Família em Movimento

Família em Movimento

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Publicar ou não as fotos dos filhos nas redes sociais/internet

Esta temática há muito está definida na nossa casa porque tempestivamente a discutimos. Por conseguinte, temos ideias muito claras sobre o tema.

Para nós, a publicação de fotografias dos nossos filhos em redes sociais/internet, é ponto assente: não publicamos!

E enumeramos os motivos:
- Não sabemos o que terceiros podem, eventualmente, fazer com as fotografias: se as copiam ou se as utilizam noutras publicações. Em rigor, a partir desse momento deixamos de ter controlo sobre as mesmas;

- São crianças têm o direito à sua privacidade. E ninguém lhes pede autorização para publicar a sua imagem seja em que circunstância for.
Aqui, dir-nos-ão que os pais são responsáveis por essa publicação ou não. Certo.


Mas estarão estes devidamente esclarecidos sobre os perigos da internet?




Em tempos lemos um livro impressionante que nos fez pensar sobre este assunto, levando-nos a definir a regra familiar de não publicar qualquer fotografias de crianças.

O livro, com o título “Levaram-me”, da autoria de Paulo Pereira Cristóvão e baseada na história do pequeno Rui Pedro de Lousada, relata a história de uma criança que é levada por um estranho.

Perguntarão qual o relacionamento directo desta história com a publicação de fotografias dos filhos na internet. Pois bem, a correlação está na forma como os predadores “escolhem” e “encontram” crianças. Entre outros modos, encontram-nas através da internet.

As nossas ideias estão bem definidas. Recomendamos vivamente a quem nos lê que as definam igualmente, de forma esclarecida.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Criticar e nada fazer aproveita a quem?

A sociedade está repleta de temas fracturantes que atingem directamente a Família.
Os temas são conhecidos e por regra, existindo novidade em relação a eles, há uma imediata reacção. Reacção essa que em regra se tem manifestado temporária.
Atrás de cada tema tido por fracturante está essa célula nuclear, a Família. 
Importa escrever duas linhas de meditação.

Por que razão não se aposta em definitivo na Família?

Por que razão não lhe é dado destaque merecido?

Por que razão se assobia para o ar em acto contínuo e quando há algo (por regra acontece algo quando outros se mexem!), é gerada uma reacção de massas?

Vamos ser directos.

Às Famílias, para quando uma aposta decisiva na formação? Para quando a procura de meios que consolidem a vida familiar? 

À Igreja e aos sacerdotes, para quando uma aposta na formação dos leigos? Mas à séria…
Para quando um investimento na catequização, na formação, nas homilias que versem sobre a Família? Para quando uma formação contínua às necessidades dos nossos tempos?
Não basta aqui e ali, quando o calendário litúrgico o lembra, dedicar uma ou outra palavra à Família.

À sociedade, para quando a assunção de valores da Família? Não nos dirigimos aos católicos exclusivamente, pois não temos filtros. A pergunta é transversal.

Porque em rigor, criticar na própria omissão não aproveita a ninguém.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A vocação dos filhos

“Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar‑me das coisas de meu Pai?”

Quem de nós ainda não pensou no futuro dos filhos? O que serão? Terão jeito para quê?

O que aspiramos – legitimamente – para os nossos filhos são sempre coisas boas, positivas. Auguramos-lhes sempre um futuro notável. Que sejam honestos, trabalhadores, bem sucedidos e, para os cristãos, que sejam tementes a Deus.

Ensinamo-os a serem boas pessoas transmitindo-lhes os valores nos quais acreditamos. Mas, acima de tudo e como pais, temos um desejo macro: que os nossos filhos sejam verdadeiramente felizes.

E esta felicidade não se adquire com dinheiro, com sucesso profissional, com tantas coisas que aspiramos e que nos convencemos que adquirindo-as vamos obtê-la. Ora, esta felicidade adquire-se com a entrega ao amor de Deus.

Mas o que é isso do amor de Deus? É algo palpável? É em si abstracto? É materializável? Diríamos que sim.

Como? – a pergunta acertiva. 

Aceitando tudo o que Ele nos dá e proporciona na vida. Parece fácil.

Como pais somos colaboradores de Deus na sua obra. Ele entrega-nos os nossos/Seus filhos para que os preparemos, para que os ensinemos a amá-Lo e a servi-Lo.

