um fim.
Benditas marionetas!

Que bom sermos instrumentos do Criador que em tudo acrescenta algo mais. Até da dor, da doença. Nada em Deus cai num saco roto. Tudo concorre para o bem.

Queridos amigos, pensemos bem quantas vezes o Criador nos deu um plus, quantas vezes acrescentou valor à nossa vida. Pensemos de igual modo quão gratos, gratíssimos!!, devemos ser. E ainda mais, como agradecer. Porque Deus é atento aos que lhe são gratos.

Quando Jesus curou dez leprosos e apenas um (samaritano) regressou para agradecer, Jesus disse:

«Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?...» 1

Caros amigos, agradeçamos a nossa família todos os dias da nossa vida e confiemos os nossos filhos a São Rafael Arcanjo e a São João, o jovem discípulo valente e sem medo que acompanhou o Mestre até ao fim, sem cedências.

1 Lucas 17 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A casa da Mãe

Já alguma vez pensámos em como é bom ir a casa da Mãe quando já somos crescidos e temos a nossa vida organizada?

A mãe mima-nos com a comida que mais gostamos, faz sobremesas maravilhosas e não nos deixa fazer nada, apenas quer estar na nossa companhia. É tão bom!

No dia-a-dia vamos falando com a mãe pelo telefone, via sms, whatsApp... mas a visita a casa da mãe é tão saborosa.

Fazendo a analogia, por aqui rezamos o terço todos os dias. Falamos com a Mãe várias vezes ao dia, nem que seja apenas para deitar um olhar a uma imagem Sua.


Mas ir à casa da Mãe é tão bom!

Temos o hábito de ir a Fátima algumas vezes no ano. 

Ficamos ansiosos com o momento da chegada, com o encontro na Capelinha, sentimos uma alegria enorme a transbordar no coração, temos a sensação de voltar a ser crianças com a Mãe por perto.


E é engraçado como transmitimos isto aos nossos filhos sem nada fazer para isso, eles apenas vêem como os pais amam a Mãe do Céu e têm um gosto tão grande em ir a Fátima.

Como tal, quando anunciamos uma ida à casa da Mãe é uma alegria enorme. Os pequenos contam os dias que faltam para partirmos e ficam ansiosos com a chegada a Fátima.

A benjamim pergunta sempre se "vamos às velas rezar o terço, para ver a Nossa Senhora a sair do quadrado?". E o que a pequena canta na procissão!

E nós pais ficamos enternecidos com o amor que os nossos filhos têm à Mãe do Céu.

O amor às coisas do céu não se ensina, vive-se, sente-se e acende-se.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O casal

Não devemos esquecer que uma família é composta pelo pai, pela mãe e, se Deus assim o tiver querido, pelos filhos.

Os filhos são sempre uma benção e deles falamos, escrevemos, partilhamos. Mas não esquecer nunca que pai e mãe existem para si.

Aristóteles disse que o amor é querer o bem do outro. É um conceito bonito e que nos ajuda a viver fora do nosso "eu" fazendo da nossa relação uma relação madura e melhor vivida.


O nosso texto de hoje é para o casal.

Há cinco crivos a ter em conta na relação a dois:

·         Concretizar momentos de diálogo
      É impossível conviver sem diálogo. E pensar que o outro adivinha é um erro tremendo. Há dicas para fazer um bom diálogo mas isso fica para outro post. Sem embargo, nos diálogos deve-se falar das coisas triviais como das coisas que importam. E que tal prever a semana que segue, ajustando horários para não constituir focos de tensão. A ordem e o planeamento são uma boa solução para as crises de stress que existem quando nada se planeia...

·        Prever saídas
   Todos os casais devem prever saídas e estas devem ser em família. Constituirão momentos de qualidade. Uma ida ao cinema, ao teatro. Um passeio à praia. Ir ver o mar. E o Domingo é tão bom para isso acontecer... 

·        Actividades a dois
    Os casais devem ter actividades a dois, algo que gere cumplicidade. Há quem goste de dança. Pois bem, eis uma solução. Há quem goste de correr. Há quem goste de caminhar. Colocar a inteligência a funcionar para perceber que actividade a dois potencia alegria e cumplicidade.

·        Haver, pelo menos, um fim de semana a dois em casal
      Um fim de semana por ano é pouco. Mas se não se conseguir melhor, pelo menos um. E nesse fim de semana sem os filhos aproveite-se para dialogar, rir, viver os denominados momentos de qualidade e namorar.

·        Repartição de tarefas mas numa base solidária e nunca matemática
     Nem ela fazer tudo nem ele nada fazer. As tarefas devem ser abordadas previamente num bom diálogo e depois de gizadas colocadas em prática. Uma nota importante é a distribuição ser de base solidária (sim, solidária) e nunca matemática. Nunca entre o casal surja a conta "Limpei o pó e fiz a refeição e ele nada. Querido marido, o lixo e as camas são para ti que já fiz duas coisas e tu nenhuma". Se as tarefas forem distribuídas assim ou se nem sequer divisão houver, não espantará que o casamento não funcione muito bem. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O desejo do folhado de salsicha

Há dias a nossa filhota do meio confidenciou a sua luta com um folhado de salsicha no bar da escola.

Ao que parece os folhados de salsicha da escola têm um ar apetitoso e de cada vez que são colocados à venda desaparecem num ápice.

A nossa menina contou-nos que por diversas vezes já se colocou na fila do bar, com o intuito de comer um desses ditos folhados. Todavia, sempre que chega a sua vez os folhados já terão desaparecido.


No outro dia, numa das suas tentativas, viu dois folhados na montra do bar e apenas tinha um colega à sua frente. Ficou satisfeita, pois pensou:”Hoje chegou a minha vez!”

Enganou-se! O colega da frente comprou os dois folhados de salsicha: um para si e outro para o irmão. A pequena ficou mais uma vez desiludida.


Ontem, utilizando o Whatshap Família, o filho mais velho enviou uma fotografia da montra do bar da sua escola com dois folhados de salsicha bem apetitosos! E começou a brincar com a irmã, a fazer pirraça.

Mas a atitude que teve deixou-nos enternecidos, comprou um folhado de salsicha e deu à mana ao chegar a casa, para que esta pudesse satisfazer o seu desejo.

