Família em Movimento

Família em Movimento

domingo, 20 de setembro de 2015

A primeira comunhão, as App e as listas

Hoje foi dado o pontapé de saída para mais um ano de catequese. Ainda que tenha sido informal, foi realizada uma reunião com as datas importantes do ano que se presta a iniciar.

Falta pouco, muito pouco, para a primeira comunhão da nossa filhota do meio.

Há pouco perguntou: “Pai, tenho pensado nisto… a que saberá a hóstia?
A mãe respondeu lembrar-se do sabor da hóstia quando fez há muitos anos atrás a primeira comunhão: nada mais, nada menos que… bola de Berlim! UAU!


O pai tomou a palavra e explicou o mais importante na primeira de muitas comunhões. Mas entende-se muito bem esta expectativa de quem se aproxima de mais um novo sacramento, nomeadamente a sagrada comunhão. 

É tão normal e legítimo que nesta tenra idade se procure adivinhar o sabor das coisas. Mas também é importante fazer compreender, em linguagem acessível e adequada, o que realmente importa, o que é essencial e acessório.

A filhota está motivadíssima. Gosta muito da catequista que é proactiva e meiga para os miúdos, cativando-os. Está muito bem entregue. 


A par, há hoje como ontem muito trabalhinho feito em casa. É em casa que se educa. A catequese complementa.

Escrevemos igualmente sobre as App. Os telemóveis são parte integrante das nossas vidas neste século. A sua função não é mais limitada aos telefonemas em si. Não, eles carregam imensos conteúdos.

Existem App muitíssimo boas e que nos ajudam a manter ordem na nossa vida cristã. Usamos uma que nos recorda com sons de alerta que “é hora de…”. Pode ser hora de oferecer as obras do dia, de leitura do Novo Testamento, da oração da manhã, do Ângelus, da leitura espiritual, do Terço, de colocarmos a água benta, etc. 

A app também oferece vídeos e links de meditação diária. Usamos uma App que nos auxilia ao longo do dia e na qual marcamos o que fazemos.

É uma App tão boa que nos permite ir além do seu conteúdo. Isto é, podemos fazer os nossos escritos, as nossa orações (ainda ontem à noite foram colocadas várias em latim) e… as listas.

Há dias pensou-se em criar listas. Listas de pessoas por quem devemos rezar por esta ou outra razão, pessoas que se confiam à nossa oração, pessoas que nos são próximas, pessoas que trabalham connosco, pessoas que procuramos aproximar dos meios de formação e, também importante, uma lista de pessoas que já nos deixaram. É tão bom lembrar os nossos e lembrar as pessoas simpáticas e boas com as quais tivemos a dita de nos cruzar ao longo da vida. 

Alguém rezará por elas? Não sabemos. Mas nós queremos fazê-lo. Para que ninguém fique fora do esquecimento criámos pois as listas que aumentam diariamente.

Por falar naquela última lista e para concluir esta reflexão que partilhamos, é muito importante rezar pelas benditas almas que estão no purgatório. Além de rezarmos por elas, podemos oferecer os nossos terços e as missas em que estamos presentes. 

Podemos ajudar estas almas e elas, porque delas nos lembramos, poderão ser fortíssimas aliadas na nossa jornada peregrina. É bom, muito bom, ter uma rectaguarda forte. As almas do purgatório, os Santos a quem nos confiamos e que por nós intercedem, a oração dos nossos irmãos, a ajuda sempre fiel e presente dos nossos anjos da Guarda e a protecção poderosíssima de Nossa Senhora constituem um braço armado muitíssimo poderoso que nos guarda individualmente e à nossa família.

Partilhamos no fim do texto um documento em pdf que encontrámos ontem na net. Inúmeras orações que nos auxiliam a ter - em conjunto com a App - uma vida interior assídua. 
Pode ser encontrado aqui.      

sábado, 19 de setembro de 2015

Rumo ao Carmelo de São José em Fátima

As nossas queridas Irmãs Carmelitas de Fátima aceitaram o nosso pedido e os "Santos para brincar" (Carmelitas), feitos pela FEM, estarão à venda no Carmelo de São José em Fátima, junto com os trabalhos efectuados pelas Irmãs.
Bem-hajam

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ler +


- Que erros neste e-mail! Tens lido? (pergunta de retórica…)
- Não, pai.
- É notório. Muito bem, vamos estabelecer um plano de grupo.

E assim foi. Já lá vamos.