Mas é um Deus tão curioso que passa a vida (a nossa e alguns bochechos da d´Ele) a servir-nos. É um Deus giro, comunicativo e com estes pormenores subtis. Na filiação divina é um Pai que cuida zelosamente dos seus filhos, servindo-os. Paradoxo.

Mas, Deus quer sempre mais e mais e aborrecidamente mais de nós. Não chega ainda? Ele responde sempre não.

Pior, se nos responder um “basta” será sinal de que de nós desistiu. Como tal, deixemo-Lo operante.

E nessa reciprocidade, em que ponto nos encontramos? É uma excelente pergunta para meditação pessoal no aspecto da educação e noutros. Isto é, agimos em conformidade ou colocamos as nossas aspirações pessoais no futuro dos filhos para que sejam um espelho do que não fomos?

Vamos a um exemplo. Manuel, pai de família, gostava de ser médico. Mas descobriu que a sua vocação era outra. Contudo, o gosto pela medicina nunca o abandonou. Quando nasceu Martim, seu filho, pensou “este menino vai ser o que nunca fui, será médico”. A verdade é que Manuel capitaliza os sonhos no filho e certamente o condicionará no futuro. ERRADO!

Assim, preparamos os filhos para a descoberta da sua vocação?

Agora uma pergunta mais apertada para os pais: 
- Caros pais, e se essa vocação for religiosa?

Opppsss…. ou nem por isso?

A verdade é tão crua. Conhecemos tantos católicos que ficariam perturbados com uma vocação religiosa dos seus filhos. Confessamos não compreender a razão. Mas ela brota da pergunta feita acima.
Gerimos e capitalizamos expectativas pessoais ou, com muita liberdade, permitimos que Deus opere como quer e quando quer?

O Padre Pedro Quintella terá dito uma vez algo que não esquecemos:

- “Amar é deixar o outro ir com quem mais ama.”

Para nós que escrevemos estas linhas seria uma grande graça! Os filhos que Deus nos concedeu são um verdadeiro dom, um verdadeiro sinal do Amor com que nos ama como casal que somos.

domingo, 12 de julho de 2015

Boas razões para o divórcio

Hoje li um texto que me motivou a escrever outro. 
Chamo-lhe "boas razões para o divórcio". Existem? Claro que sim.

Vou fazer uma espécie de viagem fantasiosa e certamente encontrarei bons motivos para o divórcio. Vou ficcionar (não se assustem...). 
No fim, desmonto o puzzle.


Gosto da minha independência. A sério que sim. 
Depender de terceiros ou fazê-los depender de mim é um cruz aborrecida que me tira espaço e liberdade.

Por outro lado, é enfadonho ver sempre a mesma cara metade. Anos e anos a lidar com uma pessoa - e essa pessoa comigo, o que é ainda mais enfadonho - e saber antecipadamente os gostos e a maneira de pensar. 

Nada é novidade. Foi-o no início. Depois... bom, depois é sempre a mesma coisa.



Nem os temas das discussões são novos. Tudo é mais do mesmo, uma mão cheia de nada.

Gostava de mudar. Ter alguém novo todos os anos. 
Não, todos os meses. Apre! Não, todas as semanas. Não sei o que quero. 
Sei que amo tanto a liberdade que preferia ser livre e sem compromisso para poder fazer o que me desse na real gana sem dar cavaco (bem a propósito) a ninguém.

Bom, o que não quero mesmo é pensar que fico amarrado a uma pessoa uma vida inteira. A vida é tão curta que se não a aproveitar convenientemente morrerei de tédio.

Ups... espera... os filhos. Não pensei neles. 
Acho que não ficam lá muito bem quando discutimos mas, em rigor, terão a sua vida. Devem respeitar a minha e mais à frente façam o que entenderem nas suas. 
Por outro lado são uma pedrinha no meu sapato. Se me divorcio ficam destroçados, verdade. Mas... superam isso. O tempo é sempre um bom amigo e eles, mais cedo ou tarde, superarão o trauma. 
Não são os primeiros e não serão os últimos.

Recordo a noite. As saudades que tenho em sair com os meus amigos à sexta feira, não ter relógio, chegar a casa tarde e não ter de ouvir ninguém. Que saudades... e tudo a um passo de uma decisão que mudaria tudo. Mais um ponto a favor.

