Família em Movimento

Família em Movimento

domingo, 20 de novembro de 2016

Para onde corremos, família?


Caros amigos, boa noite.
Estivemos ausentes por alguns dias mas regressamos ao convívio nesta data para escrever um pequeno texto sobre a proximidade conquistada à força de uma baixa médica e, simultâneamente, um conquistar paulatino de maior vida interior.

Este texto é escrito poucos minutos após termos rezado o terço em família. 


A lareira está acesa, a árvore de Natal está colocada na sala e as luzes já brilham anunciando o nascimento de Jesus. A proximidade familiar é notória.

Estes dias de recuperação da cirurgia têm sido benéficos. Não são dias de ócio mas podiam sê-lo. Felizmente, pese embora haja tempo para tudo, pouco tempo sobra e isso é muito bom. Não ter tempo é bom sinal. E não sobra porque todos os dias há muitos exercícios a serem feitos - faça chuva ou sol - que são criteriosamente complementados com oração, conforme indicação do Director. As tarefas que antes não eram ou, se quiserem, raramente eram feitas, são agora executadas cuidadosamente. Falamos no "casamento perfeito entre Marta e Maria", isto é, da acção necessária complementada com a necessária oração. Falamos na oração mental bi-diária, no terço bem rezado, na leitura da Bíblia, na leitura de um livro espiritual, etc. 

Com excepção das leituras, as demais orações são realizadas no operar dos exercícios de recuperação ordenados pelo médico, sejam em ginásio, rua ou piscina. Aliás, os exercícios são tão solitários que Jesus toma conta da totalidade do pensamento e do momento. Todo o ambiente é propício. É um bom exercício de meditação, perceber que Jesus nos chamou no nosso ambiente quotidiano e é aí que nos quer muito d´Ele. Aí e não em outro lugar. Para os outros lugares convoca outros irmãos. Fica para um texto próximo. 

Retomando, há dias foi transmitido a um Director que "não se tem morrido, antes pelo contrário".

Mas destacamos igualmente a cooperação e proximidade familiar. A família tem "crescido". Sentimos quão unida está em torno do que é central, seja a amizade, o amor, a abnegação, a oração conjunta, entre outros. Família, família, família!

As meninas andam sorridentes, o menino muito laborioso. A mãe sempre atenta, não descura o cuidado diário e os mimos de sempre, como sejam, por exemplo, os bolos para animar a família. O pai faz o que lhe compete fazer e oferece o que deve ser oferecido. Até o Verdi já está integrado na casa e na família. Já senta, quando ordenamos. Progressos! 😃

Felizmente muitas pessoas compreendem que uma doença, um hospital, uma recuperação, um dissabor, entre outros, são fontes inesgotáveis de graças. A cirurgia, a infecção pós-operatória, as dores... tudo contribui. São mimos de Deus para connosco. São igualmente excelentes momentos para oferecer por alguém ou por intenções particulares. E escrevemos "felizmente" pela razão simples de que muitos amigos nos terem pedido (e continuado a pedir) para que o momento seja oferecido por uma intenção particular. Isso alegra e transforma a situação em algo sobrenatural. Mais, faz-nos sair de nós mesmos.
Caros amigos, não tivesse - desde início - sido transformado em algo sobrenatural e teria sido francamente mau. O sofrimento "por nada" é um vazio e um vazio é um nada. Não fosse a visão sobrenatural e a "cantiga o coitadinho" teria sido cantada vezes sem conta, cheia de vitimização, como é apanágio de quem tem vistas curtas.

Findamos. A nossa família continua empenhada no propósito inicial. Além do Blogue Família em Movimento, temos em mente passar testemunho de família católica que somos. Sempre foi esse o fito. Nos últimos tempos fomos sondados para esse efeito por dois Sacerdotes. Se se concretizará, não sabemos. Colocamos nas mãos de Deus. Quando Deus quiser e se quiser, acontecerá.

Depois, há outras ideias. Todavia, colocá-las em prática não depende exclusivamente de nós. Aliás, com excepção deste Blogue e da tomada de rumo (em prol da família), pouco ou nada depende exclusivamente de nós. Retomando a escrita, ainda estão em pensamento e não foram comunicadas à comunidade paroquial. Aos nossos amigos que nos lêem, pedimos que pensem nestes nossos propósitos e rezem um pouquinho por eles. 

Ao fim e ao cabo, que missão pretende o Senhor que tenhamos? Mudámos radicalmente a nossa vida a pensar num caminho que se tem feito com muito amor e muitas lutas diárias. 

Para onde corremos? Que Deus nos ajude a ver mais nítido. E que o Senhor opere em nós e nos outros para que este nosso caminho seja percorrido de acordo com a Sua vontade.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O céu, a morte, o purgatório e o inferno: o que nos acontece?


Há dias atrás a nossa filha "do meio" perguntou-nos para onde teria ido Lázaro depois de morrer, antes de Jesus o ressuscitar.

Dias depois visitámos um familiar próximo que nos disse ter visto a Santa Missa por transmissão televisiva e que, além de ter sido muito bonita, o Padre havia dito na homilia que havia a ressurreição o que, para o nossa familiar, era algo estranho. No fundo questionou, "onde cabemos todos"?



