Família em Movimento

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bem dizia SJM: Deus e Audácia!

Lembram-se deste post? Já lá vamos.

No Domingo estipulámos uma nova regra: a leitura do Evangelho ao jantar com meditação conjunta.
Assim foi. Ontem começámos esta prática que pretendemos se torne uma boa rotina.

Temos a noção que as coisas devem ser feitas paulatinamente até enraizar. Ou seja, não podemos quebrar abruptamente as rotinas do jantar sob pena do efeito ser contrário ao pretendido. 

Assim, estipulámos 10 minutos de meditação. Apenas 10 minutos. Depois da meditação, voltamos à conversa e ligamos a televisão. 

O compromisso foi igualmente que aqueles 10 minutos fossem intensos. Todos concordaram.

A televisão foi desligada e foi efectuada a leitura do Evangelho. Depois os pais explicaram a parábola. No fim, cada um falou sobre o que entendeu e apreendeu.

O que conseguimos com esta prática? Conseguimos que os nossos filhos também leiam o Evangelho do dia, conheçam o Novo Testamento e Jesus e rezem. Simples...

Testemunhamos: foi uma excelente experiência. Todos falaram, comentaram e estiveram atentos. Todos respeiteram a opinião dos demais. Os pais fizeram o seu papel de educadores e complementaram o que se ia dizendo.

Voltamos agora ao começo desta publicação. Lembram-se do post? Pois bem. No fim da meditação, a nossa filhota mais velha disse-nos assim:

- Vocês sabem que a minha Colega X estava na Missa?
- Quem é a tua Colega X?
- Vocês lembram-se de eu rezar o Terço nos intervalos da escola com o meus Colegas?
- Sim.
- A X disse que gostou tanto que pediu à mãe para ir para a catequese e vai ser minha Colega também no grupo de catequese. Este Domigo vi-a nos bancos da frente e perguntei-lhe hoje "o que estava a fazer" e respondeu-me o que vos disse.
- Graças a Deus! Estás a ver? São esses tesouros que Jesus prtende que acumules (de acordo com o Evangelho de ontem).

Note-se: se não tivese havido aquele momento de recolhimento, provavelmente esta notícia não tinha sido transmitida porque não teria havido ambiente que potenciasse a mesma. E isto é relevante.

Ficámos felizes pelo facto daquele gesto simples e simultâneamente ousado de rezar o terço numa escola ter mexido com aquela coleguinha que aqui chamámos de X.

Bem dizia SJM: Deus e Audácia!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Estado e o sexo


O Arquitecto José António Saraiva escreveu um artigo cujo título é O Estado e o sexo que saiu no pretérito Sábado na Revista bi do jornal SOL.


Gostámos do texto, do seu teor, do seu critério. Pesquisámos mas não encontrámos publicado na net.


O pai escreveu um e-mail ao Arquitecto José António Saraiva que gentilmente remeteu o artigo em formato pdf. Contudo, não nos foi possível colocar o link pelo que o escrevemos directamente no Blogue.

Em tempos de profundo relativismo e ausência de valores, este texto mostra-nos coragem e sentido crítico do autor. Citamos o artigo com excepção - e aqui fazemos essa ressalva - de o escrevermos de acordo com a antiga ortografia:

«A distribuição de preservativos nas escolas, proposta pelo PS, tem provocado enorme controvérsia. Argumenta o PS com um estudo de há dois anos segundo o qual um terço dos jovens já fez sexo sem preservativo. E, sendo assim, tornar-se-á imperioso facilitar ao máximo o seu acesso.

Trata-se de um bom argumento. Mas que pode ter outra leitura: parece um convite aos jovens para fazerem sexo nas escolas. "Podem ter relações à vontade, porque o problema era o preservativo e já aí o têm".

Esta ideia pode, aliás, estender-se a outros temas "fracturantes". O argumento do PS é o mesmo que leva à distribuição gratuita de seringas: "já que as pessoas se drogam, o melhor é drogarem-se com seringas novas e não com seringas usadas e possivelmente contaminadas".  Só que esta medida pode funcionar como um convite para as pessoas se drogarem. Enquanto o receio de utilizar seringas usadas poderia funcionar como um travão, embora pequeno - porque essas pessoas já estão por tudo -, a facilidade do acesso a seringas seguras pode ter o efeito oposto.

É uma discussão muito difícil, até porque estão em causa vidas humanas. 
No preservativo e nas seringas, têm vindo a impor-se o ponto de vista pragmático. Como, aliás, no aborto: "já que as pessoas abortam, façam-no em boas condições".  Mas por este caminho acabaremos a aceitar tudo. É aquilo a que chamo a "política da capitulação". Da aceitação do facto consumado.Ora, haverá um momento em que será preciso escolher entre o pragmatismo e os princípios e valores.

Se não faz sentido os jovens fazerem sexo na escola, não devem ser distribuídos preservativos nas escolas. É um sinal errado. Se o consumo de drogas é um suicídio, não devemos facilitá-lo oferecendo seringas. É um sinal errado. Se o aborto é um crime contra a natureza humana, mesmo que numa fase inicial da vida, não devemos aceitá-lo. É um sinal errado. 

Partilho a ideia de que o Estado deve dar à sociedade os sinais certos. E, neste aspecto, o problema das relações sexuais entre os jovens deverá ser objecto de uma reflexão séria. Se fazer sexo não pode ser encarado como beber um copo de água, pela simples razão de que é um acto onde há partilha de intimidade, não deveremos aceitar que as pessoas - jovens e não jovens - se comportem como coelhos. É uma "matéria" onde deve haver alguma contenção, alguma reserva, algum pudor.

Não é só a questão de transmitir ou não uma doença, nem o risco de engravidar: é uma questão de dignidade. Não se entrega o corpo de qualquer maneira. A banalização do sexo e a entrega fácil do corpo leva ao desrespeito do indivíduo por si próprio.

Mas vou mais longe. Ao distribuir preservativos e seringas, o Estado não está só a dar à sociedade sinais errados: está a ser cúmplice de comportamentos errados. E isso é o oposto do que deveria ser a sua função.

