O modelo da vida familiar cristã é, sem
margem para dúvidas, a Sagrada Família.
É para ela que apontamos os nossos
olhares para nos guiarmos na jornada peregrina de cada dia.
É para o modelo da Sagrada Família que
olhamos quando nos queremos identificar com caminho familiar de santidade.
Por fim, é à Sagrada Família que nos
confiamos.
A Sagrada Família viveu tensões, dores,
doenças, perdas, preocupações, desaires e ainda assim, fiéis, caminharam serena
e paulatinamente para a santidade.
Todos sabemos como foi a concepção, o
nascimento, a fuga para o Egipto entre outros episódios que não são relatados.
Mas é importante pensar nestes últimos.
Durante a vida pública de Jesus temos os relatos dos Evangelhos. Mas… e os trinta anos de vida que não nos são relatados. Como terão sido?
Com toda a certeza iguais aos nossos.
Jesus crescia em graça e sabedoria. Imaginamo-lO a aprender de José e Maria.
Imaginamo-lO a trabalhar, a brincar, a respeitar os seus pais. Imaginamo-lO com os
seus amigos. Imaginamo-lO igualmente doente nos braços ternos da Mãe e nas
preocupações de José.
E quando Jesus visitava os avós? Santa
Ana deliciava-se. E quando brincava com João Baptista, longe do olhar dos pais, preocupando Santa Isabel e Zacarias, Maria e José?
Imaginamos Jesus como uma criança normal que depende da ternura de Maria e do vigor de José.
Imaginamos Jesus como uma criança normal que depende da ternura de Maria e do vigor de José.
Por falar em Maria e José, terão tido
uma vida fácil?
Nem por sombras. Tiveram dificuldades
como nós.
José trabalhava para sustentar a
família. Maria cuidava da família. Jesus crescia.
Terá faltado dinheiro? Certamente.
Terá faltado aqui e ali saúde? Sem
dúvida.
Terão chorado? Como crianças.
Terão tido preocupações? A pensar no episódio da perca e encontro de Jesus… imagine-se os episódios que não nos foram contados.
Terão sofrido perdas e dissabores?
Naturalmente.
Tudo o que vivemos, viveram Maria, José
e Jesus. E são modelo. Porque foram fiéis, porque confiaram, porque não
desesperaram diante das vicissitudes e dificuldades que foram surgindo.
Entregaram-se até ao fim.
Gostamos de pensar na Sagrada Família
desta forma, semelhante à nossa. Gostamos de procurar caminhar como esse modelo
que nos foi dado.
Gostamos de nos entregar nas mãos de
Maria, José e Jesus porque queremos que no fim da jornada terrena sejamos
recebidos como seguidores de um modelo de santidade.
O tempo de merecer é aqui. Não é no Céu
ou Purgatório. É aqui, hoje, agora.
Saibamos confiar e confiar-nos à Sagrada
Família.
Saibamos perceber que os tempos de Deus
não são os nossos.
Saibamos entregar as nossas dificuldades
e preocupações. Entreguemos tudo. Tudo.
Findamos. Nessa confiança devemos ser
serenos e não permitir que as preocupações sobre acontecimentos futuros nos
roubem a paz e o tempo, nomeadamente quando em relação àquelas nada possamos
fazer. Ontem surgiu uma preocupação para hoje. Não a sabíamos resolver. Não
estava nas nossas mãos fazê-lo.
Confiámos. E dissemos um ao outro o que Santa Teresa de Ávila respondeu a Maria do Sacramento.
Perguntou esta: “Madre, se eu morresse
agora o que faríeis vós sozinha?”
Respondeu Santa Teresa: “Irmã, se isso
acontecer, então pensarei no que fazer; agora deixe-me dormir.”
Confiemos. Não nos perturbemos. Podemos
dizer que hoje a preocupação de ontem havia sido resolvida sem a nossa
intervenção. Deus providencia. No seu tempo, quando quer, como quer, onde quer.


