Estas dúvidas são dúvidas de sempre. Se perguntarmos aos católicos o que sucede depois da morte, poucos saberão responder. Mas as respostas estão no Catecismo.

Encontrámos uma série de perguntas e respostas no site do Opus Dei que vão ao encontro das dúvidas existentes.

Nos Livros Santos chama-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no final da sua vida, a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja torna-os presentes de modo especial durante o mês de Novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar sobre estas realidades.
O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida?
O Catecismo da Igreja católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou recusa da graça divina manifestada em Cristo».
«Cada homem, depois de morrer, recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na bem-aventurança do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido, São João da Cruz fala do juízo particular de cada um indicando que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022.

Quem vai para o céu? Como é o céu?
O céu é "o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade”. São Paulo escreve: "Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem, as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam". (1Cor 2, 9).
Depois do juízo particular, os que morrerem na graça e amizade de Deus e estiverem perfeitamente purificados, vão para o céu. Vivem em Deus, vêm-no tal como é. Estão para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.
Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados chama-se céu. É Cristo que, pela sua morte e Ressurreição, nos abriu o céu”. Viver no céu é "estar com Cristo" (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Aqueles que chegam ao céu vivem "n’Ele", mais ainda, encontram ali a sua verdadeira identidade. Catecismo da Igreja católica, 1023-1026

O que é o Purgatório? É para sempre?
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.
Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja católica, 1030-1032

Existe o inferno?
Significa permanecer separado d'Ele – do nosso Criador e nosso fim – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».
Morrer em pecado mortal, sem estar arrependidos nem acolher o amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.
Os ensinamentos da Igreja afirmam a existência do inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.
Jesus fala com frequência da geena e do fogo que nunca se apaga, reservado aos que, até ao fim da sua vida, se recusem a crer e a converter-se e onde se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo.
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um chamamento à responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade relativamente ao destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão«Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da Igreja católica, 1033-1036

Quando será o juízo final? Em que consistirá?
A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos [...]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. [...] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46).
É perante Cristo, que é a Verdade, que será definitivamente posta a descoberto a verdade da relação de cada homem com Deus (636). O Juízo final revelará, até às suas últimas consequências, o que cada um tiver feito ou deixado de fazer de bem durante a sua vida terrena.
O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo, Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte.
A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja católica, 1038-1041

No final dos tempos Deus prometeu um novo céu e uma nova terra. Que devemos esperar?
A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» (2 Pe 3, 13). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10).
Neste «mundo novo», a Jerusalém celeste, Deus terá a sua morada entre os homens. «Há-de enxugar-lhes dos olhos todas as lágrimas; a morte deixará de existir, e não mais haverá luto, nem clamor, nem fadiga. Porque o que havia anteriormente desapareceu» (Ap 21, 4).
Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento». Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» (Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas, pelo amor-próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão.
Quanto ao cosmos, a Revelação afirma a profunda comunidade de destino entre o mundo material e o homem:
Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus [...] com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza [...]. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo» (Rm 8, 19-23).
Assim, pois, também o universo visível está destinado a ser transformado, «a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu estado primitivo, esteja sem mais nenhum obstáculo ao serviço dos justos», participando na sua glorificação em Jesus Cristo ressuscitado.
«Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens».
«A expetativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus». Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049.

Porquê rezar pelos defuntos?
Explicações do Catecismo da Igreja Católica
Na Igreja Católica o mês de novembro está iluminado de modo particular pelo mistério da comunhão dos santos que se refere à união e à ajuda mútua que os cristãos podem prestar: aqueles que ainda estão na terra, àqueles que, já seguros do Céu, se purificam antes de se apresentarem diante de Deus dos vestígios de pecado no Purgatório e aqueles que intercedem por nós diante da Trindade Santíssima onde gozam já para sempre. O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade. (Catecismo da Igreja Católica, 1024).
" Até que o Senhor venha na sua majestade e todos os seus anjos com Ele e, vencida a morte, tudo Lhe seja submetido, dos seus discípulos uns peregrinam na terra, outros, passada esta vida, são purificados, e outros, finalmente, são glorificados e contemplam "claramente Deus trino e uno, como Ele é ". Todos, porém, comungamos, embora de modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de glória. (Catecismo, ponto 954).
A Igreja peregrina, perfeitamente consciente desta comunhão de todo o Corpo místico de Jesus Cristo, desde os primeiros tempos do cristianismo honrou com grande piedade a lembrança dos defuntos e ofereceu também por eles orações 'pois é uma ideia santa e proveitosa orar pelos defuntos para que se vejam livres dos seus pecados' (Catecismo, ponto 955).
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do Céu (Catecismo, ponto 1030).
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos que é completamente distinta do castigo dos condenados (Catecismo, ponto 1031).
Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios a seu favor, em particular o sacrifício eucarístico, para que, uma vez purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja também recomenda as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos.
Estas perguntas e respostas com meditações de São Josemaria podem ser lidas clicando aqui.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

«Dress Code» na Missa?