Temos por certo que as crianças bebem dos exemplos dos pais. Mas… nem sempre é uma evidência. Pensamos que o gosto pela leitura depende de criança para criança. Há crianças que gostam e outras que evitam.

Ainda assim, mesmo as que não são adeptas de ler, ganham mais se virem os pais a fazê-lo.

Nós, por cá, gostamos de ler. E lemos.


Em casal lemos três livros em simultâneo: Esposos e Santos de Ludmila e stanislaw Grygiel, Nascemos e Jamais Morreremos – Chiara Corbella Petrillo, de Simone Troisi e Cristiana Paccini e José, O esposo de Maria de M. Fernando Silva.

Individualmente lemos ainda outros livros. O marido está a ler Saxum de John F. Coverdale e a esposa Amigos de Deus, de Josemaria Escrivá.
Ao fim de semana compramos sempre o jornal Público. Temos este gosto de ler e sentir o cheiro do papel do jornal.

Todavia e apesar de nós pais termos este gosto, os nossos filhos têm alguma relutância em ler.

Como tal, propusemos um plano de leitura para cada um e eles aceitaram o desafio.

Assim, o mais velho está a ler “O oráculo do velho mandarim” de Mafalda Moutinho; a do meio “Uma aventura nas férias do Natal” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e a mais nova como também não quis ficar de fora escolheu “Uma aventura em viagem”, porque o livro é cor-de-rosa (é um bom critério!).

Claro que esta ainda não sabe ler, mas quando os irmãos estão dedicados à leitura ela faz exactamente o mesmo. E até parece que sabe ler!

O nosso plano de leitura consiste em ler um capítulo por dia do livro escolhido e posteriormente escrever o resumo desse mesmo capítulo, bem como procurar no dicionário palavras que não conheçam.

Resultou, os três estão empenhados.

Acreditamos que inicialmente o façam por compromisso e obrigação. Contudo, contudo cremos que ganharão gosto pela leitura.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Devemos partilhar com os filhos?


No seio da família deverão os problemas serem partilhados com os filhos?
Há quem pense que sim e quem pense que não.

Na nossa família pensamos que sim.

Entendemos que os filhos não devem ignorar a realidade. Não há uma realidade dos pais e uma realidade dos filhos. 

Há uma única realidade: a da Família.

Por outro lado, confiamos a totalidade da nossa vida e das suas vicissitudes ao Senhor da Vida. Tantas e tantas vezes pedimos aos filhos que rezem pelos pais, que rezem pelos familiares doentes, que rezem por outras intenções.



Por que razão? Por um lado abrem-se à vida interior desde pequenos; por outro, sabemos dos Evangelhos que Jesus amava muito as crianças sendo estas as predilectas do Seu coração. Aliás, recomendava aos adultos a serem como crianças.

Temos a noção clara que as orações feitas pelas crianças são muito queridas e muito atendidas, nomeadamente quando Jesus percebe serem feitas por crianças que têm relação diária com ele, intimidade.

A nossa família assenta em cada membro que integra. Assumimos que entre muros não podem haver segredos. Incentivamos à partilha. Vivemos e saboreamos as coisas boas como nos unimos nas más.

O cuidado que temos é a forma como partilhamos. Não podemos falar com a mais nova como falamos com o mais velho. Não há uma receita ou modelo generalizado. Não. Há que saber como falar de tudo na linguagem e grau de cada um. No fim, todos ficam com o sentido da realidade.

Quando pedimos aos nossos filhos que rezem por esta ou por aquela intenção sabemos à partida que os mais velhos talvez oferecerão uma dezena e a mais pequena uma Avé-Maria. Não está em causa a quantidade das orações mas a intenção com que as fazem. Decerto com os seus corações simples agradarão a Jesus e a Maria.

FEM recomenda

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Tenta mais forte que a tua melhor desculpa


O inimigo ladra mas não morde excepto… se nos aproximarmos excessivamente.

O inimigo ronda-nos todos os dias. É sugestivo. Inclina ou procura inclinar-nos. É apelativo. Por vezes monta esquemas velados.

Das duas, uma: ou temos discernimento para o perceber ou embarcamos acreditando que o caminho sugerido mentalmente apenas é fruto da nossa razão.

Uma pequena estória para ilustrar o que se escreve. Hoje, Quarta-Feira, tenho uma recolecção.

Há dias descreveram as recolecções como algo tão parecido quanto o que Jesus fazia aos seus, quando os reunia, quando os chamava aparte, quando os convocava para fora das multidões, para fora do ruído. Uma espécie de “agora, nós.”