Pensando bem... o que ganho de ordenado é repartido. Depesas e mais depesas. Quase não consigo poupar nada. Chapa ganha, chapa gasta.
Com o divórcio ficaria agarrado a uma pensão de alimentos, verdade. Mas... e daí? 
Certamente ficaria com mais do que fico agora e isso é francamente positivo. 
As roupas, os restaurantes, os concertos, as viagens que deixei de fazer... tudo a um passo de uma decisão.

Poderia continuar a escrever e encontraria boas razões para o divórcio.
Alguém me dirá um dia que fui atrás do ego, do egoísmo. Mas... se sou tão imperfeito é porque assim fui criado. Culpem Deus, não a mim.

Meus caros, estas linhas revelam um pensamento que não é o nosso, FEM. 
De qualquer modo, na nossa liberdade de pensamento e acima de tudo pela nossa condição humana, são todos motivos lógicos e ninguém, absolutamente ninguém, a eles está imune.

Quem nos lê sabe que temos um caminho definido e, pese embora as dificuldades que a vida nos apresenta, procuramos não ceder um milímetro do trajecto iniciado.

Todas as realidades expostas acima podem ser contornadas. Assim, desmontando o puzzle, diriamos o seguinte:

Existem muitos bons motivos para negar o divórcio porque não se apresenta como solução. 
A verdade é que "quando não dá mais", é porque falta efectivamente alguma coisa.

O casal precisa de tempo para si. E os avós precisam dos netos mais tempo. Logo, a "escapadinha" mensal é um bom antibiótico e a bula não traz contra-indicações. 

Nesse fim de semana mensal em que os filhos ficam felizes da vida junto dos avós e os pais felizes ficam por estarem sós, o casal pode conversar, namorar, partilhar experiências, partilhar pequenas coisas ocultas que, a não serem erradicadas, minam a relação. 
Este fim de semana a dois é uma espécie de lufada de ar fresco.

Nesse fim de semana, a cozinha fica arrumada. É tempo de ir ao restaurante e sair, conviver, sentir o cheiro da noite, ir a um bar. 

Por outro lado e em referência ao texto, os filhos são sempre uma maravilha e jamais uma pedra no sapato. Precisam de pais que se amem e esse amor que observam será para eles condição de estabilidade. Crescerão mais estáveis quanto encontrarem estabilidade emocional em casa. É factual.

Os esposos de uma vida são algo de belo. 
Viver uma vida inteira a dois não é algo enfadonho porque o amor é sempre renovável e novo. 
Insistimos. Se por acaso ocorrer essa noção (relação enfadonha) é sinal vermelho de que há absoluta necessidade de mudar alguma coisa. Num parágrafo anterior é dada uma dica para quem quiser aproveitar. 

As despesas são algo necessário
Há uma boa solução de partilha: nenhum dos membros do casal deve ter "a sua conta bancária". Antes, uma conta familiar, onde os ordenados de ambos são creditados e onde as depesas da família debitadas.
Se a família é uma só, não devem existir quintais. Muito menos bancários.

E se existem privações, são sempre bem-vindas. Elas conferem uma noção da pobreza que muito nos humaniza.
É bom notar que devemos pedir a Deus quotidianamente "o pão nosso de cada dia". E quanto mais partilhamos, mais temos. Ele é desconcertante.

Ainda em relação às despesas, deve ser elaborado um orçamento familiar mensal e os filhos devem tomar conhecimento do mesmo. Os filhos devem tomar conhecimento da sua realidade, que é a realidade familiar. Se não souberem, jamais perceberão um "não" que lhes é dado. A inversa também é verdadeira. Agradecemos ao Professor Fraústo Ferreira esta novidade.

E não descurar a poupança. O "pé de meia" é sempre algo que deve ser efectuado junto da tal conta bancária familiar, para que não ocorram surpresas.

O tempo é demasiado curto, escrevemos. 
Sim, para amar. 

Famílias, uni-vos.

Citando São João Paulo II, "Família, torna-te naquilo que és!"

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Deus é desconcertante

“Tenho o melhor filho(a) do mundo!”
“O meu filho(a) é o mais bonito do mundo!”

Pode ser. Pode não ser. Para nós, será sempre.

Deus é efectivamente desconcertante. Coloca-nos perante a novidade de gerar vida e reconhecer que os nossos são ao mais belos. Não fisicamente (podem sê-lo), mas interiormente. São nossos e são a nossa imagem. São sempre os mais bonitos. E são-nos efectivamente.