Lembrou a irmã, quis satisfazer o gosto da mana. Saiu de si mesmo para agradar a quem ama.
Foi um gesto muito bonito e carinhoso que elogiámos.

Ao jantar ao ler o Evangelho e depois o comentário feito pela Santa Teresa de Calcutá liamos:

“O que é a contemplação? É viver a vida de Jesus. É assim que a compreendo. Amar Jesus, viver a sua vida no âmago da nossa e viver a nossa no seio da sua. [...] A contemplação não ocorre por nos fecharmos num quarto às escuras, mas por permitirmos a Jesus que viva a sua Paixão, o seu amor, a sua humildade em nós, que reze connosco, que esteja connosco e que santifique através de nós. A nossa vida e a nossa contemplação são unas. Não é uma questão de fazer, mas de ser. De facto, trata-se da plena fruição do nosso espírito pelo Espírito Santo, que derrama em nós a plenitude de Deus e nos envia a toda a Criação como sua mensagem pessoal de amor (Mc 16,15).”

“Não é uma questão de fazer, mas de ser.” 
Esta frase ficou-nos gravada assim como o gesto do filho mais velho. Fez o que de certeza o Espírito Santo o inspirou no seu coração.
E a felicidade interior que experimentou por fazer feliz quem ama, é a recompensa amorosa de quem faz da sua vida a vida de Cristo.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Silêncio

No dia de ontem fomos ver Silêncio, o filme de Martin Scorsese.

Fomos curiosos, na justa medida em que o filme nos havia sido recomendado ver. Sabíamos ao que íamos pois haviam-nos dito que o filme, para quem tem as ideias muito arrumadas, não belisca; mas, para quem não as tem, a nível religioso, melhor seria se houvesse da parte destas uma conversa à posteriori com sacerdote ou amigo "arrumado", para mitigar os estragos.

Antes de ver o filme lemos igualmente duas opiniões. A primeira, de José Miguel Pinto dos Santos. A segunda, de Laurinda Alves.

Gostámos do filme pese embora o achemos curto, não na duração, mas no conteúdo. Faltou um plus e esse plus seria o próprio cristianismo que implica mais, muito mais, porque vai mais além do que se viu no filme.


Sem embargo, após meditação e indo directos ao filme, o mesmo apresenta vários entendimentos, que a seguir apresentamos.


Questão Prévia - O Filme

Dois padres jesuítas portugueses, no século 17, Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe, viajam até o Japão, numa época onde o catolicismo foi proscrito, à procura do padre Ferreira, o mentor de ambos, uma vez que havia a notícia de ter abjurado. Os jesuítas enfrentam assim a violência e perseguição brutais de um governo que deseja expurgar todas as influências externas, incluindo o cristianismo.


I A apostasia dos padres Ferreira e Sebastião Rodrigues

Terão perdido ou negado, verdadeiramente, a fé? O fim do filme elucida quanto à real apostasia dos dois sacerdotes. Ferreira, em diálogo com Rodrigues, fala em “Nosso Senhor”. Rodrigues chama-o à atenção e fica pensativo. O próprio Rodrigues, após apostatar, a pedido de Kichijiro, ainda que a cena não continue até ao fim, parece ouvi-lo de confissão. A cena final do filme mostra Rodrigues morto, em cerimónia budista, com o crucifixo na mão. O crucifixo só pode ter sido colocado com a “imposta mulher” do sacerdote, às escondidas, na despedida ao falecido “marido”. 

Outro sinal é a necessidade que o governo teve em obrigar Rodrigues a reiterar os exercícios – cuidadosamente apelidados de formalismos sem importância alguma… - de abjuração da fé cristã, ao pisar uma imagem de Cristo. Não só ele como a sua “imposta mulher”, o que leva a crer que o governo tinha medo dele e dela ou da sua conversão pela co-habitação com o “padre”. 

Simultaneamente, é dito que nenhum dos apóstatas não mais falou, em público, da sua fé.

Vamos por partes. Os dois sacerdotes – Garupe e Rodrigues – são muito diferentes entre si. Enquanto Garupe é pragmático e impaciente, Rodrigues é sentimental e paciente, muito paciente, suportando tudo até ao limite. Garupe não abjurou e morreu a tentar salvar os camponeses cristãos mortos pelo governo. Foi um sacerdote pragmático, confiável, mártir.

Rodrigues é levado ao limite do sofrimento e até a uma loucura que se manifesta. É nesse momento de loucura que, por chantagem, cede e renega à fé. A chantagem é posta em termos que, ou ele cede, ou outros morrerm na fossa (remeto novamente para a leitura do texto do doutor José Miguel Pinto dos Santos). Mas tudo não é mais que uma mentira quando lhe dizem que é por ele e por sua causa ou culpa que os camponeses irão morrer na fossa. Mentira! Se os camponeses morrem na fossa é por causa e culpa do governo que deles usou e utilizou para chantagear o sacerdote e inventar um (falso) pretexto. Mas o sacerdote, caiu. E caiu por ter sido levado ao limite e por, em manifesta loucura, não possuir a necessária capacidade para bem decidir. Admitiu ser ele a causa do morte dos camponeses e, para a evitar, abjurou. 

Após a apostasia é-lhe imposta uma mulher e “herda” o filho dela com o falecido marido. Da vida conjugal pouco ou nada se sabe. A única coisa que fica da relação é a necessidade que o governo teve de os provar a ambos na permanente negação da fé cristã. Mas se ela não era cristã, temer que o seja ao ponto de ter de provar que não é só prova o receio da conversão oculta às mãos de um Rodrigues que nunca se divorciou da sua fé, negando-a por razões que só ele sabe. Sem prejuízo, quando os sacerdotes negaram a fé  mas afirmavam-na interiormente, significa que viveram uma vida com ausência de unicidade, isto é, negavam Cristo publicamente, por palavras e por actos, mas interiormente afirmavam-no como Senhor. Este cristianismo é em si mesmo manco, nada fértil, porque é feito fora da Igreja. Ou seja, viver a fé fora da unidade da Igreja é viver de uma fezada que não é fecunda, não produz fruto, hoje como ontem. 
Que frutos se viram enquanto sacerdotes? Muitos. Que frutos se viram depois de abjurarem ainda que vivendo uma fé pessoal e fora da igreja, uma fezada? Nenhuns. E esse ensinamento é-nos dado para meditação.       