As recolecções são esse encontro onde fugimos do ruído que nos rodeia e estamos diante do sacrário e o sacerdote nos fala sobre o tema ou temas escolhidos para o efeito.

No Sábado o entusiasmo era tal que convidei um amigo para me acompanhar. Lembro de lhe dizer “anda daí, faz bem parar e meditar e viremos com as energias renovadas”.

Até aqui, nada de extraordinário. Mas o inimigo vê. E começa a pensar num esquema.

O primeiro foi o futebol. A sugestão que me foi dada foi a seguinte: Quarta-Feira é dia de Champions League. Bons jogos.
A recolecção tinha de ser marcada para dia de Champions? Para o mês que vem há outra.
Tudo era sugestivo. Imaginei-me no sofá a ver um bom jogo de futebol.
Mas… não. Recusei. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não misturemos. Se quiser puxo o jogo para trás através do comando e vejo-o mais tarde ou até no dia seguinte. 
Vou à recolecção!!

Ora, o inimigo havia perdido a primeira batalha. Vencido? Nem por sombras.

Hoje antes das sete horas da manhã ocorreu-me mais uma sugestão. Está vento forte e chove à farta. Logo à noite deve estar ainda pior.
Vou sair com vento e chuva e chegar a casa às quinhentas?
Fica em casa sossegadinho que o tempo está mau e vê a Champions.

Caramba! A desmotivação começava às 07:00H e a recolecção ocorrerá às 21:30H. Que subtileza. O primeiro pensamento do dia. O tempo era o pretexto para dar uma balda.
Percebi então que o inimigo não havia desistido de me demover. Sorri. E ele detesta quando sorrimos ou rimos dele.
Que se lixe o tempo. Vou à recolecção!!

Dois zero! Mais tentativas e arrisca goleada…

Concluímos que tudo o que escrevemos e fazemos em família fica tão fácil de desmontar.
A grande dificuldade que encontramos é construir. Todas as catedrais foram construídas tijolo após tijolo, um após o outro. Assim são as famílias. A educação que damos aos nossos filhos, as ideias que cimentam o nosso caminho, as opções livres que tomamos, entre outras.
Custa a construir mas dará frutos.
E tudo quanto construímos está a um simples clique de ser destruído.
As sugestões são inúmeras e apelativas.

O inimigo é como um cão preso a uma corrente. Ladra. Todavia, apenas morde se nos aproximarmos excessivamente. Tenhamos a capacidade de perceber o que nos é sugestionado e meditemos a origem e a razão da sugestão.

As famílias estão muito expostas. E muitas encontram-se vulneráveis. O inimigo ladra e faz-se ouvir. Cuidado. Não se estique demasiado a mão.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Uma casa arrumada significa ordem que conduz à eficácia

Uma casa arrumada significa existência de ordem e esta conduz à eficácia.

Consideremos duas ordens diferentes de "casa". Consideremos a nossa casa morada de família, por um lado. E consideremos a nossa casa interior, por outro.

Se ambas estiverem arrumadas será muito bom sinal.

A casa que habitamos deve ser espelho da ordem da nossa vida interior. Uma pessoa arrumadinha por dentro, em regra, gosta de ver o exterior ordenado. Nada fora do sítio e cada coisa a ocupar o seu lugar devido.

Esta arrumação das "casas" é, no nosso entendimento, excelente testemunho e tremendo sentido de educação cristã.

Escrevemos este texto para partilhar um déja vu que nos fez sorrir. 


Há dias, conforme anteriormente partilhado, fomos à paróquia do Monte de Caparica assistir à missa vespertina com o Padre Joaquim Pedro Quintella.

Este sacerdote é o sacerdote da minha conversão.

Há mais de vinte anos atrás lembro-o activo e com a suprema preocupação de manter as casas interiores dos adolescentes em ordem. 
Lembro-o agarrar com a sua mão o meu pescoço e dizer "anda daí". O "anda daí" significava um passeio a pé junto do rio para me confessar. Era assim comigo e com muitos outros jovens.

Outras vezes e do nada soltava: "Cavaco, já te confessaste?". Oppsss... não dava espaço. Não havia possibilidade. Era uma espécie de "entrada a pés juntos", conforme se diz na gíria futebolística. Eramos parados literalmente e não havia como lhe dizer não. Ainda bem que assim era.

Nas homilias era frequente apelar ao sacramento da reconciliação.