Cada família é como um jardim. E em cada jardim Deus planta as mais belas flores. 
As flores de cada um dos jardins são sempre as mais belas.

Essa novidade é fabulosa. Cada família tem os mais belos no seu seio. E cada família assume essa verdade. E muito bem, porque o são. 
Algo mágico e desconcertante.

Deus havia escolhido doze e consta não serem os mais sapientes e audazes. 


Ao contrário. Eram pessoas tão comuns e pequenas quanto nós. Alguns resistentes e incrédulos. Nem perante as evidências Lhe reconheciam a divindade. O Tomé, só depois de tocar as chagas acreditou.

Ora, Deus continua operante e desconcertante. Foi assim antes e é-o hoje. Confunde, baralha.

Escolhe-nos não pelas nossas virtudes. Se as temos, com humildade devemos reconhecer que o mérito não é nosso.
Escolhe-nos não pela sapiência. Que sabemos nós que Deus não conheça primeiro?
Escolhe-nos não por sermos ricos ou pobres. Deus não nos diferencia pela conta bancária.

Deus escolhe-nos todos os dias porque nos ama. E isso volta a ser desconcertante.
Entre o deve e o haver, o saldo devedor é manifesto. E nem por isso Deus desiste de nós. Curioso…

Deus ama-nos de uma forma extraordinária e faz-nos crescer em família, dando-nos a dita de observar o crescimento sustentado dos nossos filhos. Delega em nós a competência de ensino e formação religiosa e intelectual. Acredita em nós.

Este Deus desconcertante que nos confunde é motivo bastante de permanente conversão.

Só alguém muito apaixonado e louco de amor não desiste de nós, das nossas fragilidades, da nossa tibieza, da nossa ingratidão e da nossa reiterada infidelidade.
E acreditemos, jamais o fará. Antes pelo contrário.
Puxa por nós e pela nossa família todos os dias. Não desarma. Insiste. É aborrecidamente chato. É paciente. E isso, é desconcertante.

Que saibamos crescer em família com a consciência de um permanente e doce desconcerto.

Neste teatro da vida – dizia Monsenhor Escrivá – somos actores perante O espectador.
Que saibamos cumprir o nosso papel em conformidade com o guião que nos foi dado.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

FEM no Facebook




A FEM está agora no Facebook.

Fica o convite a fazerem LIKE/GOSTO na Página da Família em Movimento.

Actividades para crianças em férias

Cá estamos nós mais uma vez a deixar-vos uma ideia para poderem realizar com as crianças que se encontram em casa de férias: um tear.

Quem não se lembra de ter feito um tear na escola? Era actividade obrigatória na disciplina de Trabalhos Manuais.

Pois bem, fomos ao nosso baú de recordações de infância e tirámos de lá a ideia do tear.
É muito simples. 

Material necessário:
- um pedaço de cartão
- lã ou linha
- agulha para lã

Depois é dar asas à imaginação...

Aqui fica a imaginação e o trabalho da nossa menina mais velha que, depois de ter feito o seu, foi ajudar a mana mais nova.





quarta-feira, 8 de julho de 2015

Desconto no ISV para famílias numerosas em vigor a partir de Janeiro

Isenção de 50% no imposto só é válida para carros com mais de cinco lugares.

As famílias com quatro ou mais dependentes a seu cargo, ou as que tenham três entre os quais dois com idade inferior a oito anos, vão poder ter a partir de 1 de Janeiro uma redução de 50% no imposto sobre veículos (ISV) caso comprem carros com mais de cinco lugares.

A lei, que já tinha sido aprovada no Parlamento em Maio, foi publicada nesta quarta-feira em Diário da República.

A isenção de metade do ISV apenas é válida para um veículo por agregado familiar e só se aplica a veículos que emitam, no máximo, 150 gramas de CO2 por quilómetro. Não pode ultrapassar os 7800 euros. Para beneficiar da redução, é necessário um pedido à Autoridade Tributária e Aduaneira.

O desconto no imposto pode aplicar-se aos agregados familiares com dependentes menores, bem como aos que tenham dependentes maiores de idade (até aos 25 anos) que sejam estudantes e não tenham rendimentos superiores à retribuição mínima mensal garantida. Podem ainda beneficiar as famílias com dependentes maiores de idade inaptos para o trabalho e para angariar meios de subsistência, desde que estes não tenham rendimentos superiores ao salário mínimo.