No combate à droga, por exemplo, o Estado não pode dar tréguas. Não pode baixar os braços, considerando-o como uma guerra perdida. A droga é um mal social terrível, que destrói indivíduos, destrói famílias e corrói a sociedade por dentro. Em nenhum momento o Estado pode admitir - ou dar a entender - que consumir drogas não representa perigo desde que o consumo seja feito em segurança.

A reflexão à volta destes temas ditos "fracturantes" terá de ser permanente. O problema é que, existindo hoje mais discussão do que nunca - nas televisões e nas redes sociais -, também com facilidade se forma um pensamento único que mata a discussão.

E os defensores do politicamente correcto dominam esses meios, pois são mais militantes. E são menos tolerantes. Actuam como "polícias do pensamento". Com facilidade, uma pessoa que defenda posições contrárias ao ar do tempo é proscrita e declarada imprestável».

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um extraordinário testemunho que merece ser visto e partilhado


Após oito horas conseguimos, por fim, colocar o vídeo legendado em português no YouTube.
Valeu a pena a resiliência.
Que este testemunho seja proveitoso.
FEM

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Bíblia da Universidade de Navarra em versão digital


Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra converteu em libro eletrónico os cinco volumes de mais de 6.600 páginas que compõem a Sagrada Bíblia da Universidade de Navarra. Esta nova edição faz parte de um projeto editorial impulsionado por S. Josemaría, fundador do Opus Dei e Grande Chanceler da Universidade de Navarra. O objetivo era oferecer o texto sagrado numa cuidada tradução em castelhano, acompanhada de abundantes notas e introduções que explicassem a mensagem espiritual e teológica da Bíblia.

Com mais de 38.700 ligações internas, um peso de apenas 6,6 megabytes e um desenho que permite o manejar facilmente uma obra tão extensa, a edição digital da Bíblia da Universidade de Navarra está já disponível em pré-venda nas plataformas iBooks da Apple, Amazon Kindle e Google Play Books. O preço de lançamento é de 2,99 euros e a data de publicação é o próximo dia 17 de outubro, embora se possa já descarregar uma amostra gratuita nessas plataformas.
Além do texto sagrado, o livro contém comentários do Magistério da Igreja, dos Santos Padres e de santos, índices, introduções e mapas.
A publicação desta obra coincide também com o lançamento da edição latino-americana desta Bíblia em versão eletrónica. Trata-se de um texto inédito que até ao momento não tinha sido publicado em papel.
A publicação em papel da Bíblia da Universidade de Navarra terminou em 2004. Desde então foi traduzida em inglês, português, italiano e francês. A versão castelhana foi realizada a partir dos textos originais.
O critério dominante foi manter a fidelidade ao original e também às formas de expressão das línguas hebraica ou grega. Ao mesmo tempo tentou-se apresentar uma redação castelhana fluída e inteligível para qualquer leitor.
Para simplificar, a edição digital desta obra não inclui o texto latino da Nova Vulgata que aparece em notas de rodapé nos volumes em papel.

Sagrada Bíblia Universidade de Navarra



Sagrada Bíblia Universidade de Navarra (Edição latino-americana)

A bênção da mesa

Ontem e depois do jantar o pai disse a todos:

- Estamos a falhar. Rezamos e bem antes das refeições mas não o fazemos após as mesmas. Devemos corrigir.

Todos ouviram o pai. O filho mais velho disse em seguida:

- Pai e não é só isso. No Xénon rezámos outra oração.


Explicou-se mal mas compreendemos imediatamente o que nos quis transmitir. Pretendeu dizer-nos que no Retiro feito há poucas semanas com o Clube Xénon haviam feito outra oração, utilizado outra fórmula. E esta oração, no seu entender, deveria substituir a oração simples e quase abreviada que costumamos fazer.

- Tens razão! - dissemos - Quando fazemos retiros também rezamos outra oração, mais completa que a que habitualmente fazemos. A partir de amanhã corrigimos a prática e a oração.

Ficámos muito satisfeitos. O nosso filho mais velho mostrou critério, e intenção de ir além, e isso revela que o Retiro efectuado continua a produzir frutos. Às vezes eles ocultam-nos e quase nada nos dizem. Mas nestes pormenores vamos notando as diferenças.

Fomos buscar o livro de orações e a fórmula ali estava. 
Já a redigimos na App que usamos nos telemóveis e temos o gosto de partilhar aqui no Blogue. 

Sinal da Cruz.

V. Oremos:
Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que recebemos das Vossas mãos. Por Cristo Nosso Senhor.

R. Amén 

V. Que o Rei da eterna gloria nos faça participantes da mesa celestial.

R. Amén 

DEPOIS DAS REFEIÇÕES 

V. Damo-Vos graças, Deus omnipotente, por todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.

R. Amén 

V. Que o Senhor nos dê a sua paz.

R. E a vida eterna. Amén.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A oração pode ser um desafio constante


A oração pode ser um desafio constante. Não sei se lemos, se escrevemos, se ouvimos um dia. Mas partilhamos uma prática que adoptámos.


Essa prática muito simples que pode ser adoptada por cada cristão que consiste em rezar uma simples mas muito grata Avé-Maria ou mesmo um Pai  Nosso nos mais diferentes ambientes ainda que adversos.

Vamos dar exemplos. Por vezes estamos num café, num centro de saúde, num estádio, numa escola, num hospital, num restaurante, num transporte público, numa rua, num bar... e questionamos quando foi a última vez que alguém, naquele local concreto, rezou uma Avé-Maria ou um Pai Nosso; ou mesmo se alguma vez alguém o fez.

No fundo, colocamos a séria hipótese de Deus ter sido lembrado naquele local concreto há muito, muito tempo ou mesmo nunca o ter sido. E rezamos. Discretamente.

Garantimos desta forma maior presença de Deus no nosso dia além de mimarmos quem tantos nos mima nos mais diversos ambientes.

Simples... 

domingo, 9 de outubro de 2016

Lucas 17, 11-19

O Evangelho deste Domingo é propício à meditação. Exorta-nos a ela.
Na verdade, interpela-nos. Quão gratos somos? Devemos lembrá-lo muitas vezes.

Mais logo, em família, meditaremos em casa sobre o Evangelho e concluiremos, certamente, coisas muito bonitas.

Devemos ser muito gratos. Porque o Senhor, pese embora nos mime muitas vezes, enche-nos e aquece-nos o coração.