1. Existirá um dress code a ser tido em conta para ir à Missa? 
Em sentido rigoroso, não existe nenhum dress code. No entanto, uma coisa é defender uma etiqueta estrita e minuciosa, geradora de comparações, fonte de problemas sobretudo para pessoas com menos recursos e que acabaria por se tornar odiosa, e outra é argumentar que o modo como se vai vestido à Missa completamente indiferente.
2. Pode servir de enquadramento, para o que a seguir se dirá, o ilustrativo episódio de Jesus na casa do fariseu que O convidou para uma refeição. Jesus entra, cumprimenta-o, nada reclama. No entanto, no desenrolar da refeição, devido à intervenção da mulher que derrama perfume sobre Ele e que é interiormente censurada pelo fariseu e outros que ali se encontravam, Jesus não deixa de chamar a atenção do seu anfitrião para as sucessivas faltas de cortesia ao recebê-Lo: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; ela com as suas lágrimas banhou os Meus pés, e enxugou-os com os seus cabelos. Não Me deste o ósculo; porém ela, desde que entrou, não cessou de beijar os Meus pés. Não ungiste a Minha cabeça com óleo, porém esta ungiu com perfume os Meus pés» (Lc 7, 44-46).
3. Ninguém duvida que o realmente importante quando se participa na Missa é a atitude interior, de reverência e amor para com Deus. «O que o homem vê não importa; o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração» (1 Sam 16, 7), explica Deus a Samuel. No entanto, quando alguém quer amar a Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento (Cfr. Mt 22, 37) é normal que também o expresse com gestos externos. De modo semelhante a como se procede na vida civil: quando se dá verdadeira importância a um evento, a compostura externa serve para vincar a atitude interna.  Assim, por um lado, ao preparar-nos, também externamente para a Missa, reconhecemos, diante dos outros, como Deus é importante na nossa vida; por outro lado, mesmo que não houvesse mais ninguém, a nós próprios faz-nos bem condicionar o nosso modo de proceder, de estar e de nos arranjarmos de modo a intensificar a consciência de que vamos ao encontro do Senhor: a preparação exterior, contribui, em certa medida, para reforçar interiormente o encanto que é poder estar com Deus de um modo tão especial.
4. Qualquer pessoa com fé e senso comum admite as premissas que se acabam de enunciar. Muitas vezes o problema reside na sua concretização atualizada: o que é hoje «ir bem vestido ou arranjado»? É indecoroso usar certas roupas?
5. Não é fácil concretizar e menos ainda determinar de modo fixo os limites. Mas, a verdade seja dita, mesmo sem pretender uma rigidez nesses limites, é normal que a todos beneficiem as referências concretas, não tanto para as assumir como se fossem os Mandamentos da Lei de Deus, mas como enquadramento, sugestões, conselhos que orientem as próprias escolhas.
6. A ideia comum a estas sugestões talvez se possa sintetizar assim: correção, discrição, modéstia. Tudo o que atraia demasiado a atenção dos outros pode não favorecer a atenção na Missa. Por exemplo, em geral não parece aconselhável que uma senhora use um vestido de gala, apesar de muito elegante e decoroso. Mesmo sendo arriscada a concretização que se segue, enunciamos as peças de roupa que não parecem adequadas numa Missa e, logo a seguir, exemplos de peças de vestuário que podem servir para acentuar o respeito pelas coisas de Deus, sobretudo ao domingo. As sugestões procedem de boas experiências do que tem sido feito em vários países.
7. Para os homens não parece aceitável que usem na Missa: calções, fato de treino, camisolas sem mangas, fatos-de-banho, roupas apertadas e calças caídas. Logicamente e exceto nalgum caso de doença, os homens nunca cobrem a cabeça na Igreja com chapéus, gorros ou o que quer que seja. Apesar de se terem generalizado, as sandálias de praia não são adequadas. A partir de certa idade, a gravata e o casaco, ajudam a dignificar o vestuário.
8. Ao vestirem-se, as mulheres católicas deveriam ter bem presente a imagem de Nossa Senhora. Além dessa referência imprescindível, o senso comum e a modéstia ajudam a resolver bem a escolha da roupa apropriada. Sobretudo na Missa, são desaconselháveis as seguintes peças: calções curtos, tops, vestidos com mangas que não cubram o ombro ou vestidos com decotes exagerados, roupa de praia ou fatos de treino, roupa muito apertada, minissaias e em geral saias curtas, transparências. As sandálias de praia também não são o mais digno. Vestidos elegantes e sóbrios, blusa e saia modestas são aconselhados
9. Aliás, para muita gente bastaria fazer pensar se usa alguma das peças de vestuário que se assinalou como menos convenientes num evento que para elas seja considerado importante – uma festa de aniversário, uma entrevista de emprego – para tirar a conclusão óbvia: por que seguir então, nas coisas de Deus, critérios que não se usam nas outras áreas da própria vida? Acreditamos mesmo no valor da Missa?
10. Sublinhamos que, com estas breves linhas, não se trata tanto de avaliar se usar isto ou aquilo é ou não pecado, ou pode levar os outros a ofender Nosso Senhor pois essa análise é feita por qualquer pessoa de bem em qualquer situação; aqui, interessa sobretudo considerar em como aproveitar o vestuário para pensar em Deus e usar a necessidade de se vestir como um recurso ou instrumento que facilite a preparação para estar com o Senhor de modo mais consciente. Portanto, pede-se ao leitor e sobretudo à leitora que leiam estas páginas não como proibições ou censuras, mas como conselhos com implicações espirituais que visam favorecer a consciência de que toda a nossa vida pode ter a ver com Deus. Logicamente, não se trata de usar estas indicações para julgar o modo de vestir dos outros.
11. Em resumo: evitem-se roupas ostentosas porque a Missa não é nem uma reunião social nem uma ocasião para se mostrar. É o sacrifício de Nosso Senhor na Cruz. Deus é o Anfitrião e é n’Ele que devemos estar centrados. O melhor é não chamar a atenção com a roupa, nem por ser pouco modesta nem por ser deslumbrante. Vestir-se adequadamente, para estar na Missa, é parte da humildade com que podemos louvar, agradecer e suplicar a Deus.