II  Morrer para a vida também é morrer

Muito se pode dizer e escrever de Rodrigues, mas a verdade é que podemos ver dele um fraco que abjurou, um fraco que não morreu pelos seus irmãos, um fraco que preferiu viver a morrer, um fraco que não cuidou de levar a sua cruz até ao fim. E podemos ver um Rodriguez como um herói, um mártir que deu a sua vida pelos outros.
Mas como se não morreu? Por isso mesmo. Não morreu, antes viveu a mentira das mentiras da sua vida, ficcionando ser quem não foi, para salvar quatro camponeses cristãos. Isto é, abdicou da sua vida, da sua essência, da sua vocação para salvar outros. Ele, sacerdote, foi forçado a viver sem falar e viver de Quem mais amava.O que é isso senão morrer?

Mas tal afirmação pode ser negada se se considerar que o verdadeiro martírio seria morrer no verdadeiro sentido da palavra, porque a outra morte em vida estava vedada aos sacramentos e vida de comunhão com os outros.

Para confundir mais, os defensores da tese do martírio em vida sempre poderiam alegar que seria precisamente por isso que Rodrigues havia sido um mártir, a justa dimensão da sua privação.   


III  A personagem Kichijiro

Esta intrigante personagem personifica-nos e a sua relação com o padre Rodrigues personifica a relação que temos com Deus, isto é, Kichijiro é o homem que trai, denuncia, o homem sem escrúpulos mas que depois regressa sempre ao regaço de Quem dele foi sempre amigo, não traiu, não denunciou, não o julgou e sempre o perdoou. Quem mais senão Deus nos faz isso? Parece-nos que relação destes dois personagens personifica a relação do Homem com Deus.


IV  A igreja clandestina e os missionários

Findamos. Este Silêncio trouxe-nos a imagem da igreja clandestina, perseguida e com medo, por um lado e os missionários, por outro. Se por um lado percebemos claramente que estamos demasiado cómodos na vida e que, em comparação com estes irmãos ainda temos muito a provar, por outro criamos um respeito enorme por sacerdotes e religiosos que deixam tudo para serem missionários, para irem ter com os povos cristãos tantas vezes perseguidos por esse mundo fora.

Tomara termos a devoção e amor a Cristo e aos irmãos que estes cristãos – ainda perseguidos e mortos neste século XXI – têm, ao ponto de não negarem a sua fé, ainda que para isso vivam na terra um inferno.  


Conclusão

Repito, o filme é bom, mas curto. Falta o resto que não foi contado.
Foram apresentadas teses e cada uma delas com o seu contrário. Nenhum de nós atrás de um teclado do computador foi levado até ao limite pelo que, se por um lado é cómodo opinar se Rodrigues foi herói ou vilão, vencedor ou vencido, por outro não sabemos como reagiríamos numa situação limite ou quando os limites são efectivamente  ultrapassados.

Numa altura em que todos os limites haviam sido testados, Ferreira convence-o com uma mentira quando nega o fruto da oração fazendo-lhe crer que rezar não compensa porque nada acontece (estilo micro-ondas ou programa de discos pedidos), fazendo de Deus um Aladino. 

Não sabemos se se convenceu ou se se fez de convencido, conforme acima escrevemos. Não sabemos porque não morreu, como outros, ou se preferiu morrer vivendo, como outros não quiseram. Uns e outros justificaram a fé. 

Ou então entende-se que uns sim, mas outros não porque não a viveram em comunidade e não a viveram sacramentalmente. Se prevalecer a primeira tese, são mártires e respeitáveis cristãos. Mas se prevalecer a última tese, Ferreira e Rodrigues não venceram, mas sim foram vencidos. E se foram vencidos, como disse Brenno, vae victis.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Quem não é de cena, sai de cena!

Ensina São Josemaria no Ponto 132 de Caminho: Não tenhas a cobardia de ser "valente", foge!

O capítulo onde se insere - por via a percebermos o contexto, é o da pureza, da santa pureza.
É um conselho aparentemente inócuo. Será?
Não é. É tudo menos inócuo. Sem prejuízo de melhores considerações e interpretações, permitimo-nos escrever a nossa. 



Nos mais diversos ambientes, nas mais diversas ocasiões, somos tantas vezes colocados à prova. Isso acontece no trabalho, nos eventos sociais, entre amigos, e por aí fora. Há situações das quais devemos fugir porque não são para nós.

Sustar em determinado ambiente por uma pseudo valentia significa, no limite, dialogar com o pecado. E quando dialogamos com o pecado, quando estamos a paredes meias com ele, quando nos colocamos em situação de fronteira, o perigo é iminente, está presente, ladeia o herói da estória que, num ápice e sem se aperceber, se torna o vilão negligente.

Quando ele "cheira" que o ambiente não é para ele, sai. Quem não é de cena, sai de cena!

Antes que a imaginação flua em sentido proibido, ocorra a fuga.

Disse-nos um amigo que, em gozo de férias com a mulher, encontraram uma amiga dela que, por sinal, estava demasiado produzida. O tipo pisgou-se educadamente criando uma situação para gentilmente sair da cena. A mulher deste nosso amigo não sabe o marido que tem. O que ele fez não foi mais nem menos que não se pôr a jeito. Respeitou-se e à mulher. Não cedeu à tentação, não deu largas à imaginação e cerrou os olhos ao que seria, inevitavelmente, causa de pecado. Um tipo às direitas.

Ilustramos desta forma este conselho de Josemaria Escrivá e parece-nos importante escrever, partilhar, gerar reflexão aos nossos amigos que nos lêem.   

É óbvio que podemos reflectir os outros ambientes, nomeadamente o local de trabalho ou outros que nos coloquem em situações de eventual perigo. Por exemplo, quantas conversas que não são para nós. Quantos ambientes em que ou se diz mal ou se fala do que não se deve. Fugir dali é o mais sensato.

Outra coisa que parece ser importante escrever são os almoços com amigos ou colegas. Atenção que há sempre alguém encantador (às vezes encantador e do piorio quando no ambiente natural junto dos seus) no meio dos ambientes que frequentamos. Sabe falar, é meigo(a), sorri como ninguém e ainda nos elogia. Um encanto. Suspiramos... voltamos a sentir coisas que já pareciam ter desaparecido. Um almoço hoje, outro amanhã. Depois do amanhã, um copo no fim do trabalho. E no dia imediatamente a seguir uma confidência, uma partilha, aquele sorriso que não sairá do pensamento nas próximas horas. E depois... depois já concluímos todos. O que fazer? FUGA! Esta não será certamente a nossa cena. Pertencemos a outra. Por muito encantadora e atractiva que seja, outros valores se levantam. Fuga imediata. Quem não é de cena, sai de cena. E por vezes pela porta das urgências.