«Quantas vezes Jesus não terá perguntado por nós, depois de tantas graças» 1

Deste Evangelho surtem quatro situações.

A primeira. Apresentaram-se a Jesus dez leprosos e pediram compaixão. Os leprosos eram excluídos da sociedade pois a lei obrigava-os ao isolamento dos demais mas Jesus não os evita.

A segunda. Dos dez leprosos apenas um regressou para agradecer sendo, além de curado, salvo.

A terceira que, cronologicamente antecede a segunda, refere-se ao facto de Jesus não curar imediatamente os leprosos. É um pormenor que não deve passar despercebido. Não, Jesus diz-lhes para se apresentarem aos sacerdotes para que, certamente, fossem declarados curados. Tal é um acto de fé e de enorme confiança em Jesus e na Sua palavra. Na verdade, foram curados no caminho. Que este acto de fé e confiança na palavra seja para nós enorme motivo de esperança.

A quarta e última situação é o facto de ser «significativo que fosse um estrangeiro quem voltasse para agradecer. Isso recorda-nos que, por vezes, cuidamos de agradecer um serviço ocasional prestado por uma pessoa desconhecida, e ao mesmo tempo não sabemos dar importância às contínuas delicadezas e atenções que recebemos doa mais próximos». 1

1 Francisco Fernandez Carvajal


sábado, 8 de outubro de 2016

Conversei com Ele?

É possível que te assuste esta palavra: meditação. Faz-te lembrar livros de capas negras e velhas, ruído de suspiros ou rezas como cantilenas rotineiras... Mas isso não é meditação. Meditar é contemplar, considerar que Deus é teu Pai, e tu seu filho, necessitado de ajuda; e depois dar-lhe graças pelo que já te concedeu e por tudo o que te há-de dar. (Sulco, 661)
Para o teu exame diário: – Deixei passar alguma hora sem falar com o meu Pai, Deus? – Conversei com Ele com amor de filho? Acredita que és capaz!! (Sulco, 657)

O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana...
E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

"Fica connosco, porque anoitece!...". Foi eficaz a oração de Cléofas e do companheiro.
Que pena, se tu e eu não soubéssemos "deter" Jesus que passa! Que dor, se não Lhe pedirmos que fique connosco! (Sulco, 671)

SJM

Assim é Deus...


Hoje, enquanto caminhava com o filho mais velho para comprar os semanários, conversávamos sobre o facto de Deus não poupar os seus.

São tantas as histórias que não cabem num livro.
Simultaneamente está ao lado de quem sofre. 

E isso é curioso. Não poupa mas não abandona.



Um amigo nosso, pessoa muito querida e estimada, profundamente católico, tem um problema de saúde. Ligámos e ficámos muito surpreendidos pela calma, pela tranquilidade e pela forma sobrenatural como vive o mimo de Deus.
Disse-nos que via e sentia Deus na compaixão dos outros. O Senhor ao mesmo tempo que não nos poupa - para retirar sempre algo maior que nunca sabemos o que é - mostra-nos a Sua face.

Conta-se e escreve-se que Santa Teresa terá dito um dia ao Senhor o seguinte: Se tratas assim os teus amigos não admira que os tenhas tão poucos.

Por vezes pensamos nisso e damos razão à Santa reformadora do Carmelo. Sorrimos sempre porque não deixa de ser verdade. Mas há uma outra verdade que a complementa e essa é-nos totalmente oculta. Que bem retiras de tudo isto, Senhor?

Quantos sofrimentos, quantos dissabores, quantas contradições. 

Contudo, sempre aprendemos, nada cai em saco roto. Deus aproveita tudo.
Em quê?
Não sabemos. Mas saberemos. Tudo a seu tempo porque o tempo não é nosso mas d´Ele.

Este nosso amigo disse ter descoberto na doença que o Senhor se lhe revela na compaixão dos irmãos, amigos, crentes e não crentes, na família.

Na nossa situação mais recente nunca o percebemos. Mas foram as palavras ouvidas hoje que nos fizeram parar e pensar. Ao fim e ao cabo nós tivemos igual presença e nunca a vimos.

Sejam muito agradecidos, disse-nos um sacerdote um dia. Não nos faltam razões.

Foi importante para nós ouvirmos tão soberbo testemunho para entendermos que Deus sempre se manifestou próximo. Igualmente terá sido importante para quem nos ouviu saber que Deus continua a manifestar-Se.

Assim é Deus... desconcertante.

Agora... mãos ao terço! Estamos juntos e vamos vencer juntos. Porque Ele está connosco.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A liberdade é condição para que haja uma escolha livre


A caminho da escola, a nossa menina do meio perguntou:


- Mãe, se Deus nos quer a todos santos porque é que nos fez livres?

- Tens razão. Às vezes também penso nisso. Pessoalmente preferia não ter liberdade de escolha. Preferia fazer sempre o que Deus espera de mim. Mas Deus Pai não se quer impôr, quer antes que nós na nossa condição humana escolhamos segui-Lo de livre vontade. Mas entendo a tua pergunta.

- É exactamente isso, mãe. Eu quero seguir Jesus e quero fazer sempre o que Ele quer, mas às vezes sei que não o faço. Por isso, preferia não ser livre.

- Diz-Lhe isso mesmo como me estás a dizer a mim e Ele ajudar-te-à. Também ajuda colocares-te sob a protecção de Nossa Senhora, Ela ensinar-te-à a ficares próxima de Jesus.

domingo, 2 de outubro de 2016

As pequenas coisas e um aniversário

Ensina-nos Madre Teresa que devemos ser fiéis nas pequenas coisas porque para Deus nada é pequeno e nada tem pouco valor.

O amor manifesta-se sempre não por coisas espectaculares mas por gestos pequenos e, tantas vezes, sucessivos. Gestos possíveis, gestos de amor. 

Tenho reparado na forma como a minha mulher coloca amor em tudo quanto faz. Nestes momentos de particular dificuldade, não me falta com nada.

A medicação é tomada a horas; as refeições são de acordo com a prescrição médica; ajuda-me a vestir porque não consigo fazê-lo sozinho; acautela os lanches deixando-os preparados quando se ausenta; não se impressiona com a "costura" e muda o penso, limpando a ferida que sara paulatinamente com os agrafes ainda cravados; transporta-me ao Hospital quando necessário; cuida de me questionar sempre se estou confortável; cuida dos meus filhos sozinha sem qualquer ajuda da minha parte. E quando lhe agradeço... sorri e diz-me que não tenho de lhe agradecer.
Tenho sim. Tenho de ser muito agradecido.