12. Então, qual é a roupa ideal para ir à Missa? Um modo de vestir discreto, mas especial, com o desejo de, também com isso, louvar a Deus e não distrair as outras pessoas. Ninguém se deve preocupar se não tem a roupa que gostaria: Deus sabe o que cada um pode dar de melhor! Além disso, há ocasiões em que a pessoa vem ou vai para o trabalho, o que condiciona as opções do vestuário. Por isso, muitas das sugestões concretizam-se mais facilmente na Missa ao domingo.
In site Oratório SJM

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

NOVIDADES nos SANTOS para BRINCAR



Santo António de Lisboa (sentado) com o Menino Jesus em feltro inteiramente cozidos à mão. Rostos pintados. Sentado em cadeira de madeira.

Santo António de Lisboa (em pé) com o Menino Jesus em feltro inteiramente cozidos à mão. Rostos pintados. Altura 32cm. 

Santa Rita de Cássia em feltro inteiramente cozida à mão. Rosto pintado. Com estigma pintado ou com uma estrelinha no lugar deste.  Altura 32cm.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Pão por Deus

E hoje, Dia e Festa de Todos os Santos, depois da Santa Missa, foi a vez das nossas princesas - acompanhadadas pelo irmão mais velho - pedirem o Pão por Deus.

Agradecemos desde já a grande generosidade e amabilidade de todas as famílias que abriram a porta aos nossos filhos. Bem hajam.

O Pão por Deus dos nossos filhos

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Assim se educa


No caminho para casa depois de um dia de escola alusivo ao halloween a benjamim comenta:

- Mãe, perguntaram-me porque não fui mascarada de bruxa hoje para a escola, e sabes o que eu disse?

- Não.

- "Não me mascaro dessas coisas porque eu não gosto do demónio."



Entretanto, os saquinhos de Pão por Deus estão prontos para quem nos bater à porta esta noite. A pequenina já tem o discurso preparado.

- Mãe vou dizer assim quando tocarem à campainha: "Não temos nem doçura nem travessura só um saquinho de Pão por Deus"!

Halloween? Não, obrigado.

Não nascemos nem vivemos nos Estados Unidos da América. Nem tão pouco no Canadá. Nem somos de origem Celta.

Não procuramos contacto com espíritos dos mortos, fadas, bruxas ou com o diabo a sete. 

Também não praticamos rituais celtas.

Nascemos em Portugal, somos portugueses. Temos a nossa cultura própria e não precisamos que nos imponham culturas de outros países, mais a mais quando essas culturas são antagónicas com a nossa.

Não somos pagãos. Não celebramos a Festa dos Mortos. Não celebramos o Dia das Bruxas.

Poderão dizer que "tudo é uma brincadeira". Até pode ser, mas por ignorância. Os doces, as fantasias e as abóboras têm um significado.

Não somos da cultura da morte. Somos pela VIDA!

Os nossos filhos não sairão hoje vestidos de bruxas, fantasmas, vampiros ou zombies. Essa relação não é benéfica nem propícia. 

Mas amanhã, os nossos filhos irão pedir «um pão por Deus» de casa em casa. 

Provavelmente não terão um grupo de crianças ao seu lado como aconteceria hoje se não tivessem uma cultura própria. Serão assim coerentes com a sua religião, com a sua tradição, com a sua cultura e com os seus costumes. 

Somos PORTUGAL! Sejamos portugueses

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Novo livro eletrónico "Casar-se ou juntar-se?"