- Ah!... mas o que irá pensar se declinamos?

Que se lixe - literalmente!! - o que vai ou deixar de pensar. Temos uma família que está em primeiro lugar e a melhor forma de a salvaguardar é não ceder. E sim, o que vai ou deixa de pensar é para o lado que dormimos melhor. Educadamente, declinamos. E saímos.  

Não tenhas a cobardia de ser "valente", foge!

domingo, 15 de janeiro de 2017

A ordem no estudo

Esta publicação é escrita pelo pai.

No que concerne ao acompanhamento escolar dos nossos filhos, estamos sempre atentos. e no caso em apreço, por se tratar do 10º ano, já é exigível maiores cuidados e maior responsabilidade.

No primeiro período deixei que o filho mais velho fizesse a gestão escolar, nomeadamente os tempos de estudo.

Observei uma enorme evolução desde do ano escolar transacto. 
Teve boas notas e está mais estudioso, laborioso, à procura de médias. Perfeito.


Mas acordei com ele no início que o segundo período seria meu. A gestão dos tempos é agora feita por mim, à minha maneira e de acordo com os meus métodos.

No fim deste período compararemos as notas e, já se antevê, o terceiro período será de quem obtiver melhor média. Vencerá a gestão do filho ou do pai? Veremos.

Sim, incuto-lhe o espírito competitivo por um lado e partilho experiências, por outro.

O meu método é simples e foi o que adoptei - com bons resultados - na faculdade. É simples porque não traz nada de anormal excepto a dedicação e exigência. Mas quem quer ir além... terá de vergar a mola, compreendam e perdoem a expressão. 

O meu método consiste em:

a) Planear
b) Estudar diariamente em vertente dia/recuperação
c) Horários rigorosos de tempo de estudo
d) As dúvidas tiram-se na sala de aula


Planear

Planear significa ordenar. Sem ordem não há resultados. Quem não planeia anda à toa entre sopros de vento. 
Comprei uma agenda e fiz o plano de estudos da semana. Todos os dias foram modelados consoante as disciplinas leccionadas desse dia.
O meu filho sabe hoje o que tem pela frente. Mas o plano visa uma semana. O próximo planeamento será realizado no próximo Sábado e assim sucessivamente. 
Outra coisa que lhe pedi foi para ter tudo organizado antes de iniciar o estudo para não perder tempo. Isto é, se são três as disciplinas de estudo no dia X deverá ter tudo o que lhes corresponda pronto a usar, para não perder depois o tempo que está adjudicado ao estudo à procura de cadernos e livros.

Estudar diariamente em vertente dia/recuperação

Significa estudar todos os dias seguindo um método bipartido. Se por um lado dedica N tempo a estudar a matéria do dia, por outro dedicará N tempo para recuperar ou reler matéria anterior. Isto vai permitir que esteja em cima dos temas actuais e refresque a memória em relação a temas passados. 
Pedi-lhe para escrever, o melhor método para interiorizar a matéria.

Horários rigorosos de tempo de estudo

Seguir um horário incute ordem. Quando se fala em rigor pretende-se isso mesmo. Ou seja, se estão destinados 25 minutos à "aula do dia", não são 24 nem 30 os minutos utilizados. São mesmo 25. .
Eis a ordem. Nem mais, nem menos. Estuda o que é de estudar. Isto exige e confere disciplina

As dúvidas tiram-se na sala de aula

Efectivamente é na aula que se tiram dúvidas. Mas só as tem quem estuda. Um miúdo que nunca tem dúvidas é um miúdo que nunca estuda; e um míudo que nunca coloca dúvidas em sala de aula, além de não estudar (por isso não tem dúvidas), não está atento na sala. Então o que anda lá a fazer?...
Logo, ao estudar em casa, é normal que se suscitem dúvidas e que sejam levadas à aula seguinte para aclarar ou esclarecer. E não tenho a menor das dúvidas que os docentes apreciam um aluno assim. Por outro lado, estando atento na aula como é exigível, não fará sentido trazer dúvidas para casa. Deve saná-las em sede de aula. Eis a ordem, novamente.

Findo. Quando lhe pedi opinião ao método respondeu: "Puxado".
Gostei de o ouvir. É sinal que o vai levar a sério.   

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Os "Reizinhos" da Benjamim

Na passada sexta-feira, dia 6 de Janeiro, celebrou-se o dia de Reis.

A nossa filhota mais pequenina, ao regressar da escola, vinha cabisbaixa, porque na turma dela não tinham feito coroas do dia de Reis.

No caminho para casa conversámos sobre esse assunto e perguntei-lhe se não tinham feito nada na escola para assinalar o dia.

Respondeu-me muito esmorecida que tinha feito uns "reizinhos".


Já com a família toda reunida a benjamim resolveu ir buscar os seus "reizinhos" para mostrar.

Todos elogiámos o seu trabalho e relembrámos o nome dos Reis, bem como o que ofereceram ao Menino Jesus.

Então, o pai teve uma ideia brilhante! Sugeriu à pequenina que fosse colocar os seus "reizinhos" junto da imagem do Menino Jesus. 

Ela ficou tão feliz por ver o seu trabalho valorizado, que fê-lo de imediato e orgulhosamente.

sábado, 7 de janeiro de 2017

WhatsApp Família

Esta semana, o pai e a mãe ficaram a conhecer a aplicação WhatsApp. Os filhos já conheciam!


Depois de uma aula sobre a aplicação dada pelo filho mais velho, o pai, a mãe e a filhota do meio instalaram a App no respectivo telemóvel.

Mais tarde, o pai criou o grupo Família. E assim pais, filho mais velho e filha do meio (a mais nova ainda precisa de telemóvel) ficaram ligados.


Já no decorrer do dia de hoje foi engraçado a comunicação que se estabeleceu entre todos. Ficámos mais próximos uns dos outros uma vez que interagimos entre nós, nos intervalos dos afazeres de cada um. 