Penso serem estes os pequenos gestos de que Madre Teresa fala. São gestos nobres de família, gestos de união, gestos de presença efectiva, gestos pequenos e paradoxalmente enormes que marcam a diferença.

Hoje é dia de festa! Hoje, festa dos Anjos da Guarda, é o aniversário da fundação do Opus Dei. No dia 2 de Outubro de 1928, São Josemaria viu o Opus Dei: um caminho de santificação no meio do mundo.




sábado, 1 de outubro de 2016

Amor conjugal e vida de piedade

Temos uma grande sorte porque o matrimónio não é coisa de dois, mas de três. Mas quem é o terceiro, estareis a pensar? Pois, além dos cônjuges há alguém ainda mais interessado em levar por diante o projeto de cada matrimónio, o projeto de santidade de cada cônjuge: Deus.
Jesus Cristo elevou o matrimónio natural à elevada categoria de sacramento, para dar uma graça especial a cada um dos esposos ao empreender este caminho apaixonante de formar uma nova ‘igreja doméstica’; e, além disso, não nos deixa sós, antes se intromete na nossa vida e é como se nos dissesse: “Eu envolvo-Me em tudo o que é vosso, pequeno ou grande, permanente ou efémero; percorrereis a minha senda, haverá tempos para tudo, estaremos em Nazaré, em Betânia… e no Calvário; mas não termina aí porque haverá também Ressurreição; mas, confiai, pois Eu estarei sempre convosco animando os vossos dias”.
Como dizia São Josemaría: “O matrimónio está feito para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e santifiquem através dele; para isso os cônjuges têm uma graça especial, que o sacramento instituído por Jesus Cristo confere. Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado – com a graça de Deus – tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar até ao Senhor as pessoas com quem convive”(S. Josemaría, Temas actuais do cristianismo, n. 91)

A vida conjugal é verdadeiro itinerário de santidade cristã e o truque que qualquer casal procura para conseguir a felicidade consiste em fazer a Suavontade em cada situação e amar muito, muito, como Ele nos amou. Por isso numa família quando alguém está pendente dos outros é mais feliz, porque então os outros ocupam-se da sua felicidade e, é claro, Deus; Ele nunca falha.
Como nos disse o Papa Francisco na sua catequese sobre a família: “Deus confiou à família, não o cuidado de uma intimidade em si mesma, mas o emocionante desígnio de tornar o mundo ‘doméstico’. A família está no início, na base desta cultura mundial que nos salva; salva-nos de tantos, tantos ataques, tantas destruições, de tantas colonizações, como a do dinheiro ou como daquelas ideologias que tanto ameaçam o mundo. A família é a base para nos defender” (Papa Francisco, Audiência 16/09/2015).
Neste sentido, vale a pena recuperar o sentido do matrimónio sacramental. Não só como um evento festivo ou familiar – que o é – mas porque entendemos com profundidade o que vamos fazer; a recíproca entrega/aceitação das nossas pessoas na sua conjugalidade, participando do mistério de amor entre Cristo e a sua Igreja. Daí que a etapa de namoro ou noivado seja tão crucial para ir já pondo Deus no centro da nossa vida pessoal: que chegue a formar parte de um tu, de um eu e de um nós aberto aos filhos e a outras famílias. O homem não poderá retirar o melhor da mulher se não está próximo de Deus, e a mulher não poderá retirar o melhor do homem se não está próxima de Deus. Estar ou não próximo de Deus é a chave para a felicidade matrimonial.
A partir do nosso matrimónio também podemos ser – sem mérito algum da nossa parte – luz para os outros: luz que diga – sem dizer – que Deus está na nossa vida porque as coisas no nosso casamento e na nossa família, com naturalidade se sobrenaturalizam; não fazemos nada estranho: trabalhamos como os outros, saímos e distraímo-nos como os outros, rimo-nos como os outros, temos as inquietações próprias da nossa idade, sonhos, quimeras que talvez cumpramos ou talvez não. Mas procuramos pôr tudo nas mãos de Deus; esta é a diferença… e vivemo-lo com uma alegria profunda, porque se temos um filho com problemas, ou se parece que os filhos não aparecem, se há uma doença, choraremos como os outros, mas com os pés na terra e os olhos virados para o Céu.
“A caridade levará a partilhar as alegrias e os possíveis dissabores, – recorda-nos S. Josemaria – a saber sorrir, esquecendo-se das preocupações pessoais para atender os outros; a escutar o outro cônjuge ou os filhos, mostrando-lhes que são verdadeiramente amados e compreendidos; a passar por alto pequenos atritos sem importância, que o egoísmo poderia transformar em montanhas; a fazer, com grande amor, os pequenos serviços de que se compõe a convivência diária.”( S. Josemaría, Cristo que passa, n. 23).
Rezar juntos em família – respeitando a liberdade e a idade de cada um dos filhos. A fé transmite-se não se impõe – é algo que a tradição cristã recomenda pois, através dessas pequenas mas concretas práticas de piedade familiares, transmitiu-se a fé de geração em geração: rezar pela manhã – o oferecimento a Deus do nosso dia – o Angelus ao meio-dia e pela noite as três Ave-marias; invocar a Deus ao começar uma viagem; assistir juntos à Missa dominical; e talvez rezar o Terço em família, porque como se diz “a família que reza unida, permanece unida”. Entre essas práticas é muito familiar a bênção da mesa, como nos recorda Laudato si’: “Uma expressão desta atitude [contemplativa diante da criação] é deter-se a dar graças a Deus antes e depois das refeições. Proponho aos crentes que retomem este valioso hábito e o vivam com profundidade. Esse momento da bênção, ainda que seja muito breve, recorda-nos a nossa dependência de Deus para a vida, fortalece o nosso sentido de gratidão pelos dons da criação, reconhece aqueles que com o seu trabalho proporcionam esses bens e reforça a solidariedade com os mais necessitados” (Papa Francisco, enc. Laudato si’, n. 227).
Nós, esposos temos o dever conjugal, que prometemos no dia do nosso casamento, da ajuda mútua, e ajudar o outro é abrir-lhe um horizonte para que possa retirar o melhor, e claro, animá-lo a estar junto de Deus – sem pressionar, nem importunar indevidamente; porque o melhor e mais eficaz modo de atrair para Deus, o compelle intrare (Lc 14,23) do Evangelho, é amar e rezar pelo outro cônjuge e pelos filhos – porque o mais importante para cada um é levar o cônjuge para o Céu, mas ajudando-o a apreciar o bem por si próprio.
Há que respeitar os tempos de cada um, as possíveis crises, estando presente, acompanhando, rezando e não angustiando. Mas ao contrário também: respeitar o outro nos seus tempos de intimidade com Deus, mesmo que o outro os não partilhe, é algo que não entorpece o nosso casamento, antes o enriquece. É importante o respeito mútuo e ainda mais no que toca à consciência, que é o lugar onde cada um abre a sua interioridade ao Senhor, o lugar onde a nossa liberdade elabora as decisões mais transcendentes da sua vida. A intimidade com Deus é pessoal e cada um deve descobrir o seu pessoal caminho até Ele, que certamente passa pelo outro cônjuge; isto é muito enriquecedor para ambos.
Deus envolveu-Se connosco nesta aventura do casamento, porque lhe apeteceu, porque nos ama de modo carinhoso e deseja a nossa felicidade e porque quer que sejamos luz para os outros e que formemos uma autêntica ‘Igreja doméstica’ com os nossos filhos. “Na medida em que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé, faz-se comunidade evangelizadora (...). Esta missão apostólica da família está enraizada no Baptismo e recebe com a graça sacramental do matrimónio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade atual segundo o plano de Deus” (São João Paulo II, exhort. apost. Familiaris consortio, n. 52).