O projecto de lei tinha sido apresentado em Abril pelo PSD e CDS-PP, que entretanto aceitaram alterações propostas pelo PS. Na primeira versão dos partidos da maioria, propunha-se que o desconto só beneficiasse as famílias com quatro ou mais dependentes, mas o PS quis alargar às famílias com três filhos, ainda que com limitações de idade.

De acordo com a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, há cerca de 125 mil agregados familiares com três filhos e 22 mil com quatro filhos.

Fonte: APFN

O trabalho como extensão familiar

Por vezes ouço entre colegas ou amigos a expressão “só trabalho até às X horas porque só me pagam até essa hora.
Ou então e em continuidade, “cumpro escrupulosamente com o meu contrato. Querem que trabalhe mais, paguem mais.

Enfim, todos nós ouvimos estas expressões e quiçá já as tenhamos proferido.

Não vamos discutir o mérito das mesmas. Sem prejuízo, escrevemos o que pensamos sobre o assunto.

Na nossa opinião, empregado e empregador, em sentido lato, são dependentes entre si. Um depende que o outro pague as justas retribuições enquanto o segundo depende que o empregado execute a tarefa.

A prestação do trabalho, na nossa opinião, deve reflectir o que somos em família. Nesta, não estabelecemos metas contratuais e ou não fazemos as tarefas numa medida calculada. No nosso ponto de vista, devemos ter brio no trabalho e se houver necessidade de o prolongar, devemos fazê-lo. E por regra há uma retribuição adequada ao trabalho extraordinário.

O trabalho não deve prejudicar a família, nos seus tempos. Mas casuisticamente e na necessidade, não vemos mal que empreguemos mais tempo que o habitual para colmatar qualquer situação que se apresente extraordinária e que de nós dependa.

Temos sempre a convicção de que estão fora de portas milhares de pessoas que fariam o nosso lugar. Chama-se a essa convicção humildade, porque em si é verdadeira. O que é bom é que quem nos paga o ordenado tenha de nós a noção clara de que somos laboriosos e briosos.

Mais. Deus não quer que sejamos pequeninos na doação e não quer receber de nós um trabalho circunscrito a noções fechadas. Quer que lhe ofereçamos um trabalho bem feito todos os dias e com grandeza de espírito. E se fizermos esse trabalho, com esta mentalidade nobre, seremos apreciados pelo esforço, pela conduta, pela rectidão, pelo empenho, pela qualidade e pelo espírito de quem compreende que existem dois lados.

Na família somos generosos quando a esposa carece de auxílio, quando o filho está doente e nos obriga a levantar da cama várias vezes durante a noite, entre tantas e tantas tarefas quotidianas. Nós pensamos que o trabalho é uma extensão desta atitude nobre. E pensamos também que dele dependemos para manter a família. Então, sejamos diferentes e sigamos o conselho de Monsenhor Escrivá de santificarmos o trabalho, santificarmo-nos no trabalho e santificarmos os outros pelo trabalho.

Uma coisa mais. O que somos, passamos. Os nossos filhos serão um espelho de nós mesmos. Pensemos nisto.

Em frente!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Fuga para a frente

Nunca escondemos o padrão pelo qual nos guiamos. E nunca escondemos que o blogue FEM não tem filtros, sendo transversal.
O que sempre importou foi a defesa da família aproveitando o blogue para fazer apostolado.
Sempre acreditámos num modelo de sucesso que não tem necessariamente que ser o nosso. Há vários modelos de sucesso com o mesmo denominador comum: Jesus. O nosso, enquanto o entendemos, é-o.
Adiante. “Fuga para a frente” foi o título desta publicação focada essencialmente nas pessoas que nem dizem sim e também não dizem não. Estas, permanecem numa espécie de limbo sem assumir uma decisão, essa coisa tão difícil porque nos compromete.

E falamos exactamente do quê? De tudo em geral.

Na religião, por exemplo. Nas decisões fundamentais da vida. No compromisso que essas decisões encerram.