Exemplo disso mesmo foi um vídeo que o pai fez a caminho do trabalho a desejar um bom dia a todos, pois quando saiu de casa ainda as filhotas dormiam. Ou quando a filhota do meio escreve que vai almoçar a comunidade familiar deseja-lhe um bom proveito do almoço. E por aí fora.

Assim, esta App, se bem utilizada, é veículo de unidade familiar. 

Recomendamos assim a "WhatsApp Família".* 

* denominação nossa

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A militância

Queridos amigos, Feliz Ano Novo.

Após uma pausa necessária voltamos a comunicar pela escrita e apresentamos uma curta reflexão. 

Ouvimos ontem em títulos do desporto um presidente queixar-se da falta de militância dos adeptos - ou de alguns, pareceu-nos mais - do seu clube.


Quem lê jornais já terá percebido que se avizinham tempos difíceis, muito difíceis. Sim, em matéria legislativa. Além do que temos, mais haverá.

Aqui e agora haverá sempre duas escolhas e é nessa liberdade de escolha que podemos actuar, com ou sem militância. Porque eu só sou livre na minha capacidade de decidir e pela escolha revelo o que sou e quem sou. 

Eles são leis, eles são estatísticas sobre divórcio, eles são estatísticas sobre natalidade (ou falta dela), eles são uniões que não se consolidam em matrimónio, eles são tudo e um par de botas. Pois bem, devemos ser nós e não outros(!) a tomar pulso da situação na medida em que nos seja possível fazer algo.

E é neste sentido que reflectimos. Pensamos ser pertinente colocar um desafio de militância no âmbito familiar. Boa? Estamos em sintonia?

Caros, todos, por que não potenciar debates, palestras, conferências nas nossas paróquias? Por que não abordar essa possibilidade com o sacerdote?

Tudo o que nos edifique e potencie conhecimento para debater, ripostar e agir em conformidade com a nossa condição cristã, será bem-vindo. É a nossa opinião.

Há uma imensidão de temas. Por exemplo, em 2017 será pertinente - entre outros - abordar o tema da eutanásia para não ficarmos formatados pelo único lado que normalmente ouvimos e que em regra é diferente do nosso. Atendemos que os outros têm opinião mas ninguém ignore que nós, cristãos, também a temos. 

Mas aqui e ao caso apenas nos queremos centrar na Família. Todos são parte da solução. O tal ditado diz que ninguém é profeta na sua terra é uma verdade mal formada pois todos temos a aprender dos que nos rodeiam. Logo, nas comunidades cristãs todos são válidos. E tanto assim é que por vezes as pessoas não são aproveitadas dentro das suas portas e são depois elogiadas além fronteiras. Paradoxo...

Aliás - e aqui fazemos um parêntesis - a FEM tal como a conhecem, é fruto de uma conferência que mudou as nossas vidas. E mudou radicalmente. Depois da conferência, todo o movimento posterior foi meditado, rezado e aconselhado. E, naturalmente, teve Fátima, a mãe de todas as decisões. Mas a génese foi uma singela conferência.
Logo, e por o sabermos, somos da opinião que todas as famílias cristãs, sem excepção, precisam de ouvir outras experiências, somos claros? 

Retomando e saindo do parêntesis, por exemplo, sugerimos que seja potenciada a Semana da Família. Parece-vos bem? E nessa semana ocorrerem eventos que sejam bons e edificantes. É uma proposta que deixamos.

Lançamos assim este desafio de militância. 
Cresçamos juntos e procuremos tudo o que nos edifique. 

Votos de um Bom Ano Novo!

Um Excelente Ano de 2017

Um feliz Ano Novo a todas as Famílias.
Saibamos ouvir o grito incessante do Menino Deus no Presépio em Belém:

"Preciso de ti, acolhe-Me no seio da tua Família, cuida de Mim e Eu jamais Me afastarei de ti"

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

D. Javier Echevarría (1932-2016)


Plataforma Renovar

Caros amigos, caros pais, caras famílias, boa noite.

A nossa penúltima publicação versou sobre a "educação sexual"(entre aspas). 

Convidamo-vos a conhecerem a Plataforma Renovar e a ficarem despertos para o teor que ali é publicado. 

Nós, por cá, já usámos uma das minutas da Plataforma dirigida ao director da escola*, não autorizando o ensino de educação sexual aos nossos filhos sem o nosso prévio conhecimento e consentimento. 

A educação sexual dada nas escolas públicas é a educação sexual que pretendemos para os nossos filhos? Fica a pergunta, susceptível de duas respostas, sim ou não. Não ignoremos o elemento histórico, nomeadamente quando e por que razão a educação sexual passou a ser leccionada.

Deixamos o LINK da Plataforma Renovar para maior conhecimento de todos e, querendo, recomendação. Há algo que aqui não fazemos: assobiar para o lado. Nem tão pouco deixamos que terceiros decidam por nós.

Um abraço a todos,

FEM

Exmo(a) Senhor(a)

De acordo com a Constituição Portuguesa (art.º 36, nº 5) "Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos”.
A educação sexual dos nossos filhos (educandos) é da nossa competência e é algo que nós fazemos, como pais, desde o seu nascimento, de um modo natural, integrado, progressivo, completo e respeitando as exigências das suas necessidades concretas, do seu crescimento e da sua dignidade pessoal.
Neste sentido, para o ano lectivo em assunto, desde já informamos que não autorizamos a participação dos nossos filhos, cujos nomes acima se referem, em qualquer aula, acção ou aconselhamento relativo a “educação sexual”, sem o nosso acordo por escrito, atempadamente solicitado pela escola. 
Sem outro assunto, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,
De V. Exa.
Atenciosamente,

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ABORTO como "Educação Sexual" em Portugal? DIGA NÃO!


A FEM partilha o LINK do site que procura recolher assinaturas para remeter uma mensagem à DGE pedindo que o aborto não seja incluído no documento em discussão (documento que orientará o conteúdo sobre educação sexual nas escolas do pré-escolar ao 5º ano).

ASSINE A PETIÇÃO AQUI


É tudo francamente mau. Este link de recolha de assinatura serve apenas para excluir o aborto de um documento orientador (não vinculativo) quando, na verdade, na nossa opinião, é um enorme absurdo qualquer "educação sexual" em idade de meninice. São crianças, gaita!!!