Que grande é a missão a que Deus chamou os esposos e que pôs nas suas mãos! Que maravilhosa responsabilidade estar no surgir de uma sociedade renovada pela caridade de Cristo e que imperiosa necessidade do Seu auxílio!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Gabriele Amorth

Faleceu no dia 16 o exorcista oficial da Diocese de Roma desde 1986.

O Expresso dedica-lhe - e bem - 2/3 da página 36 na coluna In Memoriam.

Lemos o texto assinado pelo José Cutileiro e retiramos algumas notas que nos parecem importantes escrever ou, no caso, transcrever.

Amorth foi nomeado exorcista de Roma depois do exorcismo ter passado a receber renovada atenção com a chegada de João Paulo II.

Amorth terá realizado 160.000 exorcismos em três decénios.


Descreveu, em mais de uma entrevista, aspectos de uma possessão: «Das suas bocas pode sair tudo - bocados de aço, às vezes do tamanho de um dedo, mas também pétalas de rosa».

Dizia que "o primeiro dever do exorcista é libertar seres humanos do medo do Diabo." 

Diabo com quem Amorth falava todos os dias em latim recebendo as respostas em italiano, revelou em 2004.

Há uma frase curiosa de Amorth: «Menos ficarão convencidos que o Diabo use a ioga para desviar católicos para fés do Oriente, ou os livros de Harry Potter para espalhar mau-olhado e feitiçaria». E, dizia, «Satanás não descansa: basta olhar à roda e ver o número de divórcios, abortos, casamentos homossexuais».

Nós cá em casa temos muito presente a convicção que o Diabo é como um cão que por aqui anda. Ladra muito. O latir é constante, muito presente. Gosta muito de estar em todo o lado mas não é menos verdade que tem particular gosto em permanecer dentro das casas de família.
Morde? Sim, morde quando nos chegamos demasiado perto. E às vezes chegamos... 
Quando isso acontece, a ferida sangra e recomenda-se uma ida imediata às urgências do confessionário mais próximo.
Se outro não houver, recomendamos o Oratório de São Josemaria que tem sempre sacerdotes disponíveis para confessar.

Terminamos este texto com remissão para um outro publicado recentemente neste blogue. Aquele complementa este.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Iniciativa de cidadania europeia para defender o casamento e a família


O nosso querido amigo Paulo Faria escreveu-nos um e-mail para nos associarmos na partilha de um site cuja iniciativa é a defesa do casamento e da família na Europa.


Confessamos ter muita dificuldade em compreender a Europa e os seus valores. Aliás, parece-nos clara a ausência destes o que, no nosso ponto de vista, só a enfraquece. Mutatis mutandis em relação aos europeus para quem, grosso modo, tudo é relativo. Mas só será se deixarmos.


Elogiamos assim esta iniciativa partilhando-a no Blogue que hoje completou 26.000 visitas, as quais muito agradecemos.

Defender a FAMÍLIA e o CASAMENTO que para nós é SACRAMENTO é dar substância à matriz cristã de que somos inequivocamente detentores. Compete na primeira linha aos cristãos defender os valores que professam. 
No fim desta publicação está o link que direcciona para o site Pai, Mãe e Filhos.

Citação dos Objectivos principais:
«A crescente fragmentação dos conceitos de «família» e de «casamento» constitui um problema para a UE. A legislação da UE faz referência aos dois termos, mas o seu significado é cada vez mais obscuro, havendo definições divergentes em diferentes directivas da UE. Esta iniciativa propõe uma solução para esta situação, mediante a adopção de uma definição ao nível da UE dos dois termos que seja compatível com a legislação de todos os Estados-Membros. Em observância do artigo 9.º da Carta dos Direitos Fundamentais, respeita na íntegra a competência dos Estados-Membros em matéria de legislação sobre o casamento e a família.»

Iniciativa de cidadania europeia para defender o casamento e a família
Juntos vamos apoiar o casamento e a família na Europa:

Casamento: união permanente e fiel entre um homem e uma mulher com o propósito de construir uma família.

Família: o pai, a mãe e os filhos.

Relação familiar: relação jurídica entre os dois cônjuges, ou de cada um dos pais com o(a) filho(a).

Sim, eu apoio o pedido à EU para haver legislação que defina o significado de casamento e família:
casamento, como a união entre um homem e uma mulher e a família, como relação baseada no casamento e/ou descendência.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Catequese ao Domingo (ponto de vista do não praticante)

Nove da manhã e o despertador toca na casa dos Andrades.