Antes da comunhão era frequente lembrar à assembleia quem estava em condições de comungar e, mais importante, dizer expressamente quem não estava.

Alto e de batina, magro e com um sentido de humor refinado foi o Padre a quem devo ser cristão.

Ora, nesta última missa fomos comungar. Eu e a minha mulher. No fim da eucaristia e depois de se desparamentar, veio cumprimentar-nos ao átrio da igreja.

Antes de qualquer conversa, rematou: "Cavaco, os teus filhos não têm a primeira comunhão?"
Respondi: "O mais velho sim mas na semana passada não foi à missa por ter estado em casa de familiar pelo que esta semana não comungou."

O Padre Pedro ouviu e rapidamente disse ao nosso filho: "Rapaz, queres confessar-te?"

Eu e a minha mulher sorrimos. Ei-lo vinte anos depois com a mesma postura, a mesma preocupação, o mesmo sentido do céu, o mesmo anseio de colocar os jovens em graça para receberem a sagrada comunhão.

Foi o mesmo Padre Pedro Quintella de sempre, atencioso. 
Reparou que nenhum dos nossos filhos havia comungado e isso intrigou-o. E enquanto não sanou a dúvida não descansou. E em quem podia intervir, interviu como um médico que cura a ferida e procura que não infecte excessivamente. Curar de início, ainda que arda. 

Este pequeno texto é uma exortação para que tenhamos a suprema preocupação de manter as nossas casas arrumadas. É de uma importância extraordinária. Sabemo-lo hoje e passamos esse significado aos nossos filhos. Que tenham ordem e que esta os conduza a maior eficácia.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A Cruz

Hoje comemora-se a festa da Exaltação da Cruz.

A Cruz é um símbolo de dor e sofrimento para quem não crê. E um símbolo de libertação, de esperança e acima de tudo de Amor para os crentes.


O  que distingue um cristão de um não cristão é, entre tantas outras coisas, a aceitação da Cruz (dos sofrimentos, das contrariedades de cada dia).


Todavia, e apesar de ser verdade o que acabámos de escrever seria mentira se afirmássemos que na nossa vivência familiar sempre aceitámos as nossas cruzes.




Por vezes, é complicado aceitar este ou aquele sofrimento que se nos apresenta sem esperarmos.

Por vezes, tentamos a todo o custo encontrar respostas e soluções onde não existem.

E sofremos com isso. Desesperamos. Ocupamos a cabeça e o nosso tempo com preocupações inúteis.
Esquecemos que nem tudo depende de nós. E que para tudo existe uma solução, mesmo que não a consigamos ver à primeira vista.

Por aqui, costumamos dizer : “se não está nas tuas mãos deixa-te ir, Deus providenciará. E em breve saberás o que te quer dizer.”

Aprendemos isto nesta aceitação, neste abraçar a cruz de cada dia com confiança e sem medo. 

Não há sofrimento nenhum que vivido com Cristo não se converta em alegria.

Neste caminho que fazemos diariamente em Família aprendemos que Deus Pai cuida, protege-nos, defende-nos e acima de tudo providencia o que na verdade nos faz falta.

Por último, chamamos cruz ao que não é. Qualquer ninharia que saia fora da rotina e que implique um pouco de desgaste… é cruz. Não é e sabemos não ser.

Mas também é verdade que por vezes temos mesmo uma cruz. A essa, devemos aceitar e pedir ajuda ao Senhor. Humildemente saibamos oferecer e pedir ajuda ao Mestre, como crianças, para que o Senhor nos ajude a carregar. E o Senhor, que ama a nossa pequenez e ama um coração humilde, ajudará. Aí, tudo se tornará mais leve.

Saibamos colocar a nossa Família com o olhar fixo ao Céu.

domingo, 13 de setembro de 2015

O pequeno Francisco foi baptizado

O pequeno Francisco foi hoje baptizado na eucaristia dominical.
Que bom ver a família reunida em torno do sacramento e que bom é para uma comunidade ver que os seus baptizam os filhos pequeninos.

Os pais são católicos praticantes e a mãe foi catequista. Todos os Domingos encontramos esta família na missa:pais, filhos e avós.

Hoje o Francisco foi baptizado diante da sua comunidade. É um testemunho de renovação, por um lado e, por outro, um testemunho para o exterior. 
Os pais não esperam que o petiz crescesse para decidir. Não, estes pais cumpriram a sua legitimidade de educadores católicos, pessoas integradas numa comunidade cristã e família católica e pediram o baptismo à Igreja para o seu filhote de quatro meses.