Estamos contra, frontalmente contra. Repudiamos qualquer tentativa de "educação sexual" nesta idade. Sem embargo de considerarmos o todo, pensamos ser nosso dever partilhar tudo o que sejam formas de luta contra qualquer intento neste sentido. Por isso partilhamos o link.
Mas note-se, é manifestamente insuficiente.

Caros amigos, acordemos desta sonolência que se manifesta numa profunda e generalizada apatia! Não tenhamos medo de ter critério e de o afirmar mesmo contra a corrente dominante.

Faleceu D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei

Roma, 12 de Dezembro. Às 21h20 desta noite, no dia em que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, faleceu D. Javier Echevarría, bispo e segundo sucessor de S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. O vigário auxiliar da prelatura, D. Fernando Ocáriz, administrou-lhe os últimos sacramentos na tarde de hoje.
O prelado do Opus Dei foi internado no passado dia 5 de Dezembro na clínica do Campus Bio-Médico de Roma na sequência de uma infecção pulmonar ligeira.
D. Javier Echevarría estava a ser submetido a um tratamento com antibiótico para combater a infecção. O quadro clínico complicou-se nas últimas horas provocando uma insuficiência respiratória, que veio a causar o falecimento.
Conforme o que está previsto no direito da prelatura, o governo corrente da prelatura recai agora sobre o vigário auxiliar Mons. Fernando Ocáriz. Segundo os estatutos da prelatura, a ele compete convocar no prazo de um mês o congresso electivo para escolha do novo prelado. O congresso deve realizar-se no prazo de 3 meses. A escolha tem de ser posteriormente confirmada pelo Papa.
O prelado tinha 84 anos de idade. Nasceu em Madrid em 1932, e foi nessa cidade que conheceu S. Josemaria, de quem foi secretário de 1953 a 1975. Mais tarde, foi nomeado secretário geral do Opus Dei. Em 1994 foi eleito prelado. Recebeu das mãos de S. João Paulo II a ordenação episcopal no dia 6 de Janeiro de 1995 na Basílica de S. Pedro.
 A última carta mensal escrita - Dezembro de 2016
Queridíssimos: que Jesus me guarde as minhas filhas e os meus filhos!
Depois do encerramento do Ano da misericórdia, com alcance mundial, começamos o Advento e um novo ano litúrgico. A Igreja anima-nos a acelerar o passo em direção ao Senhor. Uma recomendação sempre actual, mas que, na preparação para o Natal, ganha, se é possível, maior urgência.
Todos temos gravadas na alma umas palavras que, nas próximas semanas, envolvem tudo: veni, Domine, et noli tardare, Vem, Senhor, não demores. Convidam-nos a pôr o olhar em Cristo, recordando o Seu nascimento humano em Belém e esperando – também com alegria e paz – a Sua vinda gloriosa, no fim dos tempos. Se faltasse este esforço, talvez as ocupações diárias, o monótono repetir­‑se dos dias quase sempre iguais, fizessem do nosso caminhar quotidiano uma existência cinzenta, sem relevo, diminuindo a expectativa do encontro com o Salvador.
Daí o imenso clamor da Igreja: vem, Senhor Jesus! Como S. Bernardo explicava, entre o primeiro e o último Advento, decorre um adventus medius, uma chegada intermédia de Cristo, que ocupa todo o arco da nossa existência. «Esta vinda intermédia é como que um caminho pelo qual se passa da primeira à última vinda: na primeira, Cristo foi a nossa redenção; na última, Ele aparecerá como a nossa vida; nesta, Ele é o nosso descanso e o nosso consolo».
Ao prepararmo-nos para a iminente comemoração do nascimento de Jesus em Belém, estas semanas ajudam-nos a compreender como Deus Se avizinha de nós em cada momento, como nos espera nos sacramentos – especialmente nos da Penitência e da Eucaristia – e também na oração, nas obras de misericórdia. «Desperta. Lembra-te que Deus vem. Não ontem, não amanhã, mas hoje, agora. O único Deus verdadeiro, “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob”, não é um Deus que está no céu, desinteressando-se de nós e da nossa história, mas é o Deus-que­‑vem».
Nesta espera, cada dia nos situa mais intensamente junto de Maria e de José, também com Simeão, Ana e todos os justos da Antiga Aliança que ansiavam pela vinda do Messias. Meditemos melhor nessa fome do Senhor – porque as Suas delícias são estar com os filhos dos homens –, que se manifesta na História da Salvação. Como nos esforçamos nós por corresponder? Procuremos, cada vez mais constantemente, voltar o nosso olhar para a Virgem Maria e o Santo Patriarca José: reparemos como aguardavam, com uma paixão maior em cada dia, o nascimento do Filho de Deus. É natural pensar que, durante os meses que antecederam aquele celestial acontecimento, as suas conversas girassem à volta de Jesus. Tornam-se agora muito actuais as palavras do nosso Padre: Acompanha, alegremente, José e Santa Maria... E ficarás a par das tradições da Casa de David.
Ouvirás falar de Isabel e de Zacarias, enternecer-te-ás com o amor puríssimo de José, e baterá com mais força o teu coração, cada vez que pronunciarem o nome do Menino que há-de nascer em Belém... . Sugiro que nos esmeremos, com mais afecto, na oração do Angelus.
Nesta nossa época, tão complexa como apaixonante, existe o risco de que a agitação do ambiente nos empurre, quase sem nos apercebermos, para o atordoamento, fazendo-nos perder a perspectiva de que o Senhor está muito perto. Jesus dá-se-nos totalmente, e nada mais natural que nos peça muito. Não entender esta realidade significa não compreender ou não se meter bem no Amor de Deus.