No quarto inicia-se o habitual diálogo dominical:

- Apaga isso.
- Já vai.
-Tens mesmo de meter isso ligado ao Domingo?
- Hoje vais tu?

- Não me apetece. Vai tu.
- Mas eu fui a semana passada.Vai tu.
- Eu estou cansada.
- Mas a ideia foi da tua mãe.
- Eu sei.
- Quando é que isto acaba?
- Não sei... deixa-me dormir.
- Mas podias perguntar à tua mãe?
- Achas que ela sabe?


- Então porque disse para a miúda ir para a catequese?
- Sei lá! Caramba, fazes perguntas idiotas de manhã.
- Quando é que ela faz a primeira comunhão?
- É isso!
- É isso o quê?
- É isso que a minha mãe quer que ela faça.
- Para quê?
- Sei lá... Estás insuportável. Levanta-te e leva a miúda.
- E depois acaba?
- Acho que sim. São três anos, acho eu. Sei lá...
- Que inferno. Há dois que andamos nisto.Não há descanso. E se ela hoje não fosse?
- Hoje tem de apresentar um trabalho com uma amiguinha sobre a cruz do Jesus. Hoje tem de ir.
- A cruz do Jesus? E quem faz um trabalho sobre a minha cruz de levantar ao Domingo de manhã?
- Apre! Cala-te de uma vez e leva a miúda se faz favor.
- Sempre eu! Ficas no bem bom e eu levo a miúda. Mais uma manhã sem saber o que fazer...
- Vai ao shopping fazer tempo.
- Eu sei. Passo lá praticamente todas as manhãs de Domingo.
- Trazes frango para o almoço?
- Quando?
- Quando fores buscar a miúda.
- Mas também sou eu que vou buscá-la?
- A semana passada fui eu...
- Vou perder a manhã toda por causa disto.
- Já não te posso ouvir.
- Quem devia levar a miúda era a tua mãe!
- Pede-lhe!... Agora deixa-me dormir.
- A miúda vai a contarolar no carro...
- E?
- Aquelas cantiguinhas insuportáveis...
- Liga o rádio. Agora levanta-te e dá-lhe o pequeno almoço e leva-a à igreja.
- Para a semana vais tu.
- Isso vemos depois...deixa-a com a catequista.
- Achas que sou irresponsável? Não ando a dormir!
- Por falar nisso... até logo, Não esqueças o frango.

Os meus dias

Os meus dias têm sido passados de uma forma que parece um permanente estado de ócio não o sendo. Parece ocioso e digno de um verdadeiro preguiçoso estar deitado a maior parte do dia (nem sentado... sempre deitado), e sair de casa duas vezes por períodos não superiores a trinta minutos para andar. 

Este é o tempo que Deus quis que eu tivesse e se o permitiu, aceito-o. Não estou ocioso, pese embora pareça. O descanso nesta fase da recuperação é vital.

Leio bastante. Ao meu lado tenho para ler artigos dos Senhores Doutores Rui da Silva Leal, Carlos Pinto de Abreu e Orlando Marcelo Curto, os semanários Expresso e Sol, um livro do Grisham, o Novo Testamento, o computador e o telemóvel. 


Procuro não me distrair com o que não é susceptível de obter a minha atenção nem com programas idiotas que não edificam.

A televisão, pese embora ligada, está no silêncio e raramente recebe a minha atenção.

Ouço ópera praticamente o dia inteiro. A App Spotify está conectada com a aparelhagem via bluetooth.

Além de ler, escrevo. E além de escrever, rezo. Procuro o cumprimento do maior número de Normas. O Terço está reservado para uma das duas saídas autorizadas e recomendadas pelo neurocirurgião. Caminho e levo o terço na mão. Vou rezando enquanto dou os meus passos vagarosos. No bolso, o telemóvel com a App Runtastic que me orienta no tempo e distância.
Caminhar pelas ruas com o terço na mão, rezando-o, é testemunho cristão. É esse o fito.

No mais, ofereço este tempo da minha vida. Como antes escrevi, este tempo tem propósitos definidos. E darão fruto.

Uma palavra para a minha família. A vida continua. Têm enfrentado igualmente as dificuldades próprias de um período de convalescença. Todavia, com elevado brilhantismo. Nota 20!

domingo, 25 de setembro de 2016

Uma espécie de odisseia

Infelizmente não estou capacitado para me deslocar à igreja e assistir à Santa Missa. Sabia-o.

Mas queria muito comungar. 

Convidei o meu querido amigo Padre João para jantar connosco no dia de ontem e pedi especial favor de me trazer a Sagrada Comunhão. Aceitou prontamente. Todavia e infelizmente, adoeceu e não pôde vir. Desejo-lhe rápidas melhoras e agradeço o que se propôs fazer por mim.

Mais tarde, liguei para uma pessoa da minha paróquia e perguntei se algum ministro extraordinário da comunhão podia vir a minha casa.

- Só se ligar para a pessoa X e pedir.

Assim fiz. Liguei para a pessoa X. Uma vez não se ter oferecido pessoalmente para me trazer a comunhão perguntei se podia facultar o número de contacto de outros ministros extraordinários da comunhão que fizessem essa gentileza. Disse que mais tarde me enviaria uma mensagem escrita com os números de telefone.

Não tendo recebido resposta enviei SMS a um sacerdote de uma paróquia que dista 4 kms daqui. O pedido era igual. Mas também o sacerdote não respondeu.

À 1:06 horas da manhã e dada a ausência de uma resposta da pessoa X, escrevi-lhe um SMS com o seguinte teor: Não se esqueça de mim, por favor.

Nunca me respondeu. Paciência.

Lembrei hoje que num lar perto da minha casa os ministros extraordinários da comunhão de outra paróquia visitam os utentes aos Domingos de manhã. Liguei para esse lar, expliquei a situação e deixei o meu contacto.

Foi um desses ministros, o Senhor Soares, que me trouxe a desejada comunhão. 
Pobre coitado homem de Deus teve de voltar primeiro à igreja e ao Sacrário pois não tinha mais hóstias consagradas. Agradeço-lhe imenso o gesto e atitude cristã.

Compreendi hoje a grande importância destas pessoas. São fundamentais e devem ser muito estimadas. Contudo, nem todos os ministros extraordinários têm vocação ou condições para o ser.