“Casar-se ou juntar-se?” é um folheto interessante e útil para quem se interessa por assuntos relacionados com o casamento e a família. Ajuda a pensar sem deixar-se levar pelo politicamente correcto. Fornece argumentos de grande utilidade para pais e educadores abordarem estes temas com os mais jovens.
Será que é indiferente casar-se ou juntar-se? Tem sentido comprometer-se para toda a vida? Qual é o mal de experimentar antes uma vida a dois? 
O folheto recolhe artigos breves, muito fáceis de ler, com uma argumentação acessível também aos mais jovens.
Foram artigos escritos originariamente para os jornais e que agradecemos ao autor que agora disponibilize em folheto e livro eletrónico.
Rodrigo Lynce de Faria é sacerdote da Prelatura do Opus Dei, licenciado em Engenharia Mecânica e Doutor em Teologia Moral. Reside actualmente em Lisboa na Residência Universitária Montes Claros.
Nota-se na sua argumentação uma grande capacidade de diálogo com os jovens actuais e um saber argumentar sobre estas questões tão importantes de um modo compreensível para eles.
iTunes Descarregar o livro a partir do ITunes (para iPad e iPhone) 
Testemunho de um casal espanhol com 17 filhos.
Almada, 10 de Novembro às 19 Horas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

«Acostuma-te a dizer que não»

A frase é de SJM no Ponto 5 do livro Caminho e foi alvo de uma singela meditação.
A frase está escrita em sentido lato. Compete-nos discernir o que SJM quis transmitir.


Ou por respeitos humanos ou por melindre dizemos SIM muitas vezes às pessoas que nos rodeiam na vida social ou no trabalho, para coisas e actos que em nada nos edificam e em nada acrescentam. E se acrescentam é negativamente. O que dirão de nós? Esta é, por via da regra,  a pergunta que nos melindra; para não beliscar a relação ou mesmo o que os terceiros pensam de nós, acedemos e dizemos reiteradamente SIM a tudo.


Em segundo lugar, SJM também nos quer falar da própria tentação. Diz-nos o Santo para não dialogarmos com ela.
Quando surge uma tentação há sempre uma escolha. Ela (tentação) é-nos apresentada e temos sempre a capacidade e a possibilidade de escolher. E muitas das vezes tentamos encontrar uma justificação para ceder à própria tentação, quando sabemos que aquela acção é efectivamente . Caso contrário não tentaríamos justificá-la.

Por outro lado, num outro plano ligado à tentação, ouvimos muitas vezes, aqui e ali,  dizer-se tranquilamente que se pecar, confesso-me depois ao padre.
O padre, na confissão, é meramente instrumental. Neste e nos demais sacramentos. De qualquer das maneiras, é mau e prejudicial este pensamento. No limite revela ausência de amor a Deus. É verdade que ao pecarmos temos necessidade de nos confessar para estarmos em graça. Sem embargo, a premissa não pode ser essa. A premissa é - antes - a luta. É sobre a luta que o sacerdote nos questiona no confessionário. Lutaste?

O lutar é aquela decisão livre de uma escolha que nos é dada... quando somos seduzidos pela tentação temos sempre a possibilidade de a aceitar e aí dizemos sim, consinto; ou  temos a possibilidade de recusar, e dizemos não, não consinto. E quando dizemos não, não consinto, estamos a lutar. Provavelmente, a tentação vai ao encontro daquilo que nos apetece, daquilo que nos sabe bem, daquilo que efectivamente nos dá prazer. Mas lutamos contra tudo isso.
E se lutamos, lutamos por amor a Deus.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

«Família cristã tem de marcar a diferença»

“Vivemos mudanças sócio-culturais e antropológicas que são obstáculo a que a família viva e enfrente as dificuldades e não pode desistir; a família cristã tem de marcar a diferença, precisa de testemunhar sem medo, pois o desânimo e a angústia não são dons do Espírito Santo”. 
D. Antonino Dias 


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Por cada 100 casamentos, há 70 divórcios em Portugal


Ontem À noite, ao jantar, comentámos em família o Evangelho do dia.

Jesus foi duro. Os nossos meninos disseram que lhes era difícil amar Jesus mais que aos pais, que naquele momento era a verdade de cada um.

Também nós partilhámos o que pensamos. É-nos muito difícil ser diferentes dos nossos filhos pela simples razão de sermos humanos. Temos, todos, fragilidades.

Amar Jesus mais que aos pais e aos filhos é algo sobrenatural. Caminha-se nesse sentido.


E como tal deve ser encarado dessa forma. Só a oração aliada à fé e a fé à oração possibilitarão, um dia, termos mais amor a Jesus.

E note-se que amar não é sentir. Quando a criança chora à noite não sentimos particular gosto em levantar da cama. Não sentimos gosto. Mas o amor faz-nos levantar celeremente, verdade?

Assim, amar Jesus não é sentir. Aqui em casa não somos propriamente místicos. Todavia, procuramos amá-Lo nos gestos, nas obras pequeninas, na oração e dizemos-Lhe muitas vezes, quando Ele nos pergunta o que queremos, que o queremos a Ele. É a Ti quem quero e quero que venhas para perto de nós.

Somos pequeninos. E procuramos pedir que Jesus nos ajude a amá-Lo mais e mais. Queremos ser como o publicano do Evangelho do próximo Domingo. Fez-se pequeno porque o era para poder crescer com Quem o pode fazer crescer.

Esta nova prática de lermos e meditarmos em família, ao jantar, com a TV desligada, o Evangelho do dia, tem sido muito bom. Muito bom.