Mas não vamos imaginar situações anormais ou extraordinárias. O Senhor espera que nos esmeremos no desempenho dos deveres mais comuns, próprios de um cristão. Por isso vos proponho que estas semanas – que em tantos países se caracterizam por um crescendo de preparativos exteriores para o Natal –, pressuponham, no vosso caminhar, um crescendo de recolhimento no trato com Deus e no generoso e alegre serviço aos outros. No meio das pressas, das compras – ou das dificuldades económicas, talvez ligadas a uma certa falta de segurança social –, de guerras ou catástrofes naturais, temos de nos saber contemplados por Deus. E assim encontraremos a paz do coração. Olhemos para Cristo que chega, como há algumas semanas o Papa comentava, citando uma frase bem conhecida de Santo Agostinho: “Tenho medo que o Senhor passe” e eu não O reconheça, que o Senhor passe ao meu lado numa dessas pessoas simples, necessitadas, e eu não me dê conta de que é Jesus.
Cuidemos melhor, particularmente, os pormenores de piedade que tornam mais íntimo e caloroso o relacionamento com Deus, e que preparam para o Menino Jesus uma pousada acolhedora: por exemplo, benzer-nos com calma, sabendo-nos acolhidos pela Santíssima Trindade e salvos pela Cruz; recolhermo-nos, com naturalidade mas com fé, à hora de rezar antes das refeições ou de dar graças a Deus pelos alimentos; manifestar, nas genuflexões diante do perene presépio do Sacrário, a firmeza de uma fé concreta e actual; acompanhar uma esmola com um sorriso; cumprimentar a nossa Mãe com carinho, nas suas imagens, preparando, nestes primeiros dias de Dezembro, a solenidade da sua Imaculada Conceição… Na aridez de certos dias, a Virgem Maria nos fará encontrar flores repletas de um bom aroma, do bonus odor Christi, como narram as aparições da Virgem de Guadalupe a S. Juan Diego, que celebramos no dia 12.
A partir do dia 17 de Dezembro, a espera de Jesus torna-se santamente impaciente: Aquele que há-de vir, virá sem demora, e já não haverá medo na nossa Terra, porque Ele é o nosso SalvadorQuando ouvirmos falar do nascimento de Cristo, guardemos silêncio e deixemos que o Menino nos fale; gravemos no coração as Suas palavras, sem tirar os olhos do Seu rosto. Se O tomarmos nos braços e nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a paz do coração que jamais terá fim. Este Menino mostra-nos o que é verdadeiramente importante na nossa vida. Nasce na pobreza do mundo, porque não há lugar na estalagem para Ele e a Sua família. Encontra abrigo e protecção num estábulo e é deitado numa manjedoura para animais. E no entanto, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus.
Quando o trato com Deus adquire este sabor sereno e feliz tão característico do presépio de Belém, nasce também à nossa volta, como fruto maduro, um ambiente familiar mais intenso e pleno de alegria, tão próprio destes dias. Por isso a Igreja nos exorta a dispor melhor o coração durante o Advento, e anima-nos a esquecer pequenas queixas, ruídos que nos distraem, a superficialidade do imediato... Talvez andemos ocupados com muitos assuntos, e nos falte sossego na intimidade com Deus. Se conseguirmos manter a calma no relacionamento com o Senhor, também a poderemos transmitir aos outros: o convívio mais próximo nos dias de Natal afastar-nos-á de discussões, aborrecimentos, impaciências ou ligeirezas, e poderemos saborear o descanso e a oração em conjunto, criar bons momentos em família, superar de preconceitos ou irritações que possam ter ficado na alma.
Não vos preocupeis se, apesar da nossa boa vontade, algumas vezes nos assaltam as distracções nas práticas de piedade. Mas lutemos por adquirir a necessária fortaleza sobrenatural e humana para as rejeitar. Renovemos com perseverança o nosso desejo de construir dentro de nós um presépio vivo, onde acolhamos Jesus, à base de tempos de oração diante do presépio, mesmo que por vezes nos pareça que estamos com a cabeça nas nuvens. Lembrai-vos então que S. Josemaria não desanimava ao ver-se assim, nalguns momentos seus diante do Senhor. Em 1931, anotava: Conheço um burrico de tão má condição que, se tivesse estado em Belém com a vaquinhaem vez de adorar, submisso, o Criador, teria mas é comido a palha da manjedoura. Assim, enche-me de alegria que se mantenha em muitos países o costume cristão de fazer um presépio em casa.
Não deixeis de vos lembrar, especialmente nestes dias, das pessoas sós ou mais necessitadas, e a quem podemos ajudar de uma forma ou de outra, conscientes de que os primeiros beneficiados somos nós. Procurai comunicar esta solicitude tão cristã a familiares, amigos, vizinhos, colegas: que detalhe bem cristão, entre tantos outros, o de alguns fiéis da Obra que vão dar de comer e de beber a pessoas sem abrigo durante algumas noites, e também aos que se ocupam na vigilância do descanso dos cidadãos.
Antes de acabar estas linhas, quero agradecer de novo ao Santo Padre o afecto que me manifestou na audiência do passado dia 7 de Novembro, e a bênção que deu aos fiéis e aos apostolados da Prelatura. Continuai a rezar pela sua pessoa e pelas suas intenções, com a firme esperança de que Jesus Cristo derrame abundantemente, no próximo Natal, os Seus dons sobre a Igreja, o Romano Pontífice e sobre todo o mundo.
E recorramos de modo muito filial a Nossa Senhora durante os dias da Novena à Imaculada Conceição. Sintamos a alegria santa de sermos filhos de tão boa Mãe, que com a sua actuação – como S. Josemaria lembrava – nos coloca face a face com Jesus. Esta íntima relação com ela também nos impelirá a aumentar com alegria a nossa proximidade com as doentes e os doentes. Não deixeis de meditar sobre o carinho e a paternal proximidade com que o nosso Fundador nos acompanhou já no primeiro Natal na História da Obra: a sós com Deus, com Maria e José, e com cada um e cada uma das suas filhas e dos seus filhos que viríamos ao Opus Dei.
Com todo o afecto, abençoa-vos, e pede-vos mais orações, mais fidelidade,
o vosso Padre
+ Javier
Roma, 1 de dezembro de 2016