É curiosos que nem todas as pessoas têm uma linha recta, uma conduta assumidamente coerente sobre religião, família, conduta quotidiana e decisões fundamentais.
As razões são diversas. Vamos misturar os temas, na certeza que na leitura do texto consigamos ser claros.
Há quem diga que ainda não é chegado o tempo.
Outros, que é coisa de mulheres e para as mulheres.
Outros ainda que não nasceram para issoIsso são coisas de…
Por último, há quem defenda a tese que a decisão fundamental compete aos filhos.
E há todos os outros. Os que disseram sim e os que disseram não, com toda a legitimidade de uma escolha livre.
Ora, o texto versa sobre aqueles que estão no “nim”.
Desmontando o puzzle, diríamos o seguinte:

“Ainda não é chegado o tempo”
O tempo já chegou há dois mil anos. Há dois mil anos que esperam o nosso compromisso, o nosso fiat, a nossa entrega.
O tempo de nos convertermos há muito chegou e falta apenas a decisão comprometedora. É terrível o compromisso. Quando nos comprometemos deixamos de viver para o “eu”, desinstalamo-nos e isso dói tanto. Os tempos sem compromisso são muitíssimo mais apelativos, verdade.
Mas entendamos que o compromisso de família implica algo mais. O compromisso familiar implica o deixar para trás um sem número de vontades e escolhas. Excepto se não nos desvinculamos delas e com isso afectamos aqueles que connosco convivem.
O compromisso de família exige abnegação e mortificação. Mas caramba, quantos frutos e alegrias gera.
Somos felizes? Somos verdadeiramente felizes? Amamos e somos amados? Deixamos que nos amem? Amamos sem restrições? E o compromisso entra neste amor?
Fazemos notar que “amor” é coisa de gente grande.

“É coisa de mulheres e para as mulheres”
Errado! Amar é coisa de mulheres e homens livres. Os homens que amam mostram toda a sua masculinidade. Amar não nos reduz em nada. Pelo contrário, engrandece-nos.
Amar o compromisso mostra quão gigantes podemos ser. Só uma alma gigante ama e deixa amar. Tudo o resto que é contrário ao amor sim, reduz. Homens e mulheres ficam pequeninos, do tamanho do seu pequeno coração. Os que amam dilatam o coração e a amizade dos outros. Isto é tão factual.
Mesmo em questões religiosas, determinar que são coisas femininas – com o devido respeito – mostra alguma pequenez no raciocínio.
Um homem ama e deixa amar. Faz e deixa fazer. Não se limita ao seu quintal. Expande para fora.

“Não nasceram para isso. Isso são coisas de…”
Então terão nascido exactamente para quê?
Se não nascemos para o compromisso, para a família, para amar, para viver (!) teremos nascido para… definhar?
Há quem tenha dificuldade em assumir a alegria. Há quem, inclusive, goste de mostrar aos outros o quanto sofre. Mas pensamos que isso de nada vale. Que importa que a Maria (a vizinha) nos diga “coitado”? Resolve alguma coisa? Nada!
Queridos amigos, nascemos para isto. O “isto” é a negação do nosso ego que implica a doação plena à família. E na família todos os cuidados são poucos. Cuidado com a educação dos filhos. Uma educação menos cuidada vai dar mau resultado.
Nascemos para isto e nascemos com o dom de pensar, raciocinar. Então, façamos juízos sérios e acautelemos o que é de acautelar.
O padrão de vida da família deve ser pensado. O padrão de vida de uma família deve ser dialogado. Por último, deve ser posto em prática.
Devem ser tomadas decisões sobre todas as vertentes da vida familiar. O orçamento, a educação, como se pauta o quotidiano, o trabalho, os tempos de lazer, etc. Tudo deve ser pensado.
Isto é, quem afirma que não nasceu para “isto”, desengane-se.

“Decisão fundamental compete aos filhos”
Muito bem. A esses pais pergunto se os filhos escolhem quando vão ao médico. A esses pais pergunto se os filhos escolhem se vão, ou não, à escola.
Quem é para umas, é para outras.
Quem escolhe são os pais. Ponto. Nem há lugar a qualquer discussão.
Os pais escolhem e por isso são pais, educadores.
Os pais escolhem se os filhos vão ao médico. Os pais sabem que os filhos têm de frequentar o ensino. Os pais escolhem se os filhos são baptizados. Os pais escolhem se os filhos frequentam a catequese. Os pais escolhem tudo.
Quem não escolhe, quem não toma decisões, demitiu-se das suas funções.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ver para crer...

Na passada sexta-feira celebrou-se o dia de S. Tomé.
Quem não ouviu a célebre frase "ver para crer"?