Para a comunidade foi igualmente um gosto. É muito bom assistirmos à celebração do sacramento do baptismo na eucaristia dominical munidos de resposabilidade cristã. Ao estarmos no baptismo do Francisco ficamos com a certeza que crescerá e será educado catolicamente e quando assim é, é um dia de festa para toda a comunidade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Sagrada Família e as nossas famílias


O modelo da vida familiar cristã é, sem margem para dúvidas, a Sagrada Família.

É para ela que apontamos os nossos olhares para nos guiarmos na jornada peregrina de cada dia.
É para o modelo da Sagrada Família que olhamos quando nos queremos identificar com caminho familiar de santidade.
Por fim, é à Sagrada Família que nos confiamos.


Mas se é modelo é porque encontramos pontos comuns à nossa vida familiar.
A Sagrada Família viveu tensões, dores, doenças, perdas, preocupações, desaires e ainda assim, fiéis, caminharam serena e paulatinamente para a santidade.

Todos sabemos como foi a concepção, o nascimento, a fuga para o Egipto entre outros episódios que não são relatados. Mas é importante pensar nestes últimos.


Durante a vida pública de Jesus temos os relatos dos Evangelhos. Mas… e os trinta anos de vida que não nos são relatados. Como terão sido?

Com toda a certeza iguais aos nossos. Jesus crescia em graça e sabedoria. Imaginamo-lO a aprender de José e Maria. Imaginamo-lO a trabalhar, a brincar, a respeitar os seus pais. Imaginamo-lO com os seus amigos. Imaginamo-lO igualmente doente nos braços ternos da Mãe e nas preocupações de José.

E quando Jesus visitava os avós? Santa Ana deliciava-se. E quando brincava com João Baptista, longe do olhar dos pais, preocupando Santa Isabel e Zacarias, Maria e José?

Imaginamos Jesus como uma criança normal que depende da ternura de Maria e do vigor de José.

Por falar em Maria e José, terão tido uma vida fácil?
Nem por sombras. Tiveram dificuldades como nós.

José trabalhava para sustentar a família. Maria cuidava da família. Jesus crescia.

Terá faltado dinheiro? Certamente.
Terá faltado aqui e ali saúde? Sem dúvida.
Terão chorado? Como crianças.
Terão tido preocupações? A pensar no episódio da perca e encontro de Jesus… imagine-se os episódios que não nos foram contados.
Terão sofrido perdas e dissabores? Naturalmente.

Tudo o que vivemos, viveram Maria, José e Jesus. E são modelo. Porque foram fiéis, porque confiaram, porque não desesperaram diante das vicissitudes e dificuldades que foram surgindo. Entregaram-se até ao fim.

Gostamos de pensar na Sagrada Família desta forma, semelhante à nossa. Gostamos de procurar caminhar como esse modelo que nos foi dado.

Gostamos de nos entregar nas mãos de Maria, José e Jesus porque queremos que no fim da jornada terrena sejamos recebidos como seguidores de um modelo de santidade.

O tempo de merecer é aqui. Não é no Céu ou Purgatório. É aqui, hoje, agora.

Saibamos confiar e confiar-nos à Sagrada Família.

Saibamos perceber que os tempos de Deus não são os nossos.

Saibamos entregar as nossas dificuldades e preocupações. Entreguemos tudo. Tudo.

Findamos. Nessa confiança devemos ser serenos e não permitir que as preocupações sobre acontecimentos futuros nos roubem a paz e o tempo, nomeadamente quando em relação àquelas nada possamos fazer. Ontem surgiu uma preocupação para hoje. Não a sabíamos resolver. Não estava nas nossas mãos fazê-lo.
Confiámos. E dissemos um ao outro o que Santa Teresa de Ávila respondeu a Maria do Sacramento.

Perguntou esta: “Madre, se eu morresse agora o que faríeis vós sozinha?”
Respondeu Santa Teresa: “Irmã, se isso acontecer, então pensarei no que fazer; agora deixe-me dormir.”

Confiemos. Não nos perturbemos. Podemos dizer que hoje a preocupação de ontem havia sido resolvida sem a nossa intervenção. Deus providencia. No seu tempo, quando quer, como quer, onde quer.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Fazer muito com pouco

O mês de Setembro é caracterizado pelo regresso dos alunos à escola. É tempo de comprar os manuais escolares e os respectivos materiais.