domingo, 4 de dezembro de 2016

Por que não na creche?

Neste Domingo e como habitualmente, lemos pela manhã as capas dos jornais. E que desconsolo ao ler a manchete do JN. E depois a curta notícia que nesta data está disponível online. Ficamos a pensar se há limites na imaginação de alguns que pretendem impôr a um todo as suas ideias que colidem, na nossa opinião, naquilo que consideramos uma educação adequada e assertiva. O Estado - graças a Deus - é laico. Mas cuidado. É-o há bastante tempo e nunca se "o viu" caminhar assim.
   

Tirar a meninice aos jovens com temas consignados a adultos é assustador. Isto não pode ser sério. Lê-se que no 5º ano de escolaridade o tema do aborto poderá ser dado como matéria. Mais. Lê-se que prazer e sexualidade poderão passar a ser abordados no pré-escolar. Tudo isto é uma proposta, um Referencial de - leia-se!! - Educação para a Saúde, resultante numa parceria entre a DGE e Saúde. A proposta não seria vinculativa (graças a Deus) ficando assim sujeita ao poder discricionário.

Não sendo vinculativo, seria orientador. Orientador do quê? Francamente só lembramos Abel Xavier que sobre esta palavra diria traduzir-se como orienta a dor e, nisso, tem razão. Isto é francamente doloroso.

No pré-escolar as crianças - crianças, temos disso consciência? - têm entre os 3 e 5 anos. É uma boa idade para ser abordado prazer e sexualidade? A sério que sim?

E falar do aborto a crianças com 10 anos (5º ano)... a sério que sim? Onde ficam a meninice, a inocência, a própria infância?

Resumindo, educação sexual no pré-escolar e aborto no 5º ano. É obra!!!! Mas querendo mais imaginação, por que não na creche? De pequenino... já diz o ditado sabedor.

Onde ficam os valores cristãos? Bem sabemos que esses são para serem erradicados paulatinamente. Pelo menos, na aparência. Mas ao menos atentem no bom senso. Sejam equacionados valores diferentes de uma sociedade que não se quer mais libertina que nunca e assente em pilares de um relativismo feroz. Num país que se diz católico talvez seja melhor reflectir seriamente se o silêncio de muitos é o caminho. Não nos parece. Por outro lado, se ninguém põe travão a estas ideias que nos ferem, caminhamos mal.

Posto isto e como melhor resposta da nossa parte nesta data, um texto muito bonito que aqui partilhamos, sobre o aborto e escrito nas páginas 56 e ss. do e-book do Padre Rodrigo Lynce de Faria, Casar-se ou Juntar-se?. Chama-se Um Anel Especial.

«Abriu a porta da joalharia. Era jovem, simpático e bastante decidido. Sem olhar para as vitrines, afirmou categoricamente que queria comprar um anel especial.
O joalheiro mostrou-lhe um que lhe parecia apropriado. O rapaz contemplou-o com calma e, com um sorriso, manifestou o seu agrado. Perguntou pelo preço. Preparava-se para abrir a carteira quando o ourives lhe perguntou: vai-se casar em breve?

Houve um momento de silêncio, como se a pergunta o apanhasse desprevenido. Não. Nem sequer tenho namorada... - respondeu o rapaz.
A surpresa do joalheiro divertiu-o. Depois continuou, como quem se convence de que, naquela ocasião, valia a pena dar uma explicação mais pormenorizada.

É para a minha mãe. Quando eu ainda não tinha nascido, ela ficou sozinha. Alguém lhe aconselhou que interrompesse voluntariamente a gravidez, ou seja, que não me deixasse viver. A lei nessa altura facilitava tudo e, ainda por cima, o Estado "paternalmente" pagava todos os custos.

Mas ela negou-se. Deixaram-na ainda mais sozinha. Havia muita gente disposta a ajudá-la a "livrar-se do incómodo" de ter um filho mas pouca gente disponível para eliminar as dificuldades que tinha na sua vida.

Mas ela negou-se. Teve muitos problemas, muitos. Para mim, foi pai e mãe ao mesmo tempo. Também foi amiga, irmã e sobretudo professora: ensinou-me o sentido da vida. Fez-me ser aquilo que sou. Agora, que já tenho algumas possibilidades, quero oferecer-lhe este anel especial. 

Ela nunca teve nenhum. Mais tarde, comprarei outro para a minha futura noiva - mas será sempre o segundo. O primeiro, quero que seja para a minha mãe.

O joalheiro não disse nada. Somente pediu ao empregado que o rapaz tivesse um desconto que só faziam aos clientes especiais.»

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Bons Presentes de Natal

Porque o Natal está a chegar e gostamos de ofertar presentes que transmitam o verdadeiro sentido cristão desta quadra.

Para os mais pequenos... "Santos para Brincar".

Ofereçamos às crianças presentes que as ajudem a ter ligação com os nossos verdadeiros heróis: os Santos do Céu.


LINK para o Blogue Pequenos Pormenores com Amor - CLICAR


Costuramos qualquer Santo da sua devoção, basta entrar em contacto connosco através do e-mail familiamovimento@gmail.com

Bem-hajam
FEM

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Porque tu és (sempre) mais importante

Pediste para escrever sobre o que te disse há dias.
Falas do quê? - perguntei.

Depois lembraste-me. Sim, escrevo. Aquilo que te disse foi simples. Falei-te do amor entre nós.

Enquanto esperava na sala de espera da clínica e depois de rezar por ti, esperar por ti,  li parte do último livro do Padre Rodrigo Lynce de Faria sobre o casamento. Li esta passagem bonita:

«Para ela o casamento era exactamente isso: a maior e mais definitiva viagem que tinha decidido realizar com ele até ao fim da sua vida. 

Ficou inquieta ao pensar na intensa vida social do marido (que viajara) e arrependeu-se de não o ter acompanhado. Resolveu escrever-lhe.

"Temo que o convívio com princesas e embaixatrizes te faça esquecer de mim, que sou uma mulher simples e sem títulos, excepto o maravilhoso de ser só tua."
Ele não tardou em responder-lhe:
"Esqueces, minha amada, que casei contigo não só porque te amava, mas porque tinha e tenho o propósito firme de te amar sempre, cada dia mais, aconteça o que acontecer".»

O amor, o compromisso do eterno é isto: "Tu, só tu, aconteça o que acontecer."
Amar em todas as circunstâncias, cada dia mais, até ao fim.
A resposta é atribuída a Otto von Bismarck (1815/1898), estadista prussiano e unificador da Alemanha.

Naquele dia concreto meu amor, as minhas dores não existiram para mim, porque tu estavas primeiro. A intensidade do amor repele a intensidade da dor mas esta é tradução daquele que, com ela, se fortalece e unifica. Farias o mesmo por mim. Quando amamos, o outro está sempre primeiro. Como foi possível levantar da cama alguém que não se mexia? Não sei. Mas aconteceu. Como fazer alguém andar quando não consegue? Não sei. Mas aconteceu. O corpo cede quando o outro de nós precisa. E cede porque o amor prevalece.

Amo-te muito. Até ao fim. Aconteça o que acontecer.

Teu! Muito teu.
P