O título desta publicação é algo que nos alerta. É uma notícia do Público. Tal notícia exorta-nos e aos demais amigos blogguers a prosseguir o trabalho de escrever, partilhar e edificar a FAMÍLIA. 

Quanto mais rezamos, quanto mais falamos e cultivamos o modelo cristão que queremos na nossa vida, mais unidos nos sentimos. É o nosso testemunho a todos os 30s que ainda permanecem unidos. O casamento não é um contrato. É uma vida para a vida. E para depois da vida.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bem dizia SJM: Deus e Audácia!

Lembram-se deste post? Já lá vamos.

No Domingo estipulámos uma nova regra: a leitura do Evangelho ao jantar com meditação conjunta.
Assim foi. Ontem começámos esta prática que pretendemos se torne uma boa rotina.

Temos a noção que as coisas devem ser feitas paulatinamente até enraizar. Ou seja, não podemos quebrar abruptamente as rotinas do jantar sob pena do efeito ser contrário ao pretendido. 

Assim, estipulámos 10 minutos de meditação. Apenas 10 minutos. Depois da meditação, voltamos à conversa e ligamos a televisão. 

O compromisso foi igualmente que aqueles 10 minutos fossem intensos. Todos concordaram.

A televisão foi desligada e foi efectuada a leitura do Evangelho. Depois os pais explicaram a parábola. No fim, cada um falou sobre o que entendeu e apreendeu.

O que conseguimos com esta prática? Conseguimos que os nossos filhos também leiam o Evangelho do dia, conheçam o Novo Testamento e Jesus e rezem. Simples...

Testemunhamos: foi uma excelente experiência. Todos falaram, comentaram e estiveram atentos. Todos respeiteram a opinião dos demais. Os pais fizeram o seu papel de educadores e complementaram o que se ia dizendo.

Voltamos agora ao começo desta publicação. Lembram-se do post? Pois bem. No fim da meditação, a nossa filhota mais velha disse-nos assim:

- Vocês sabem que a minha Colega X estava na Missa?
- Quem é a tua Colega X?
- Vocês lembram-se de eu rezar o Terço nos intervalos da escola com o meus Colegas?
- Sim.
- A X disse que gostou tanto que pediu à mãe para ir para a catequese e vai ser minha Colega também no grupo de catequese. Este Domigo vi-a nos bancos da frente e perguntei-lhe hoje "o que estava a fazer" e respondeu-me o que vos disse.
- Graças a Deus! Estás a ver? São esses tesouros que Jesus prtende que acumules (de acordo com o Evangelho de ontem).

Note-se: se não tivese havido aquele momento de recolhimento, provavelmente esta notícia não tinha sido transmitida porque não teria havido ambiente que potenciasse a mesma. E isto é relevante.

Ficámos felizes pelo facto daquele gesto simples e simultâneamente ousado de rezar o terço numa escola ter mexido com aquela coleguinha que aqui chamámos de X.

Bem dizia SJM: Deus e Audácia!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Estado e o sexo


O Arquitecto José António Saraiva escreveu um artigo cujo título é O Estado e o sexo que saiu no pretérito Sábado na Revista bi do jornal SOL.


Gostámos do texto, do seu teor, do seu critério. Pesquisámos mas não encontrámos publicado na net.


O pai escreveu um e-mail ao Arquitecto José António Saraiva que gentilmente remeteu o artigo em formato pdf. Contudo, não nos foi possível colocar o link pelo que o escrevemos directamente no Blogue.

Em tempos de profundo relativismo e ausência de valores, este texto mostra-nos coragem e sentido crítico do autor. Citamos o artigo com excepção - e aqui fazemos essa ressalva - de o escrevermos de acordo com a antiga ortografia:

«A distribuição de preservativos nas escolas, proposta pelo PS, tem provocado enorme controvérsia. Argumenta o PS com um estudo de há dois anos segundo o qual um terço dos jovens já fez sexo sem preservativo. E, sendo assim, tornar-se-á imperioso facilitar ao máximo o seu acesso.

Trata-se de um bom argumento. Mas que pode ter outra leitura: parece um convite aos jovens para fazerem sexo nas escolas. "Podem ter relações à vontade, porque o problema era o preservativo e já aí o têm".

Esta ideia pode, aliás, estender-se a outros temas "fracturantes". O argumento do PS é o mesmo que leva à distribuição gratuita de seringas: "já que as pessoas se drogam, o melhor é drogarem-se com seringas novas e não com seringas usadas e possivelmente contaminadas".  Só que esta medida pode funcionar como um convite para as pessoas se drogarem. Enquanto o receio de utilizar seringas usadas poderia funcionar como um travão, embora pequeno - porque essas pessoas já estão por tudo -, a facilidade do acesso a seringas seguras pode ter o efeito oposto.

É uma discussão muito difícil, até porque estão em causa vidas humanas. 
No preservativo e nas seringas, têm vindo a impor-se o ponto de vista pragmático. Como, aliás, no aborto: "já que as pessoas abortam, façam-no em boas condições".  Mas por este caminho acabaremos a aceitar tudo. É aquilo a que chamo a "política da capitulação". Da aceitação do facto consumado.Ora, haverá um momento em que será preciso escolher entre o pragmatismo e os princípios e valores.