S. Tomé só acreditou na resurreição de Jesus depois de ver e tocar nas marcas da crucificação.

E nós? Acreditamos realmente que há 2000 anos Jesus morreu por nós para nos dar a vida?
É pouco? 
Quantos, sem contar com Ele, o fizeram? Um que seja… parece que as respostas são unânimes.


A fé nasce deste acreditar sem ver. A presença de Deus faz-se sentir na vida daqueles que acreditam sem O terem visto.


E faz-se sentir todos os dias, nas mais pequenas coisas, nos mais pequenos afazeres como seja um gesto meigo do nosso consorte, num beijo terno de um filho ou um sorriso doce, nos momentos passados em família, na união familiar.

Dirão alguns “não precisamos acreditar em Jesus para dar um ósculo.” Verdade. Agora, com que sentido o fazem? É o mesmo com que um cristão o faz?

Viver a família na fé ajuda-nos a perceber e a viver a grandeza do Amor de Deus por cada um dos Seus filhos que somos todos nós. Somos todos filhos únicos e completamente irrepetíveis.
Deus não fez, não faz nem fará outro igual a ti e a mim. O nosso molde foi único.

Para fazer esta experiência do Amor de Deus por cada um de nós, pela filiação divina,  não são necessárias coisas extraordinárias. Porque Deus ama a simplicidade e sabe-nos pequeninos. Bastará viver cada momento em família e procurar o que cada situação tem de divino. Procuremos porque tem. Nada acontece sem o consentimento do Pai do Céu.

Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs comunidades diferenciadas?
Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs comunidades peregrinas em busca da santidade?
Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs a permanência em lares luminosos e alegres?
Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs comunidades abertas à vida?
Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs  comunidades em permanente busca de amor, caridade e concórdia?
Será o acaso ou a loucura que fazem das famílias cristãs comunidades que têm consciência da sua filiação divina?  

Que sentido teria a vida se Jesus não tivesse morrido na cruz e ressuscitado para nos resgatar?
Ou por outra, que sentido teria a família – a nossa família – sem a presença diária do Mestre? Seriamos nós os mestres da nossa vida? Estaríamos bem…

Há dias escrevíamos que a vida é um peregrinar; que a morte é uma passagem para algo maior; é o chegar finalmente ao Santuário.

Quem acredita nasce mas jamais morrerá...

Nós, FEM, acreditamos!

domingo, 5 de julho de 2015

As tempestades

As leituras da missa deste Domingo são muito propícias à meditação pois revelam um diálogo incessante e profundo entre nós e Deus.
Vamos focar-nos na segunda leitura, onde São Paulo revela a sua humildade e exorta-nos à mesma.

Começa por falar num “espinho na carne”. Não especifica.

Alguns Padres da Igreja dizem tratar-se de doença física; outros de tribulações; outros ainda de tentações. São Paulo dizia sobre esse espinho ser algo que não lhe permitia a soberba e a exaltação.

São Paulo terá pedido três vezes ao Senhor que lhe retirasse esse obstáculo. Mas Deus, que sabe mais, negou-lhe o pedido. Mas não o deixou órfão. Pelo contrário, disse-lhe (e a nós) que “basta a Sua graça” que por sua vez “resplandece na fraqueza”.

Significa que para superar as dificuldades basta a presença do médico de todas as doenças.

É então que São Paulo diz que “quando sou fraco, então é que sou forte”.

Todas as famílias passam provações, tempestades, desertos, incompreensões, falta de meios económicos para fazer face a despesas emergentes. Todas as famílias têm os seus problemas. Alguns desnecessários. Diz-nos Monsenhor Escrivá para “não criarmos necessidades”. Muitas vezes somos obreiros dos nossos males.

Existem caminhos diferentes entre si quando a tribulação atinge as famílias. O primeiro, o desespero. O segundo, a conversão maior. Sobre o primeiro nada há a dizer senão exortar vivamente que jamais seja percorrido. Não nos leva a lado algum. Mas sobre o segundo há muito a dizer.