Retomo. No fim e ao sair da minha casa, ofereci-lhe uma pagela de São Josemaria e prometi entregar algumas dores por ele. Compenso-o dessa forma. Ele ficou grato e eu grato fiquei.

Foi uma espécie de odisseia. Tive de "viajar" muito para receber Nosso Senhor.

Não entendo a razão de Deus me ter provado. Às páginas tantas parecia um capricho meu. Parecia surreal. Queria comungar e ninguém se chegava à frente.
Mas Deus permitiu tudo isto. Quereria saber se eu desistiria facilmente ao primeiro obstáculo? Não parece. Acredito antes que me fez a prova para O desejar mais e mais, lutar por Ele, ir ao limite para O receber. Mas só Ele saberá.

Gostava muito que na minha paróquia me tivessem ligado a perguntar como estava e se precisava de alguma coisa. Prefiro pensar que desconhecem a minha situação ou tenham assumido que não comparecemos as duas missas dominicais por estarmos em gozo de férias.

Assisti à Santa Missa pela televisão, deitado. Reflecti muito com o sacerdote e aqui partilho a reflexão.  

A palavra do Senhor propõe uma reflexão muito séria sobre a indiferença. O Senhor provoca-nos. Fala aos fariseus que viviam certinhos, limpinhos e cumpriam todos os preceitos. Porém, faltava-lhes o resto, o essencial. Ao contrário, criticavam muito. Havia neles hipocrisia e indiferença.

Assim também nos falou o Profeta Amós que foi o primeiro Profeta a escrever no século nono antes de Cristo. Naquela altura vivia-se bem em Israel mas vivia-se igualmente com indiferença.
Os israelitas vivam bem mas viviam igualmente com enorme indiferença perante os demais, "sem se compadecerem da ruína de José".
Quem é este José? Amós cita José, o filho rejeitado de Jacob, o mais novo de doze irmãos, que foi rejeitado pelos irmãos e vendido para o Egipto. Este paralelismo de Amós significa que somos indiferentes perante os os humildes.

Jesus diz o mesmo no Evangelho de forma ainda mais contundente.
Quantas vezes olhamos para o lado? Será que precisam de nós ou vivemos indiferentes perante o próximo?

O problema do rico não foi ser rico. O abismo depois da morte do rico e o pobre já existia antes. O problema do rico que cavou o abismo foi não ter olhado para o lado e ter compaixão para com os irmãos, um amor sincero e cuidado com os outros. Ele não reparou em mais ninguém.

Lucas cujo o Evangelho lemos descreve a igreja primitiva nos Actos dos Apóstolos como um grande espaço de solidariedade, onde as pessoas cuidavam umas das outras. Isto tem de ser dito e ensinado a quem segue Jesus. Deve ser uma matriz dos cristãos.

A indiferença é um problema sério. Na Carta a Timóteo também nos é dito algo importante. Conquista a vida eterna para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. E isto não é coisa pouca.

Medito os textos e lembro o Senhor Soares que olhou para o lado, para quem precisava e não se poupou a esforços para me trazer Jesus vivo. Ele não foi indiferente.
  
Seguir Jesus compromete e traz-nos implicações. Não bastam teorias. Essas tinham os outros e foram repreendidos.

Por último, um à parte. Ramalde tem um grande Padre. É o Padre Mário Henrique Melo.

Santo Domingo.

sábado, 24 de setembro de 2016

Nossa Senhora das Mercês

Hoje é dia de Nossa Senhora das Mercês. 

Esta festa comemora a fundação da Ordem dos Mercedários, dedicada nas suas origens à redenção dos cativos.

Conta uma piedosa tradição que a Santíssima Virgem apareceu certa noite ao Rei Jaime I de Aragão, a São Raimundo de Peñaforte e a São Pedro Nolasco, pedindo-lhes que instituíssem uma Ordem para libertar os cristãos que tinham caído em poder dos muçulmanos.

«Todos os símbolos das imagens de Nossa Senhora das Mercês recordam-nos a sua função libertadora: cadeias quebradas e grilhões abertos, como os seus braços e as suas mãos estendidas oferecendo a liberdade [...], o seu filho Redentor» 1


Mercê significa benefício concedido, graça, favor, serviço prestado por amabilidade ou amizade.

Sempre que estamos aflitos ou preocupados devemos recorrer à Mãe do Céu. 
Façamo-lo instintivamente. Temos inúmeras situações para o fazer. Por exemplo, quantas vezes não lutamos contra o pecado? Por vezes somos ligeiros e pecamos sem dor nem esforço e dizemos à nossa consciências que mais tarde havemos de o acusar diante do sacerdote. Queridos amigos, não basta ir confessá-lo. Antes de sermos vencidos, tenhamos vontade de o vencer. Mas para que tal aconteça e porque nos encontrarmos tantas e tantas vezes fragilizados, é a altura certa para recorrer à Mãe que liberta, pois as suas mãos estão cheias de mercês - graças e dons - para derramar sobre nós.

A melhor maneira de não ceder ao pecado é não dialogar com o Inimigo. Ele ladra mas morde apenas se nos aproximarmos demasiado. Quando ocorre a tentação (ei-lo ao nosso lado), devemos recorrer a Nossa Senhora. Imediatamente. Depois, lutar. 
Não devemos esquecer que não resistimos até ao sangue na luta contra o pecado, como nos recorda São Paulo na Carta aos Hebreus (Capítulo 12).

Gosto particularmente da frase Vae Victis atribuída a Brenno aquando da conquista de Roma no ano de 390 antes de Cristo. Significa Ai dos vencidos e é usada para lembrar que o vencido (Inimigo) está à mercê do vencedor (nós). Mas para isso acontecer, luta-se. 

Nós, cristãos católicos, temos mil maneiras de recorrer a Maria. Pela oração do Terço, por via de jaculatórias, quando encontramos imagens na rua, quando ladeamos uma igreja ou vemo-la lá ao longe,  ou cruzamos o nosso olhar com uma imagem que tenhamos na nossa casa...

«Mulher, eis aí o teu filho.» Ao aceitar João como filho, foram-lhe confiados todos os homens.
São João recebeu Maria em sua casa e cuidou dela com extrema delicadeza até subir aos céus em corpo e alma.
Há um convite expresso a todos os cristãos a receberem Maria em sua casa. Mais que em casa, nas suas vidas.