Por aqui, ontem foi dia de irmos comprar o material escolar.


Antes de o fazermos juntámos todo o material que havia restado do ano anterior. Separámos o que ainda se pode utilizar do que já não tem uso possível. E depois fizemos a lista do que realmente era necessário comprar.


Já no hipermercado encontrámos uma panóplia grande de material escolar, uns mais simples e outros cheios de super-heróis e princesas que arregalam a vista dos mais pequenos.

Fomos em Família e já antes, enquanto foi escolhido o material do ano anterior, conversámos sobre esta questão. O material não irá faltar a ninguém, mas temos de selecionar o que realmente é importante.

Compreendemos que o caderno e o lápis das princesas ou dos super-heróis são muito mais apelativos, contudo o caderno de capa preta uns euros mais barato tem a mesma utilidade. O importante é estudar.

Curioso que aquando da escolha do material no hipermercado, e apesar do chamariz de tantas coisas, os nossos filhos não esqueceram o que havíamos conversado, e mantiveram-se atentos aos preços e ao essencial.

O mais velho esteve muito desperto, e chegou a chamar-nos a atenção para um conjunto de canetas mais baratas do que as que havíamos colocado no carrinho.

À noite elogiámos todos pelo seu comportamento, dando algum ênfase à atitude do mais velho.

Para nós é muito importante que os nossos filhos saibam distinguir o que  é essencial do que é supérfluo e que compreendam que podemos fazer muito com pouco!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Papa decreta novas regras na nulidade do casamento

É a terceira reforma nas regras da declaração de nulidade de casamentos em 2000 anos de Igreja Católica e apareceu de surpresa. Ou talvez não…


Não se trata de todo da dissolubilidade do casamento católico,  este continua a ser INDISSOLÚVEL (documento escrito pelo Papa Francisco). Todavia, existem razões e acontecimentos que poderão decretar a nulidade do casamento religioso.

“Assim, além de "falta de fé" e do "engano que vicia a decisão", da "ocultação dolosa da esterilidade ou de uma grave doença contagiosa ou de filhos nascidos de uma relação anterior ou de uma prisão", da "loucura medicamente comprovada" e "da violência física infligida para obrigar ao consentimento [no casamento]", fala-se também de situações que parecem pôr em causa a ideia de que a declaração de nulidade de um casamento não pode ter em conta factos ocorridos após o mesmo ou que são pura e simplesmente muito difíceis de entender à luz do que se sabe dos ensinamentos da Igreja Católica. É o caso da "brevidade da convivência conjugal", da "obstinada permanência numa relação extraconjugal à altura das núpcias ou imediatamente a seguir", "da causa do matrimónio em tudo estranha à vida conjugal ou consistindo na gravidez imprevista da mulher" e "o aborto procurado para impedir a procriação". (Diário de Notícias de 9 de setembro de 2015)

Na aparência nada muda nos motivos que poderão levar à nulidade do casamento católico. Contudo, a morosidade do processo torna-se mais célere e gratuito.
“No documento, o Papa Francisco pede que "a gratuitidade do procedimento seja garantida, para que a igreja, num assunto tão ligado à salvação das almas, possa demonstrar a gratuitidade do amor de Cristo".” (Público de 9 de setembro de 2015)
Outra mudança importante que contribuirá para a rapidez do processo é o facto de este ser da responsabilidade dos Bispos de cada Diocese.

A Igreja tem de se colocar ao serviço dos homens ajudando-os na salvação das suas almas. Em tempos o Papa Francisco comparou a Igreja a um hospital de campanha depois da batalha  "em que é preciso sarar as feridas e só depois tratar do resto": "Àqueles que têm ferimentos especiais – um casamento nulo desde o início –, vamos dispensar cuidados intensivos." (Público 09/09/15)

Atendendo à notícia, salvo melhor opinião, achamos que cada Diocese deverá ter o seu tribunal eclesiástico e neste, uma bolsa de advogados creditados.
Tal não sucede hoje em dia. Por exemplo, os cristãos de Setúbal rumam ao tribunal eclesiástico de… Lisboa.
Sucede que a creditação tem regras e implica um curso que tem custos. É caro. Ora, questão pertinente que se coloca face à nova realidade é quem suportará os custos da formação: os advogados de per si ou a diocese? O ainda custos partilhados?
É que é difícil aceitar que um advogado suporte a sua própria formação não tendo expectativas, no mínimo, de obter retorno do que despendeu com ela.