“A inteligência – iluminada pela fé – mostra‑te claramente não só o caminho, mas a diferença entre a maneira heróica e a maneira estúpida de percorrê‑lo. Sobretudo, põe diante de ti a grandeza e a formosura divina das tarefas que a Trindade deixa em nossas mãos.
In Falar com Deus de Francisco Fernández Carvajal

Na tribulação, as famílias devem unir-se mais e mais em si e a Deus. 
Cá em casa pensamos sempre como São Tomás de Aquino ensinou. Se Deus permite… é porque quer tirar um bem maior ainda que no imediato não saibamos qual. Ainda hoje, particularmente, procuramos respostas com vinte anos e ainda não as encontrámos. Mas sabemos que um dia ou noutra realidade, as encontraremos. Nada é acaso e nada é coincidência. Tudo é designado e tudo tem uma razão de ser.

As famílias são constituídas por seres frágeis e limitados. Somos pequenos. Na fragilidade e debilidade, a constância encontra muitas resistências. E caímos. Ficamos perturbados como se não houvesse nada mais, como se Deus não existisse, como se de travas se tratassem os dias que vivemos. Vem o mau humor, o desespero e o sentimento. O sentimento que tantas vezes nos escraviza. O sentimento que se apodera de nós e nos conduz a meditar a existência ou inexistência de Deus. Sobressai o EGO que nos diviniza e que nos faz acreditar da desnecessidade de rezar e privar com Deus porque, acreditamos, somos autossuficientes.

“O sentimento, pelo contrário, apega‑se a tudo o que desprezas, mesmo que continues a considerá‑lo desprezível. É como se mil e uma insignificâncias estivessem esperando qualquer oportunidade, e logo que a tua pobre vontade se debilita – por cansaço físico ou por perda de sentido sobrenatural –, essas ninharias se amontoam e se agitam na tua imaginação, até formarem uma montanha que te oprime e te desanima: as asperezas do trabalho; a resistência em obedecer; a falta de meios; os fogos de artifício de uma vida regalada; pequenas e grandes tentações repugnantes; rajadas de sentimentalismo; a fadiga; o sabor amargo da mediocridade espiritual... E, às vezes, também o medo: medo porque sabes que Deus te quer santo e não o és. 
In Falar com Deus de Francisco Fernández Carvajal

É então que devemos sair deste ciclo fechado e ler quem mais sabe, aprender dos Santos. 

São Josémaria Escrivá, no Sulco, Ponto 166, diz-nos “Permite‑me que te fale com crueza. Sobram‑te «motivos» para voltar atrás, e falta‑te arrojo para corresponder à graça que Ele te concede, porque te chamou para seres outro Cristo, «ipse Christus!» – o próprio Cristo. Esqueceste a admoestação do Senhor ao Apóstolo: «Basta‑te a minha graça», que é uma confirmação de que, se quiseres, podes”.

O mesmo Santo ensinava que não devíamos dialogar com tentação. Temos meios suficientes para o efeito, nomeadamente a oração, a mortificação, a fuga das ocasiões que nso fazem cair, a vida laboriosa e cumprimento dos deveres profissionais e o esforço por crescer no amor à Trindade e Maria.

Também devemos ter um DE (Director Espriritual) que nos ajuda imenso. 
Nada – absolutamente nada – lhe deverá ser ocultado. E deixar que ele cure a ferida ainda que doa. E deve doer. Se assim não for, a ferida não tratada aumentará e fará o membro apodrecer até cair, em definitivo.

As famílias enfrentam inúmeras adversidades. São muitos os espinhos encravados. Sejam eles tribulações, tentações, doenças, incompreensões entre outras. Muitas famílias enfrentam problemas financeiros. Muitas famílias enfrentam problemas de relações pessoais e quiçá elas se manifetem no seio da própria família.

É aí que devemos fazer como São Paulo. Rezar, entregar e confiar.  A providência acautelará.

Há uns anos terá faltado mel no Carmelo de Fátima. Um amigo nosso, sem o saber, levou mel às irmãs carmelitas. Insistimos, um amigo nosso sem saber da falta de mel levou-lhe esse alimento. A providência acautelou. E fá-lo sempre. Sempre. E existem tantos e tantos exemplos.

Sejamos perseverantes e coerentes. Sejamos Martas e Marias nos nossos lares e que eles sejam luminosos e alegres, ainda que a provação se faça sentir.


E sorrir na adversidade. Sorrir e às vezes rir, é o melhor remédio. 
O inimigo detesta que o façamos pois apenas quer o desespero. 
Ao sorrir e às vezes rir, derrotamo-lo. 

E essa força é a presença sólida de Deus nas nossas fraquezas