Se não faz sentido os jovens fazerem sexo na escola, não devem ser distribuídos preservativos nas escolas. É um sinal errado. Se o consumo de drogas é um suicídio, não devemos facilitá-lo oferecendo seringas. É um sinal errado. Se o aborto é um crime contra a natureza humana, mesmo que numa fase inicial da vida, não devemos aceitá-lo. É um sinal errado. 

Partilho a ideia de que o Estado deve dar à sociedade os sinais certos. E, neste aspecto, o problema das relações sexuais entre os jovens deverá ser objecto de uma reflexão séria. Se fazer sexo não pode ser encarado como beber um copo de água, pela simples razão de que é um acto onde há partilha de intimidade, não deveremos aceitar que as pessoas - jovens e não jovens - se comportem como coelhos. É uma "matéria" onde deve haver alguma contenção, alguma reserva, algum pudor.

Não é só a questão de transmitir ou não uma doença, nem o risco de engravidar: é uma questão de dignidade. Não se entrega o corpo de qualquer maneira. A banalização do sexo e a entrega fácil do corpo leva ao desrespeito do indivíduo por si próprio.

Mas vou mais longe. Ao distribuir preservativos e seringas, o Estado não está só a dar à sociedade sinais errados: está a ser cúmplice de comportamentos errados. E isso é o oposto do que deveria ser a sua função.

No combate à droga, por exemplo, o Estado não pode dar tréguas. Não pode baixar os braços, considerando-o como uma guerra perdida. A droga é um mal social terrível, que destrói indivíduos, destrói famílias e corrói a sociedade por dentro. Em nenhum momento o Estado pode admitir - ou dar a entender - que consumir drogas não representa perigo desde que o consumo seja feito em segurança.

A reflexão à volta destes temas ditos "fracturantes" terá de ser permanente. O problema é que, existindo hoje mais discussão do que nunca - nas televisões e nas redes sociais -, também com facilidade se forma um pensamento único que mata a discussão.

E os defensores do politicamente correcto dominam esses meios, pois são mais militantes. E são menos tolerantes. Actuam como "polícias do pensamento". Com facilidade, uma pessoa que defenda posições contrárias ao ar do tempo é proscrita e declarada imprestável».

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um extraordinário testemunho que merece ser visto e partilhado


Após oito horas conseguimos, por fim, colocar o vídeo legendado em português no YouTube.
Valeu a pena a resiliência.
Que este testemunho seja proveitoso.
FEM

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Bíblia da Universidade de Navarra em versão digital


Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra converteu em libro eletrónico os cinco volumes de mais de 6.600 páginas que compõem a Sagrada Bíblia da Universidade de Navarra. Esta nova edição faz parte de um projeto editorial impulsionado por S. Josemaría, fundador do Opus Dei e Grande Chanceler da Universidade de Navarra. O objetivo era oferecer o texto sagrado numa cuidada tradução em castelhano, acompanhada de abundantes notas e introduções que explicassem a mensagem espiritual e teológica da Bíblia.

Com mais de 38.700 ligações internas, um peso de apenas 6,6 megabytes e um desenho que permite o manejar facilmente uma obra tão extensa, a edição digital da Bíblia da Universidade de Navarra está já disponível em pré-venda nas plataformas iBooks da Apple, Amazon Kindle e Google Play Books. O preço de lançamento é de 2,99 euros e a data de publicação é o próximo dia 17 de outubro, embora se possa já descarregar uma amostra gratuita nessas plataformas.
Além do texto sagrado, o livro contém comentários do Magistério da Igreja, dos Santos Padres e de santos, índices, introduções e mapas.
A publicação desta obra coincide também com o lançamento da edição latino-americana desta Bíblia em versão eletrónica. Trata-se de um texto inédito que até ao momento não tinha sido publicado em papel.
A publicação em papel da Bíblia da Universidade de Navarra terminou em 2004. Desde então foi traduzida em inglês, português, italiano e francês. A versão castelhana foi realizada a partir dos textos originais.
O critério dominante foi manter a fidelidade ao original e também às formas de expressão das línguas hebraica ou grega. Ao mesmo tempo tentou-se apresentar uma redação castelhana fluída e inteligível para qualquer leitor.
Para simplificar, a edição digital desta obra não inclui o texto latino da Nova Vulgata que aparece em notas de rodapé nos volumes em papel.

Sagrada Bíblia Universidade de Navarra



Sagrada Bíblia Universidade de Navarra (Edição latino-americana)

A bênção da mesa

Ontem e depois do jantar o pai disse a todos:

- Estamos a falhar. Rezamos e bem antes das refeições mas não o fazemos após as mesmas. Devemos corrigir.

Todos ouviram o pai. O filho mais velho disse em seguida:

- Pai e não é só isso. No Xénon rezámos outra oração.