E devemos receber Nossa Senhora não com delicadeza mas com extrema delicadeza. 
Na nossa casa temos várias imagens da Virgem, um quadro muito bonito que nos foi oferecido de Nossa Senhora da Conceição, um pequeno oratório com imagens da Virgem junto ao genuflexório e ao lado da imagem da Sagrada Família um cesto cheio de Terços para nós e para quem se queira juntar ao Terço em Família. Um detalhe. No pequeno oratório, a imagem de Nossa Senhora de Fátima tem sempre uma flor, comprada em cada Domingo ou apanhada da nossa roseira.

Procuramos assim ter esta relação de proximidade e educamos os filhos de igual maneira. Enquanto este texto era escrito, convocámos a casa para o Ângelus, ao meio dia. São estes pormaiores que se educam e mantém a relação viva. Todas as relações carecem de mimo, cuidado, delicadeza e cumplicidade. Maria está sempre à nossa espera.
  
1 - A. Vázquez, Santa Maria de la Merced, Madrid, 1988, Página 86  

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sou-vos muito agradecido

A cirurgia correu muito bem e menos de 24 horas depois de realizada tive alta médica.

Neurocirurgião, anestesista, demais médicos, enfermeiros e auxiliares foram excelentes profissionais. 

A Unção do doentes e a correspondência enorme por parte dos meus amigos sacerdotes, dos meus amigos católicos, da minha família católica, dos meus amigos não católicos que a meu pedido rezaram uma Avé-Maria por mim, a correspondência das minhas queridas Irmãs Carmelitas e inclusive a oração das pessoas que lêem o Blogue Família em Movimento tornaram tudo mais fácil.


A cirurgia foi oferecida por uma pessoa. Talvez agora compreenda a razão da Venerável Montse Grases não ter agarrado o meu caso, uma vez que tanto lhe pedi. Sempre disse ao meu Director Espiritual que todas as causas têm uma causa e eu queria ser a sua causa. E rezei por isso.
Contudo, a cirurgia tinha mesmo de ser realizada e oferecida por uma pessoa concreta. Era a vontade de Deus. O Senhor assim providenciou.

Um obrigado enorme a todos os que estiveram comigo. 
Um obrigado enorme à minha família. Incansáveis.
Um obrigado enorme às minhas outras duas famílias. Got it?
Um obrigado enorme aos que cuidaram de mim. 
Um obrigado enorme aos que por mim rezaram. 
Um obrigado enorme a quem deu apoio à minha família. 
Um obrigado enorme a quem me telefonou.
Um enorme obrigado a quem me escreveu.
Um obrigado enorme a quem me visitou. 
Um obrigado enorme ao senhor Jorge que me levou a comunhão ao quarto do hospital, 
Um obrigado enorme ao médico que me encaminhou para os médicos que me trataram. 
Por fim, um obrigado enorme a quem me operou.

Que Deus abençoe a todos.

Menos de 24 Horas após a realização da cirurgia tive alta médica tendo regressado a casa. Sei que o sucesso esteve relacionado com a categoria dos profissionais que me trataram mas igualmente pelas muitas orações feitas em missas, terços, mortificações, recolecções e orações várias. Tenho certeza que o Senhor esteve no bloco operatório auxiliando os médicos que fizeram tão bem o seu bom trabalho.

Obrigado a todos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

20.IX.2016

 Quero o que quereis, quero porque o quereis, quero como o quereis, quero enquanto quiserdes.


Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. Amén.

Amigos, uma Avé-Maria por nós nesta data. Obrigado.

FEM

domingo, 18 de setembro de 2016

Contem-me histórias daquilo que eu não vi

Uma comunidade cristã...

Uma comunidade que não fosse mesquinha...

Uma comunidade onde não existissem quintais...

Uma comunidade preocupada com o seu semelhante...

Uma comunidade em que o Padre fosse Pastor...

Uma comunidade que não fosse - tantas vezes - feira de vaidades...

Uma comunidade orante...

Uma comunidade onde as pessoas soubessem o nome das outras...

Uma comunidade onde se rezasse por quem sofre...

Uma comunidade que lembrasse dos fiéis defuntos que um dia a integraram...

Uma comunidade sem ascendente de algumas pessoas...

Uma comunidade com multiplicidade de carismas...

Uma comunidade que fomentasse a integração das crianças na Santa Missa além da obrigatoriedade da catequese até conclusão do objectivo estipulado pelos progenitores dando-se posterior deserção...

Uma comunidade em que os escuteiros além de cantarem melodias delico-doces, assumissem a sua condição cristã todas as semanas...

Uma comunidade em que o Verão e férias escolares não trouxessem o deserto juvenil...

Uma comunidade onde os problemas de cada um fossem rezados...

Uma comunidade onde se fomentasse a prática da Santa Missa diária...

Uma comunidade que fomentasse a prática do sacramento da confissão...

Que raio... quem reza por mim? E por quem rezo eu?
Quem sabe o meu nome. E eu sei o nome de quem?
Ninguém tem problemas? Ninguém precisa das minhas mortificações?
Acaso ocorre à comunidade que eu preciso das suas  orações e mortificações?
Alguém me conhece? Quem conheço eu?
No pasa nada!

Ninguém de mim sabe. Nem o Padre. E eu não sei de ninguém. Mas adivinho existirem pessoas com problemas. E a comunidade não reza por elas. Ou será que reza e apenas eu não sei? Prefiro acreditar que sim. 

Não me valem e não lhes valho. É uma pena...
O que é uma comunidade estanque  em si mesma?
Ao fim e ao cabo... o que é uma comunidade se não o é efectivamente?

Contem-me histórias daquilo que eu não vi... 
Ou melhor, vi. Mas não aqui.

Unção dos enfermos é multivitamínico espiritual.

São Tiago na sua Epístola:
Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. 
A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tg 5, 14-15).

Assim o fiz no dia de ontem para preparar o que aí vem. Os meus agradecimentos ao Reverendo Padre João Luís.

Que perdoem a ousadia, mas diria que este sacramento é um multivitamínico espiritual
Mais forte e robusto... estou pronto!