Explicou-se mal mas compreendemos imediatamente o que nos quis transmitir. Pretendeu dizer-nos que no Retiro feito há poucas semanas com o Clube Xénon haviam feito outra oração, utilizado outra fórmula. E esta oração, no seu entender, deveria substituir a oração simples e quase abreviada que costumamos fazer.

- Tens razão! - dissemos - Quando fazemos retiros também rezamos outra oração, mais completa que a que habitualmente fazemos. A partir de amanhã corrigimos a prática e a oração.

Ficámos muito satisfeitos. O nosso filho mais velho mostrou critério, e intenção de ir além, e isso revela que o Retiro efectuado continua a produzir frutos. Às vezes eles ocultam-nos e quase nada nos dizem. Mas nestes pormenores vamos notando as diferenças.

Fomos buscar o livro de orações e a fórmula ali estava. 
Já a redigimos na App que usamos nos telemóveis e temos o gosto de partilhar aqui no Blogue. 

Sinal da Cruz.

V. Oremos:
Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que recebemos das Vossas mãos. Por Cristo Nosso Senhor.

R. Amén 

V. Que o Rei da eterna gloria nos faça participantes da mesa celestial.

R. Amén 

DEPOIS DAS REFEIÇÕES 

V. Damo-Vos graças, Deus omnipotente, por todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.

R. Amén 

V. Que o Senhor nos dê a sua paz.

R. E a vida eterna. Amén.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A oração pode ser um desafio constante


A oração pode ser um desafio constante. Não sei se lemos, se escrevemos, se ouvimos um dia. Mas partilhamos uma prática que adoptámos.


Essa prática muito simples que pode ser adoptada por cada cristão que consiste em rezar uma simples mas muito grata Avé-Maria ou mesmo um Pai  Nosso nos mais diferentes ambientes ainda que adversos.

Vamos dar exemplos. Por vezes estamos num café, num centro de saúde, num estádio, numa escola, num hospital, num restaurante, num transporte público, numa rua, num bar... e questionamos quando foi a última vez que alguém, naquele local concreto, rezou uma Avé-Maria ou um Pai Nosso; ou mesmo se alguma vez alguém o fez.

No fundo, colocamos a séria hipótese de Deus ter sido lembrado naquele local concreto há muito, muito tempo ou mesmo nunca o ter sido. E rezamos. Discretamente.

Garantimos desta forma maior presença de Deus no nosso dia além de mimarmos quem tantos nos mima nos mais diversos ambientes.

Simples... 

domingo, 9 de outubro de 2016

Lucas 17, 11-19

O Evangelho deste Domingo é propício à meditação. Exorta-nos a ela.
Na verdade, interpela-nos. Quão gratos somos? Devemos lembrá-lo muitas vezes.

Mais logo, em família, meditaremos em casa sobre o Evangelho e concluiremos, certamente, coisas muito bonitas.

Devemos ser muito gratos. Porque o Senhor, pese embora nos mime muitas vezes, enche-nos e aquece-nos o coração.

«Quantas vezes Jesus não terá perguntado por nós, depois de tantas graças» 1

Deste Evangelho surtem quatro situações.

A primeira. Apresentaram-se a Jesus dez leprosos e pediram compaixão. Os leprosos eram excluídos da sociedade pois a lei obrigava-os ao isolamento dos demais mas Jesus não os evita.

A segunda. Dos dez leprosos apenas um regressou para agradecer sendo, além de curado, salvo.

A terceira que, cronologicamente antecede a segunda, refere-se ao facto de Jesus não curar imediatamente os leprosos. É um pormenor que não deve passar despercebido. Não, Jesus diz-lhes para se apresentarem aos sacerdotes para que, certamente, fossem declarados curados. Tal é um acto de fé e de enorme confiança em Jesus e na Sua palavra. Na verdade, foram curados no caminho. Que este acto de fé e confiança na palavra seja para nós enorme motivo de esperança.

A quarta e última situação é o facto de ser «significativo que fosse um estrangeiro quem voltasse para agradecer. Isso recorda-nos que, por vezes, cuidamos de agradecer um serviço ocasional prestado por uma pessoa desconhecida, e ao mesmo tempo não sabemos dar importância às contínuas delicadezas e atenções que recebemos doa mais próximos». 1

1 Francisco Fernandez Carvajal


sábado, 8 de outubro de 2016

Conversei com Ele?

É possível que te assuste esta palavra: meditação. Faz-te lembrar livros de capas negras e velhas, ruído de suspiros ou rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é contemplar, considerar que Deus é teu Pai, e tu seu filho, necessitado de ajuda; e depois dar-lhe graças pelo que já te concedeu e por tudo o que te há-de dar. (Sulco, 661)
Para o teu exame diário: – Deixei passar alguma hora sem falar com o meu Pai, Deus? – Conversei com Ele com amor de filho? Acredita que és capaz!! (Sulco, 657)

O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana...
E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

"Fica connosco, porque anoitece!...". Foi eficaz a oração de Cléofas e do companheiro.
Que pena, se tu e eu não soubéssemos "deter" Jesus que passa! Que dor, se não Lhe pedirmos que fique connosco! (Sulco, 671)

SJM